A fé é essencial para termos um encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo e para anunciá-lo com alegria ao mundo, não só com palavras, mas, principalmente, com o testemunho de nossa vida. Vendo hoje tantas maneiras de se expressar a fé em Jesus Cristo, podemos perguntar- nos: Como reconhecer Jesus no cotidiano da vida, e anunciá-lo à humanidade?
- ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO EM 23 JUNHO 2013
 Hoje, no Evangelho, Jesus situa-nos ante uma pergunta fundamental. Da sua resposta depende a nossa vida: "E vós, quem dizeis que eu sou?" (Lc 9,20). Pedro respondeu em nome de todos: "O Cristo de Deus".
Qual a nossa resposta? Conhecemos suficientemente Jesus para poder responder? A oração, a leitura do Evangelho, a vida sacramental, e a Igreja são as fontes que os levam a conhecê-lo e "vive-lo".
Até que não podemos responder com Pedro com todo o coração e a mesma humildade..., com certeza ainda não deixaremos nos transformar por Ele.
Devemos sentir como Pedro, temos que lograr sentir como a Igreja para poder responder satisfatoriamente à pergunta de Jesus!Mas o Evangelho de hoje acaba com uma exortação a seguir ao Senhor desde a humildade, desde a negação e a cruz. Seguir a Jesus deste jeito apenas pode dar salvação, liberdade. "O que acontece com o ouro puro, também acontece com a Igreja; ou seja, quando passar pelo fogo, não fica ruim, ao contrário, acrescenta o seu esplendor" (Santo Ambrosio).
Nem a contrariedade, nem a perseguição por causa do Reino, devem-nos dar receio, mas devem ser motivo de esperança e, inclusive da alegria. Dar a vida por Cristo não é perdê-la, é ganhá-la para toda a eternidade. Jesus pede nos humilharmos totalmente por fidelidade ao Evangelho, Ele quer que, livremente, demos-lhe a nossa existência toda. Vale a pena dar a vida pelo Reino!
Seguir, imitar, viver a vida da graça, em fim, permanecer em Deus é o objetivo da nossa vida cristã: "Deus se fez homem para que imitando o exemplo de um homem, o que é possível, cheguemos a Deus, o que antes era impossível" (Santo Agostinho).
Que Deus, com a força do seu Espírito Santo, ajude-nos com isso!
Formação Luz da Vida
E vós, quem dizeis que Eu sou?
Jesus perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Jesus respondeu-lhe:«Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus» (Mt 16, 13-23).
"O saber não ocupa lugar". Neste ditado popular uma verdade muito simples que convida a saber e a descobrir sempre mais, pois é algo que não nos prejudica, não estorva, e pode ajudar-nos a ver a vida de outra maneira. O episódio do Evangelho desta quinta-feira diz-nos que a nossa relação com Jesus Cristo não é de mero conhecimento. Não basta saber muitas coisas sobre Jesus, mas saber quem é para nós, que implicações tem na nossa vida, como pode modificar as nossas opções? Diz-se, por exemplo, que ninguém conhece tão bem a Deus como o Diabo e nem por isso ele é crente ou seguidor da verdade que vem de Deus. Por outras palavras, o conhecer é importante, mas quando nos envolve e compromete com o seguimento.
Refletindo um pouco sobre as perguntas do Senhor, podemos concluir que ele quer nos ensinar que há dois modos de conhecê-lo. O primeiro modo é conhecer Jesus pelo que os outros dizem dele. O segundo modo é conhecer Jesus por nosso próprio esforço e vontade. O primeiro modo pode ser de grande ajuda para nos introduzir no caminho do conhecimento do Senhor, mas, o alvo de todo cristão deve ser o de ter uma resposta particular formulada em sua convicção pessoal sobre a pessoa de Jesus Cristo através de ouvi-lo.
esus Cristo quer que cada um de nós tenha uma resposta pessoal sobre ele. Resposta baseada nas Escrituras e não nas religiões, nos homens, nas igrejas, nos pregadores, etc. Pense que resposta você teria para o Senhor se ele aparecesse hoje e lhe perguntasse: “...Mas vós, quem dizeis que eu sou?”.
Então Ele lhes pergunta: «E vós, quem dizeis que eu sou?».
