....ah queria eu fazer como a samaritana que teve um encontro com Jesus e saiu correndo contar para todo mundo como era maravilhoso encontrar o Messias!!!!... ah como queria eu dizer para os casais, para as mães e os pais que Deus quis a família de um jeito tão lindo que se fossemos obedientes e vivessemos em intimidade com Deus, nos santificaríamos e santificaríamos nossos conjuges e filhos todos os dias dentro de nossas casas...ah como eu gostaria de dizer que mesmo sendo nós limitados e pequenos, estando em intimidade como Deus podemos ser usados como instrumentos para ajudar as pessoas ao nosso redor ....mostrando aonde está a verdade, que é única e imutável...fica aqui uma tentativa...não sem esperança, mas com fé....que através da escrita....as palavras sejam vista como carinho que vem do alto....como instrumento divino para nossa santificação...
segunda-feira, 31 de março de 2014
Tema 12: Catequese e família
Tema 12: Catequese e família
1. A catequese pergunta: E a família como vai?
“À medida que a família cristã acolhe o Evangelho e amadurece na fé,
torna-se comunidade evangelizadora.” (João Paulo II)
Chamada a ser o Santuário da Vida e o lugar privilegiado para experimentar o amor, a
família hoje vive as ameaças da sociedade influenciada pelo consumismo, relativismo, ateísmo,
individualismo, utilitarismo, subjetivismo e hedonismo (culto ao prazer).
O mundo hoje é plural, mas também fragmentado. As ciências e as tecnologias se
desenvolveram tanto que acabam passam por cima dos princípios da ética e da religião. E quem
acaba sofrendo os impactos da sociedade pós-moderna é a família, por vezes mergulhada num
horizonte cheio de dramas. As pressões do mundo globalizado são tantas que às vezes a família fica
num beco sem saída.
Quais as dificuldades que passam as nossas famílias? O que influencia as famílias hoje?
Olhando para a realidade atual, verificamos diversas realidades. Entre elas, vale mencionar:
• Falta de uma espiritualidade conjugal mais profunda de diálogo e de comunhão.
• Ausência dos pais na educação de seus filhos.
• Meios de comunicação assumindo a rédea da educação dos filhos.
• Influência da “ditadura do relativismo” gerando uma ética da situação.
• O culto ao corpo e a busca do prazer pelo prazer, banalizando a sacralidade do ato
conjugal.
• Valores familiares como o amor, fidelidade e respeito sendo relativizados.
• Aumento de relacionamentos instáveis. Nas primeiras dificuldades, casais optam por
trocar os parceiros.
• Número crescente de divórcios.
• Direito à liberdade colocado acima do direito inviolável à vida, incentivando assim a
prática do aborto.
• Instauração de uma mentalidade contraceptiva.
Uma historinha nos ajuda a refletir:
Uma catequista pediu aos catequizandos que elaborassem um texto sobre o que gostariam
que Deus fizesse por eles. Quando terminou o encontro de catequese, ela chegou em casa e
começou a ler as mensagens. Uma mensagem a deixou profundamente emocionada e intrigada. Seu
esposo ao chegar, viu-a a chorar e perguntou: O que é que aconteceu? Ela respondeu: Leia você
mesmo. O texto era uma oração e dizia assim: "Senhor, eesta noite peço-te algo especial:
transforma-me numa televisão. Quero ocupar o lugar dela. Viver como vive a TV da minha casa.
Ter um lugar especial para mim, e reunir a minha família à volta... Ser levado a sério quando
falo... Quero ser o centro das atenções e ser escutado sem interrupções nem perguntas. Quero
receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona. E ter a companhia do
meu pai quando ele chega a casa, mesmo quando está cansado. E que a minha mãe me procure
quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de me ignorar... E ainda, que os meus irmãos fiquem
discutindo para estar comigo... Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado, de vez em
quando, para passar alguns momentos comigo. E, por fim, faz com que eu possa diverti-los a todos.
Senhor, não te peço muito... Só quero viver o que vive qualquer televisão".
