Os Pais, Sócios de Deus
Por Evandro Faustino - Glosa a “O homem como filho”, de Leonardo Polo
Sucede, entretanto que os pais não geraram esse filho sozinhos. Houve na geração também a paternidade criadora de Deus. O homem não é somente filho de seus pais, ou pelo menos, não o é em todas as suas dimensões. Em todos os homens, o caráter espiritual não vem de seus pais humanos, mas de Deus. E justamente por causa disso, cada pessoa humana é uma “novidade”, no sentido mais estrito da palavra: é uma criatura única, com características inteiramente diferentes de todas as outras. É uma obra de arte assinada conjuntamente por seus pais e por Deus.
Cada homem é objeto de um amor divino de predileção. Para cada ser humano que foi gerado pelos pais e “assinado” por Deus, houve bilhões de outros seres humanos possíveis que não chegaram a ser gerados. Tendo em conta a onipotência e a onisciência de Deus, o número de homens possíveis que nunca existirão é muitíssimo maior do que os que existem, e estes existem porque aqueles deixaram de existir. Que razão pode haver para isso? Não pode ser outra que um amor divino de predileção.
Transcendentalmente, o homem é filho de Deus. Apenas Deus pode escolher seus filhos, trazendo-os à existência. A pretensão de se escolher o filho através da engenharia genética é absurda, porque não pode suplantar a predileção divina. Não é nem mesmo um arremedo de Deus, mas um mero ato de cálculo, vazio de amor criador. A verdadeira e maior grandeza dos pais humanos, que os eleva e dignifica, é reconhecer como deles o filho que Deus lhes deu. É reconhecerem-se com sócios de Deus na geração e na educação dessa pessoa única e predileta de Deus que é o seu filho.
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