Esta segunda pergunta, inesperada, deixa-os desconcertados. Entrecruzam-se silêncio e olhares. Se na primeira pergunta se lê que os apóstolos responderam todos juntos, em coro, esta vez o verbo é singular; só «respondeu» um, Simão Pedro: «Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo!». Entre as duas respostas há um salto abismal, uma «conversão». Se antes, para responder bastava olhar ao redor e ter escutado as opiniões das pessoas, agora é preciso olhar para dentro, escutar uma voz bem diferente, que não vem da carne nem do sangue, mas do Pai que está nos céus. Pedro foi objeto de uma iluminação «do alto».
Trata-se do primeiro autêntico reconhecimento, segundo os evangelhos, da verdadeira identidade de Jesus de Nazaré. O primeiro ato público de fé em Cristo, da história! Pensemos no sulco deixado por um barco: vai se movimentando até perder-se no horizonte, mas começa com uma ponta, que é a ponta do barco. Assim acontece com a fé em Jesus Cristo. É um sulco que foi movimentando-se na história, até chegar aos «últimos confins da terra». Mas começa com uma ponta. E esta ponta é o ato de fé de Pedro: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo». Jesus usa outra imagem, vertical, não horizontal, vertical não horizontal: rocha, pedra. «Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja».
Jesus muda o nome de Simão, como se faz na Bíblia quando se recebe uma missão importante: chama-o de «Cefas», Rocha. A verdadeira rocha, a «pedra angular» é, e continua sendo, ele mesmo, Jesus. Mas, uma vez ressuscitado e ascendido ao céu, esta «pedra angular», ainda que presente e operante, é invisível. É necessário um sinal que a represente, que torne visível e eficaz na história este «fundamento firme» que é Cristo. E este será precisamente Pedro, e, depois dele, aquele que o substituir, o Papa, sucessor de Pedro, como cabeça do colégio dos apóstolos.
Mas voltemos à idéia da pesquisa. A pesquisa de Jesus, como vimos, desenvolve-se em dois momentos, comporta duas perguntas fundamentais: primeiro, «quem dizem os homens ser o filho do Homem?»; segundo, «quem dizeis vós que sou eu?». Jesus não parece dar muita importância ao que as pessoas pensam dele; interessa-lhe saber o que pensam seus discípulos. E o faz com esse «e vós, quem dizeis que sou eu?». Não permite que se escondam atrás das opiniões dos outros, mas quer que digam sua própria opinião.
A situação se repete, quase identicamente, nos dias de hoje. Também hoje, «as pessoas», a opinião pública, têm suas idéias sobre Jesus. Jesus está na moda. vejamos o que acontece no mundo da literatura e do espetáculo. Não passa um ano sem que saia uma novela ou um filme com a própria visão, torcida e dessacralizada, de Cristo. O caso do Código Da Vinci, de Dan Brown, foi o mais clamoroso e está tendo muitos imitadores.
Depois estão os que ficam a meio caminho. Como as pessoas de seu tempo, crêem que Jesus é «um dos profetas». Uma pessoa fascinante, que se encontra ao lado de Sócrates, Gandhi, Tolstoi. Estou certo de que Jesus não despreza estas respostas, porque se diz dele que «não apaga a chama fumegante e não quebra o caniço rachado», ou seja, sabe valorizar todo esforço honesto por parte do homem. Mas há uma resposta que não se enquadra, nem sequer na lógica humana. Gandhi ou Tolstoi nunca disseram «eu sou o caminho, a verdade e a vida», ou também «quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim não é digno de mim».
Com Jesus não se pode ficar na metade do caminho: ou é o que diz ser, ou é o maior louco exaltado da história. Não há meio termo. Existem edifícios e estruturas metálicas (creio que uma é a torre Eiffel de Paris) feitas de tal maneira que se se traslada certo elemento, se derruba tudo. Assim é o edifício da fé cristã, e esse ponto neurálgico é a divindade de Jesus Cristo. Mas deixemos as respostas das pessoas e vamos aos não-crentes. Não basta crer na divindade de Cristo, é necessário também testemunhá-la.
Quem o conhece e não dá testemunho dessa fé, mas a esconde, é mais responsável diante de Deus do que quem não tem essa fé. Em uma cena do drama «O pai humilhado», de Claudel, uma moça judia, linda, mas cega, aludindo ao duplo significado da luz, pergunta a seu amigo cristão: «Vós que vedes, que uso fizestes da luz?». É uma pergunta dirigida a todos nós que nos confessamos crentes.
- – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - - por , Frei Raniero Catalamessa
O mundo diz muitas coisas sobre Jesus, sem ter uma idéia clara que quem Ele era. E hoje? A mesma coisa... um grande profeta, um homem iluminado, um espírito superior... etc etc. E para nós? O messias, filho de Deus encarnado cujo caminho da ressurreição e da vida é a cruz.
O mundo não conhece o amor de Deus e o rejeita. O amor no céu é a glória. O amor aqui na terra é cruz. Quem foram os que amaram vocês, de verdade? Foram aqueles que carregaram a cruz por vocês. Só podemos ser discípulos de Jesus quando tivermos uma relação de reconciliação com a Cruz de Cristo. Precisamos aprender que a cruz é o único caminho para chegar a Nosso Senhor Jesus Cristo. A cruz que carregamos pelos que nós amamos.
A minha própria opinião e a minha própria sabedoria não salvam. Precisamos abraçar com amor e destemor as idéias de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
Padre José Ruy
 Nossa vida é feita de contatos, encontros, amizades. Mas também de choques, desencontros, antipatias. Daí o risco permanente de passar por alguém e não reconhecer o tesouro oculto no outro, não identificar a pessoa real que cruzava nosso caminho. No caso de Jesus Cristo, essa identificação constitui o ponto de partida de uma transfiguração de nosso ser pessoal. Pessoa humano-divina, Jesus nos proporciona um salto de qualidade impossível de realizar de outra forma. Se o encontras e identificas, jamais serás o mesmo… Neste Evangelho, estão registradas várias falsas visões de Jesus ainda no seu tempo: um dos antigos profetas, o Elias arrebatado ao céu, João Batista talvez de volta do mundo dos mortos. No entanto, era bem vivo Aquele que fez a segunda pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou?”Simone de Diétrich comenta: “Jesus dá a Simão um nome novo: ‘kepha’, que significa ‘rocha’. Este nome contém uma promessa: Simão, o discípulo flutuante, impulsivo, será doravante, pela graça de Deus, a ‘rocha’ sobre a qual Deus edificará a nova comunidade. Nós cremos que aqui se trata, sim, da pessoa de Pedro, e não somente sua fé. Bem entendido, é na qualidade de confessor da fé que Pedro é chamado a desempenhar este papel”. E prossegue: “Dando-lhe as chaves do Reino, Jesus concede a Pedro – e por ele à Igreja – abrir esse Reino àqueles que receberão sua palavra. Esta palavra tem o poder de desatar os homens dos laços do pecado e da morte”. O velho pescador escolhido e chamado por Jesus era um homem sem grandes predicados, sem dotes que o destacassem de seu meio social. No entanto, após identificar com acerto a pessoa do Filho de Deus, Pedro vê-se projetado a altitudes jamais antes sonhadas. O galileu fala às nações, o covarde dá testemunho pelo martírio, o caniço flexível torna-se tronco imbatível. A História da Igreja apenas repetirá o mesmo padrão: gente comum, sem nenhum brilho nas academias do mundo, egressa de famílias e grupos dos mais humildes, após o encontro com Jesus superam os limites da carne e tornam-se notáveis luminares de seu tempo.
Em cada Evangelho, em cada celebração, em cada vigília noturna, Jesus Cristo se põe à minha frente e repete a pergunta:“Quem dizes que eu sou?” Que o Espírito de Deus me inspire a resposta certa…
Orai sem cessar: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20,28)
Amados, ao ler a primeira vez o evangelho desta semana, minha cabeça já foi logo tomada de algumas lembranças relacionadas a minha conversão e história de vida, as quais narro duas a vocês: 1) Ao preencher a minha ficha de inscrição do primeiro encontro de oração carismática da minha vida (Experiência de Oração) havia uma pergunta: Quem é Jesus para você? E para a minha alegria, havia refletido nesta leitura naqueles dias e a resposta de Pedro estava vivíssima em minha mente – naturalmente respondi como Pedro, é bem provável que na ocasião eu nem tinha muita consciência do meu ato. Mas o coordenador do “meu” grupo de oração destacou depois a minha resposta e se disse muito feliz com a mesma, pois ainda jovem e de pouca caminhada eu apresentei uma resposta Petrina. Confesso que, na ocasião, não entendi bem a alegria do meu coordenador por esta resposta. Até mesmo por que esta pergunta era utilizada para ver o “ibope” de Jesus junto aos participantes do encontro, ou ainda a “tendência religiosa”.