Naquele momento, o marido de Ana Maria disse: Meu Deus, pobrezinho deste menino! Que
pais ele tem? E ela olhou-o e respondeu: Esta mensagem que o nosso filho escreveu.
2. Luzes e esperanças para a família do século XXI
Nem tudo são só espinhos e sombras. Temos presente em nossa realidade familiar luzes que
nos dão muitas esperanças:
9 Cresceu a consciência da liberdade pessoal e maior atenção à qualidade das relações
interpessoais no matrimônio.
9 A promoção da dignidade da mulher.
9 Maior atenção na educação dos filhos no exercício da paternidade e maternidade
responsável.
9 Maior união da família nas relações de ajuda, nos momentos de necessidade.
9 Descoberta da importância da família e sua missão na Igreja e na sociedade.
Tanto a família quanto a catequese tem uma missão em comum: educar para o Amor,
transmitindo valores humanos e cristãos. Diante das ameaças do mundo capitalista, é preciso não
perder a esperança e abrir-se ao diálogo, revendo nossos métodos para educar os filhos no lar.
O Papa Paulo VI, em seu documento Evangelização no mundo contemporâneo (n. 71)
oferece uma catequese ao tratar sobre a família como centro de irradiação do Evangelho. Vamos
refletir alguns aspectos importantes para a família na educação da fé:
No conjunto daquilo que é o apostolado evangelizador dos leigos, não se pode deixar de pôr
em realce a ação evangelizadora da família. Nos diversos momentos da história da Igreja,
ela mereceu bem a bela designação aprovada pelo II Concílio do Vaticano: ‘Igreja
doméstica’. Isso quer dizer que, em cada família cristã, deveriam encontrar-se os diversos
aspectos da Igreja inteira. Por outras palavras, a família, como a Igreja, tem por dever ser um
espaço onde o Evangelho é transmitido e donde o Evangelho irradia.
No seio de uma família que tem consciência desta missão, todos os membros da mesma
família evangelizam e são evangelizados. Os pais, não somente comunicam aos filhos o
Evangelho, mas podem receber deles o mesmo Evangelho profundamente vivido. E ‘uma
família assim torna-se evangelizadora de muitas outras famílias e do meio ambiente em que
ela se insere’.
A futura evangelização depende em grande parte da Igreja doméstica. Esta missão
apostólica da família tem as suas raízes no batismo e recebe da graça sacramental do
matrimônio uma nova força para transmitir a fé, para santificar e transformar a sociedade
atual segundo o desígnio de Deus.
A família cristã, sobretudo hoje, tem uma especial vocação para ser testemunha da aliança
pascal de Cristo, mediante a irradiação constante da alegria do amor e da certeza da
esperança, da qual deve tornar-se reflexo: ‘A família cristã proclama em alta voz as virtudes
presentes do Reino de Deus e a esperança na vida bem-aventurada.’
O mistério de evangelização dos pais cristãos é original e insubstituível: assume as
conotações típicas da vida familiar, entrelaçada como deveria ser com o amor, com a
simplicidade, com o sentido do concreto e com o testemunho do quotidiano.
A família deve formar os filhos para a vida, de modo que cada um realize plenamente o seu
dever segundo a vocação recebida de Deus. De fato, a família que está aberta aos valores do
transcendente, que serve os irmãos na alegria, que realiza com generosa fidelidade os seus
deveres e tem consciência da sua participação cotidiana no mistério da Cruz gloriosa deCristo, torna-se o primeiro e o melhor seminário da vocação à vida consagrada ao Reino de
Deus.
O Documento da Conferência de Santo Domingo (cf. n. 214) apresenta a identidade e a
missão da família através de quatro aspectos:
a) A missão da família é viver, crescer e aperfeiçoar-se como comunidade de pessoas
chamadas a testemunhar a unidade por toda a vida (valor unitivo).
b) Ser santuário da vida, serva da vida, conservando o direito à vida como a base de todos os
direitos humanos (valor procriativo). Nela deve-se transmitir e educar para os valores
autenticamente humanos e cristãos.
c) Ser ‘célula primeira e vital da sociedade’. Por natureza e vocação, a família deve ser
promotora do desenvolvimento, protagonista de uma nova cultura que valorize a família.
d) Ser ‘Igreja doméstica’ que acolhe, vive, celebra e anuncia a Palavra de Deus. Lugar
privilegiado para a “fazer catequese”, aprofundando e dando razões para a fé, na vivência do
discipulado de Jesus.