Anos depois, um segundo episódio referente a esta passagem, me fez lembrar-se deste fato. Estava em Uberaba e me hospedei na casa do arcebispo, Dom Benedito Ulhoa Vieira, por ocasião de outro evento da RCC – e nos momentos de folga conversava bastante. Ele, o vice-presidente da CNBB, na ocasião, possuía suas reservas com os carismáticos (estou falando de 1984) e eu, extremamente “carismático” para não dizer “carisfanático”. Perguntei o que ele achava de Chico Xavier, pois afinal, estava em sua diocese possivelmente o maior foco espírita do Brasil. Então Dom Benedito respondeu-me dizendo que o Chico Xavier era uma pessoa boa, de boa vontade em suas ações, não o desmereceu, mas disse que o que desejava vê-lo dizer era que JESUS É O FILHO DE DEUS VIVO. Ele diz que Jesus é um grande homem, um grande profeta, um espírito evoluído, MAS O QUE JESUS É MESMO ELE NÃO DIZ, OU SEJA, O FILHO DE DEUS VIVO. Naquele dia compreendi ainda mais a importância da resposta de Pedro.
Agora, minha tradicional auscultação nos escritos do pregador da casa pontifícia, frei Raniero Cantalamessa sobre o tema de hoje. DEGUSTEM !
E vós, quem dizeis que eu sou?1
Existe, na cultura e na sociedade de hoje, um fato que pode nos introduzir na compreensão do Evangelho deste domingo, e é a pesquisa de opinião. Ela é praticada em todos os âmbitos, mas, sobretudo no político e comercial. Também Jesus um dia quis fazer uma pesquisa de opinião, mas com fins, como veremos muito diferentes: não políticos, mas educativos. Chegado à região da Cesaréia de Filipo, ou seja, a região mais ao norte de Israel, em uma pausa de tranqüilidade, na qual estava a sós com os apóstolos, Jesus lhes dirigiu, à queima-roupa, a pergunta: «Quem dizem os homens ser filho do Homem?».
É como se os apóstolos não esperassem outra coisa para poder finalmente falar sobre todas as vozes que circulavam a propósito dele. Respondem: «Uns afirmam que é João Batista, outros que é Elias, outros, ainda, que é Jeremias ou um dos profetas». Mas para Jesus não interessava medir o nível de sua popularidade ou seu índice de simpatia entre o povo. Seu propósito era bem diferente. Então Ele lhes pergunta: «E vós, quem dizeis que eu sou?».
Esta segunda pergunta, inesperada, deixa-os desconcertados. Entrecruzam-se silêncio e olhares. Se na primeira pergunta se lê que os apóstolos responderam todos juntos, em coro, esta vez o verbo é singular; só “respondeu” um, Simão Pedro: «Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo!».
Entre as duas respostas há um salto abismal, uma “conversão”. Se antes, para responder bastava olhar ao redor e ter escutado as opiniões das pessoas, agora é preciso olhar para dentro, escutar uma voz bem diferente, que não vem da carne nem do sangue, mas do Pai que está nos céus. Pedro foi objeto de uma iluminação “do alto”.
Trata-se do primeiro autêntico reconhecimento, segundo os evangelhos, da verdadeira identidade de Jesus de Nazaré. O primeiro ato público de fé em Cristo, da história! Pensemos no sulco deixado por um barco: vai se movimentando até perder-se no horizonte, mas começa com uma ponta, que é a ponta do barco. Assim acontece com a fé em Jesus Cristo. É um sulco que foi movimentando-se na história, até chegar aos “últimos confins da terra”. Mas começa com uma ponta. E esta ponta é o ato de fé de Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”. Jesus usa outra imagem, vertical, não horizontal: rocha, pedra. “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja”.
Jesus muda o nome de Simão, como se faz na Bíblia quando se recebe uma missão importante: chama-o de “Cefas”, Rocha. A verdadeira rocha, a “pedra angular” é, e continua sendo ele mesmo, Jesus. Mas, uma vez ressuscitado e ascendido ao céu, esta “pedra angular”, ainda que presente e operante, é invisível. É necessário um sinal que a represente, que torne visível e eficaz na história este “fundamento firme” que é Cristo. E este será precisamente Pedro, e, depois dele, aquele que o substituir, o Papa, sucessor de Pedro, como cabeça do colégio dos apóstolos.