A Conferência de Santo Domingo propôs como uma das linhas pastorais para a família:
“Fortalecer a vida da Igreja e da sociedade a partir da família: enriquecê-la a partir da catequese
familiar, a oração no lar, a Eucaristia, a participação no Sacramento da Reconciliação, o
conhecimento da Palavra de Deus, para ser fermento na Igreja e na sociedade.” (Santo Domingo, n.
225).
A Família é o melhor espaço para formar e orientar os filhos rumo a uma vida
verdadeiramente humana, cristã e feliz.
Quanto maior for a nossa formação humana e cristã, melhores condições temos para
transmitir às nossas crianças e adolescentes o interesse pela descoberta das riquezas da fé. E o gosto
de, juntos saborearmos as maravilhas do amor de Deus para connosco, e de Lhe correspondermos
com o nosso amor filial.
A família encontra hoje não poucos obstáculos, sobretudo neste “momento histórico em que
ela é vítima de muitas forças que buscam destruí-la ou deformá-la” (Santo Domingo, n. 210). Deste
modo, a catequese precisa conhecer algumas pistas de ação para ajudar a família a encontrar a sua
missão:
a) Conhecer as diversas situações e a realidade de cada catequizando.
b) Conscientizar as famílias para participação mais ativa na Igreja, como incentivo e
testemunho para os seus filhos que estão caminhando na catequese.
c) Por meio de ações conjuntas com a Pastoral Familiar, oferecer esclarecimentos e
possibilidades de regularização às famílias em situações irregulares (especialmente aos
amasiados que não têm impedimentos para casar na Igreja).
d) Não discriminar as famílias e crianças e não abandoná-las por motivo algum. Acolher a
todos, sem distinção, independentemente de suas opções.
e) Oferecer às famílias em dificuldades apoio e orientação, no diálogo.
f) Aos casais separados, prestar apoio e acolhida, com especial atenção aos seus filhos.
g) Distinguir entre o mal e a pessoa. No dizer do papa Paulo VI: “Jesus foi intransigente para
com o mal, porém misericordioso para com as pessoas”.
h) Distinguir com perspicácia as famílias que procuram a Igreja não muito bem intencionada,
querendo dar um jeitinho para receber os sacramentos sem a devida preparação.
i) As situações delicadas que aparecem na catequese, levar ao conhecimento do padre para
descobrirem juntos as possíveis soluções. Depois de averiguar os casos, dar os
encaminhamentos necessários, baseando sempre na verdade e na caridade
A família continua sendo muito importante para os planos de Deus. Ela é uma instituição
divina, sonhada por Deus e fruto da sua benigna vontade. Ela não pode ficar desacreditada. Ela é
dom de Deus, por isso merece todo o nosso empenho e todo o nosso amor. Se a catequese não zela
pela família, como vai cuidar pastoralmente dos seus catequizandos? E se as famílias não se
interessam pela catequese, que futuro poderão dar a seus filhos no caminho da justiça e da fé?
O papa João Paulo II, na encíclica Familiaris Consortio, dirige algumas palavras
significativas que servem de horizonte para a missão da catequese: “Amar a família significa saber
estimar os seus valores e possibilidades, promovendo-os sempre. Amar a família significa descobrir
os perigos e males que a ameaçam, para poder superá-los. Amar a família significa empenhar-se em
criar um ambiente favorável ao seu desenvolvimento, e por fim, forma eminente de amor à família
cristã, de hoje, muitas vezes tomada por desconfortos e angustiada por crescentes dificuldades, é
dar-lhe novamente razões de confiança em si mesma, nas riquezas próprias que lhe advém da
natureza e da graça na missão que Deus lhe confiou”.