Mas voltemos à idéia da pesquisa. A pesquisa de Jesus, como vimos, desenvolve-se em dois momentos, comporta duas perguntas fundamentais: primeiro, “quem dizem os homens ser o filho do Homem?”; segundo, “quem dizeis vós que sou eu?”. Jesus não parece dar muita importância ao que as pessoas pensam dele; interessa-lhe saber o que pensam seus discípulos. E o faz com esse “e vós, quem dizeis que sou eu?”. Não permite que se escondam atrás das opiniões dos outros, mas quer que digam sua própria opinião.
A situação se repete, quase identicamente, nos dias de hoje. Também hoje, “as pessoas”, a opinião pública, têm suas idéias sobre Jesus. Jesus está na moda. vejamos o que acontece no mundo da literatura e do espetáculo. Não passa um ano sem que saia uma novela ou um filme com a própria visão, torcida e dessacralizada, de Cristo. O caso do Código Da Vinci, de Dan Brown, foi o mais clamoroso e está tendo muitos imitadores.
Depois estão os que ficam a meio caminho. Como as pessoas de seu tempo, crêem que Jesus é “um dos profetas”. Uma pessoa fascinante, que se encontra ao lado de Sócrates, Gandhi, Tolstoi. Estou certo de que Jesus não despreza estas respostas, porque se diz dele que “não apaga a chama fumegante e não quebra o caniço rachado”, ou seja, sabe valorizar todo esforço honesto por parte do homem. Mas há uma resposta que não se enquadra, nem sequer na lógica humana. Gandhi ou Tolstoi nunca disseram “eu sou o caminho, a verdade e a vida”, ou também “quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim não é digno de mim”.
Com Jesus não se pode ficar na metade do caminho: ou é o que diz ser, ou é o maior louco exaltado da história. Não há meio termo. Existem edifícios e estruturas metálicas (creio que uma é a torre Eiffel de Paris) feitas de tal maneira que se traslada certo elemento, se derruba tudo. Assim é o edifício da fé cristã, e esse ponto neurálgico é a divindade de Jesus Cristo. Mas deixemos as respostas das pessoas e vamos aos não-crentes. Não basta crer na divindade de Cristo, é necessário também testemunhá-la. Quem o conhece e não dá testemunho dessa fé, mas a esconde, é mais responsável diante de Deus do que quem não tem essa fé. Em uma cena do drama “O pai humilhado”, de Claudel, uma moça judia, linda, mas cega, aludindo ao duplo significado da luz, pergunta a seu amigo cristão: “Vós que vedes, que uso fizestes da luz?”. É uma pergunta dirigida a todos nós que nos confessamos crentes.
Tu és Pedro
A entrega das chaves a Pedro. Sobre isso, a tradição católica sempre foi baseada em fundar a autoridade do Papa sobre toda a Igreja. Alguém poderia dizer: mas o que tem a ver o Papa com tudo isto? Eis a resposta da teologia católica. Se Pedro deve funcionar como “fundamento” e “rocha” da Igreja, continuando a existir a Igreja deve continuar a existir também o fundamento. É impensável que as prerrogativas quase solenes (“a ti darei as chaves do reino dos céus”) se referissem somente aos primeiros vinte ou trinta anos da vida da Igreja e que elas seriam cessadas com a morte do apóstolo. O papel de Pedro se prolonga, portanto em seus sucessores.
Por todo primeiro milênio, este ofício de Pedro foi reconhecido universalmente por todas as Igrejas, ainda que interpretado de forma diversa no Oriente e no Ocidente. Os problemas e as divisões nasceram com o milênio há pouco terminado. E hoje, também nós católicos, admitimos que não são nascidos todos por culpa dos outros, dos considerados “cismáticos”: antes os orientais, depois os protestantes. A primazia instituída por Cristo, como todas as coisas humanas, foi exercitada ora bem ora menos bem. Ao poder espiritual se mesclou, pouco a pouco, um poder político e terreno, e com isso os abusos. O próprio Papa João Paulo II, na carta sobre o ecumenismo, Ut unum sint, indicou a possibilidade de rever as formas concretas com as quais é exercida a primazia do Papa, de modo a tornar novamente possível em torno a isso a concórdia de todas as Igrejas. Como católicos, não podemos não desejar que se prossiga com sempre maior coragem e humildade sobre esta estrada da conversão e da reconciliação, de modo a incrementar a colegialidade desejada pelo Concílio.
Aquilo que não podemos desejar é que o próprio ministério de Pedro, como sinal e fator da unidade da Igreja, seja menor. Seria uma forma de nos privar de um dos dons mais preciosos que Cristo deu à sua Igreja, além de contradizer sua vontade precisa. Pensar que basta à Igreja ter a Bíblia e o Espírito Santo com o qual interpretá-la, para poder viver e difundir o Evangelho, é como dizer que bastaria aos fundadores dos Estados Unidos escreverem a constituição americana e mostrar em si mesmos o espírito com o qual devia ser interpretada, sem prever algum governo para o país. Existiria ainda os Estados Unidos?
Uma coisa que podemos fazer para aplainar a estrada de reconciliação entre as Igrejas é reconciliar-nos com a nossa Igreja. “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”: Jesus disse a “minha” Igreja, no singular, não as “minhas” Igrejas. Ele pensou e quis uma só Igreja, não uma multiplicidade de Igrejas independentes ou, pior, em luta entre igrejas. “Minha”, além de singular, é também um adjetivo possessivo. Jesus reconhece, portanto a Igreja como “sua”; disse “a minha Igreja” como um homem diria: “a minha esposa”, ou “o meu corpo”. Identifica-se com ela, não se envergonha dela. Sobre os lábios de Jesus, a palavra “Igreja” não tem nenhum daqueles significados negativos que acrescentamos.
Naquela expressão de Cristo, um forte chamado a todos os crentes a reconciliarem-se com a Igreja. Renegar a Igreja é como renegar a própria mãe. “Não pode ter Deus por pai – dizia São Cipriano – quem não tem a Igreja por mãe”. Seria um belo fruto da festa dos santos apóstolos Pedro e Paulo se começássemos a dizer também nós, da Igreja Católica à qual pertencemos: “a minha Igreja!”
Reflexão Final
Na universidade, onde muitos dizem de Jesus muitas coisas e têm muitas idéias, nós que buscamos a vida no Espírito vamos dizer o que sobre Jesus?
Que toda a Universidade saiba com a maior certeza que o Jesus que muitos matam, difamam, insistem em negar a sua divindade, esse mesmo Jesus o senhor Deus o constituiu Cristo.
A universidade precisa saber realmente qual a “minha” igreja, qual é a minha fé, quem é meu “pastor”, a universidade precisa saber da minha adesão ao sucessor de Pedro, da minha crença de que a ele, somente a ele foi dado o poder de ligar e desligar na terra, em nome do céus.
Devemos manifestar abertamente a nossa adesão ao magistério da igreja, em nossas dioceses representada pelos nossos bispos. Eis um lindo testemunho, o da UNIDADE com os nossos pastores.
VEM ESPÍRITO SANTO, VEM!
Nossa vida é feita de contatos, encontros, amizades. Mas também de choques, desencontros, antipatias. Daí o risco permanente de passar por alguém e não reconhecer o tesouro oculto no outro, não identificar a pessoa real que cruzava nosso caminho.
No caso de Jesus Cristo, essa identificação constitui o ponto de partida de uma transfiguração de nosso ser pessoal. Pessoa humano-divina, Jesus nos proporciona um salto de qualidade impossível de realizar de outra forma. Se o encontras e identificas, jamais serás o mesmo...
Neste Evangelho, estão registradas várias falsas visões de Jesus ainda no seu tempo: um dos antigos profetas, o Elias arrebatado ao céu, João Batista talvez de volta do mundo dos mortos. No entanto, era bem vivo Aquele que fez a segunda pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou?”
Simone de Diétrich comenta: “Jesus dá a Simão um nome novo: ‘kepha’, que significa ‘rocha’. Este nome contém uma promessa: Simão, o discípulo flutuante, impulsivo, será doravante, pela graça de Deus, a ‘rocha’ sobre a qual Deus edificará a nova comunidade. Nós cremos que aqui se trata, sim, da pessoa de Pedro, e não somente sua fé. Bem entendido, é na qualidade de confessor da fé que Pedro é chamado a desempenhar este papel”.
E prossegue: “Dando-lhe as chaves do Reino, Jesus concede a Pedro – e por ele à Igreja – abrir esse Reino àqueles que receberão sua palavra. Esta palavra tem o poder de desatar os homens dos laços do pecado e da morte”.