3. A família é o berço da fé: Dois fatos que nos fazem pensar
Há um provérbio chinês que dizia: “Quem embala um berço, está embalando o futuro do
mundo”. Quem cultiva a educação cristã de uma criança, desde o seu berço, desde sua infância, está
promovendo a formação dos homens e mulheres que irão renovar o mundo.
Havia uma família de cristãos que vivia na Polônia e procurava educar seus dois filhos na fé.
Numa situação, a mãe morreu prematuramente e o pai ficou com a responsabilidade de criar e
educar na fé os filhos, sobretudo o mais novo, após a morte do filho mais velho.
O berço da educação religiosa para o filho foi decisivo, pois mais tarde este menino se
tornou papa da Igreja, João Paulo II. Graças às orientações que embalaram o berço da sua fé, ele
pode mais tarde embalar o mundo inteiro com palavras de paz.
Na Albânia, dominada por um consumismo cruel, um lar corajoso conservou a fé e embalou
de modo cristão o berço da pequenina Agnes. Sua educação religiosa foi tão bela, que esta menina,
agora já adulta, foi para um grande país, a Índia e revelou pelo exemplo e testemunho, a beleza da
fé cristã e do seguimento de Jesus, como caminho verdade e vida.
Seu trabalho foi respeitado no mundo inteiro e o seu nome ficou gravado como o grande
nome da solidariedade cristã, Madre Tereza de Calcutá. Ela catequizou o mundo inteiro para a
prática da caridade e para a promoção da paz no mundo.
A família perde em qualidade quando não conta com a valiosa ajuda da catequese na
educação da fé de crianças, jovens e adultos. E a catequese não pode realizar um trabalho fecundo
se não contar com o apoio e a atenção da família. Hoje, verifica-se na realidade pastoral da Igreja
que é praticamente impossível imaginar uma catequese com jovens, adolescentes e crianças sem um
trabalho específico com os pais. Para ampliar a presença da catequese nas famílias, é preciso, então,
envolver a família através de reuniões, celebrações e confraternizações, visitas às famílias,
encontros nas casas dos catequizandos e outras iniciativas que possam colaborar no cultivo de
valores e da responsabilidade da família na iniciação cristã de seus filhos.
Como salienta o Catecismo da Igreja Católica ( cf. CIC 2221 ): “É urgentíssimo ajudar a
família a a recuperar a beleza original da sua vocação matrimonial, querida por Deus. Pois, o papel
dos pais na educação é tão importante que é quase impossível substituí-los. O direito e o dever da
educação são primordiais e inalienáveis para os pais”.
A fé não começa na catequese, mas na família:
Certa vez uma senhora foi reclamar ao padre sobre o catequista de seu filho, alegando que
não havia ensinado ao seu filho a rezar o pai-nosso na catequese. O padre retrucou-lhe dizendo
que isto não era obrigação do catequista, mas da família. E acrescentou: “Minha filha, não é só
educação que vem do berço. A fé também!”.
Muitos acham que a catequese é só para os sacramentos. Esta visão é muito reducionista.
Também não se pode divorciar a catequese dos sacramentos. A catequese está profundamente
ligada à ação litúrgica e sacramental da Igreja. Contudo, a celebração dos sacramentos sem uma
preparação séria (Catequese), não tem sentido algum. Sem a catequese os sacramentos se reduzem a
um mero ritualismo, o qual não será capaz de nos transformar, dar vida e felicidade e fazer de nós
autênticos cristãos.
Vejamos o que sugere o quadro abaixo em relação às dimensões da vida cristã:
Família:
• A catequese acompanha a nossa vida em todos os seus estágios.
• Os pais são os primeiros catequistas.
• Importância da família na catequese:
a) Família – Santuário da Vida.
b) Família – Berço da Fé.
c) Família – Igreja Doméstica.
d) Família – Célula da Sociedade.
• É importante para a família:
1) O testemunho dos pais (participação na comunidade de fé).