O velho pescador escolhido e chamado por Jesus era um homem sem grandes predicados, sem dotes que o destacassem de seu meio social. No entanto, após identificar com acerto a pessoa do Filho de Deus, Pedro vê-se projetado a altitudes jamais antes sonhadas. O galileu fala às nações, o covarde dá testemunho pelo martírio, o caniço flexível torna-se tronco imbatível.
A História da Igreja apenas repetirá o mesmo padrão: gente comum, sem nenhum brilho nas academias do mundo, egressa de famílias e grupos dos mais humildes, após o encontro com Jesus superam os limites da carne e tornam-se notáveis luminares de seu tempo.
Em cada Evangelho, em cada celebração, em cada vigília noturna, Jesus Cristo se põe à minha frente e repete a pergunta: “Quem dizes que eu sou?”
Que o Espírito de Deus me inspire a resposta certa...
Orai sem cessar: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20,28) Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
Comentário do Evangelho
FÉ E MISSÃO A missão de liderança confiada a Pedro exigiu dele uma explicitação de sua fé. Antes de assumir o papel de guia da comunidade, foi preciso deixar claro seu pensamento a respeito de Jesus, de forma a prevenir futuros desvios. Se tivesse Jesus na conta de um messias puramente humano, correria o risco de transformar a comunidade numa espécie de grupo guerrilheiro, disposto a impor o Reino de Deus a ferro e fogo. A violência seria o caminho escolhido para fazer o Reino acontecer. Se o considerasse um dos antigos profetas reencarnados, transformaria a Boa-Nova do Reino numa proclamação apocalíptica do fim do mundo, impondo medo e terror. De fato, pensava-se que, no final dos tempos, muitos profetas do passado haveriam de reaparecer. Se a fé de Pedro fosse imprecisa, não sabendo bem a quem havia confiado a sua vida, correria o risco de proclamar uma mensagem insossa, e levar a comunidade a ser como um sal que perdeu seu sabor, ou uma luz posta no lugar indevido. Só depois que Pedro professou sua fé em Jesus, como o “Messias, o Filho do Deus vivo”, foi-lhe confiada a tarefa de ser “pedra” sobre a qual seria construída a comunidade dos discípulos: a sua Igreja. Entre muitos percalços, esse apóstolo deu provas de sua adesão a Jesus, selando o seu testemunho com a própria vida, demonstração suprema de sua fé. Portanto, sua missão foi levada até o fim.OraçãoPai, consolida minha fé, a exemplo do apóstolo Pedroque, em meio às provações, soube dar, com o seu martírio, testemunho consumado de adesão a Jesus.
Comentário:
Eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja.
Hoje, celebramos a Cátedra de São Pedro. Pretende-se destacar com esta celebração, o fato de que – como um dom de Jesus Cristo para nós — o edifício da Igreja se apoia sobre o Príncipe dos Apóstolos, que goza de uma ajuda divina peculiar para realizar essa missão. Assim o manifestou o Senhor em Cesareia de Filipo: «Eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja» (Mt 16,18). Efetivamente, «só Pedro foi escolhido para ser posto à frente da vocação de todas as nações, de todos os Apóstolos e de todos os padres da Igreja» (São Leão Magno).
A Igreja beneficiou, desde o seu início, do ministério petrino, de modo que São Pedro e os seus sucessores presidiram a caridade, foram fonte de unidade e tiveram, muito especialmente, a missão de confirmar na verdade os seus irmãos.
Jesus, uma vez ressuscitado, confirmou esta missão a Simão Pedro. Ele, que já tinha chorado, profundamente arrependido, a sua tríplice negação de Jesus, faz agora uma tripla manifestação de amor: «Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que te amo» (Jo 21,17). Então o Apóstolo viu com alívio como Jesus não o desdisse e o confirmou, por três vezes, no ministério que antes lhe tinha anunciado: «Cuida das minhas ovelhas» (Jo 21,16.17).
Esta potestade não resulta de mérito próprio, como tão pouco o fora a declaração de fé de Simão em Cesareia: «Não foi carne e sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu» (Mt 16,17). Sim, trata-se de uma autoridade com potestade suprema, recebida para servir. É por isso que o Romano Pontífice, quando assina os seus escritos, o faz com o seguinte título honorífico: Servus servorum Dei.
Trata-se, portanto, de um poder para servir a causa da unidade, fundamentada sobre a verdade. Façamos o propósito de rezar pelo Sucessor de Pedro, de prestar delicada atenção às suas palavras e de agradecer a Deus esta grande dádiva.
D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)
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