2) A vida de oração na família.
3) Compreender as fases e o processo de desenvolvimento da fé.
4) O diálogo e transparência. 5) A liberdade e responsabilidade.
6) Exercitar a paciência.
7) Buscar parcerias (Igreja – comunidade – sociedade).
1. A catequese pergunta: E a família como vai?
“À medida que a família cristã acolhe o Evangelho e amadurece na fé,
torna-se comunidade evangelizadora.” (João Paulo II)
Chamada a ser o Santuário da Vida e o lugar privilegiado para experimentar o amor, a
família hoje vive as ameaças da sociedade influenciada pelo consumismo, relativismo, ateísmo,
individualismo, utilitarismo, subjetivismo e hedonismo (culto ao prazer).
O mundo hoje é plural, mas também fragmentado. As ciências e as tecnologias se
desenvolveram tanto que acabam passam por cima dos princípios da ética e da religião. E quem
acaba sofrendo os impactos da sociedade pós-moderna é a família, por vezes mergulhada num
horizonte cheio de dramas. As pressões do mundo globalizado são tantas que às vezes a família fica
num beco sem saída.
Quais as dificuldades que passam as nossas famílias? O que influencia as famílias hoje?
Olhando para a realidade atual, verificamos diversas realidades. Entre elas, vale mencionar:
• Falta de uma espiritualidade conjugal mais profunda de diálogo e de comunhão.
• Ausência dos pais na educação de seus filhos.
• Meios de comunicação assumindo a rédea da educação dos filhos.
• Influência da “ditadura do relativismo” gerando uma ética da situação.
• O culto ao corpo e a busca do prazer pelo prazer, banalizando a sacralidade do ato
conjugal.
• Valores familiares como o amor, fidelidade e respeito sendo relativizados.
• Aumento de relacionamentos instáveis. Nas primeiras dificuldades, casais optam por
trocar os parceiros.
• Número crescente de divórcios.
• Direito à liberdade colocado acima do direito inviolável à vida, incentivando assim a
prática do aborto.
• Instauração de uma mentalidade contraceptiva.
Uma historinha nos ajuda a refletir:
Uma catequista pediu aos catequizandos que elaborassem um texto sobre o que gostariam
que Deus fizesse por eles. Quando terminou o encontro de catequese, ela chegou em casa e
começou a ler as mensagens. Uma mensagem a deixou profundamente emocionada e intrigada. Seu
esposo ao chegar, viu-a a chorar e perguntou: O que é que aconteceu? Ela respondeu: Leia você
mesmo. O texto era uma oração e dizia assim: "Senhor, eesta noite peço-te algo especial:
transforma-me numa televisão. Quero ocupar o lugar dela. Viver como vive a TV da minha casa.
Ter um lugar especial para mim, e reunir a minha família à volta... Ser levado a sério quando
falo... Quero ser o centro das atenções e ser escutado sem interrupções nem perguntas. Quero
receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona. E ter a companhia do
meu pai quando ele chega a casa, mesmo quando está cansado. E que a minha mãe me procure
quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de me ignorar... E ainda, que os meus irmãos fiquem
discutindo para estar comigo... Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado, de vez em
quando, para passar alguns momentos comigo. E, por fim, faz com que eu possa diverti-los a todos.
Senhor, não te peço muito... Só quero viver o que vive qualquer televisão".
Naquele momento, o marido de Ana Maria disse: Meu Deus, pobrezinho deste menino! Que
pais ele tem? E ela olhou-o e respondeu: Esta mensagem que o nosso filho escreveu.
2. Luzes e esperanças para a família do século XXI
Nem tudo são só espinhos e sombras. Temos presente em nossa realidade familiar luzes que
nos dão muitas esperanças:
9 Cresceu a consciência da liberdade pessoal e maior atenção à qualidade das relações
interpessoais no matrimônio.
9 A promoção da dignidade da mulher.
9 Maior atenção na educação dos filhos no exercício da paternidade e maternidade
responsável.
9 Maior união da família nas relações de ajuda, nos momentos de necessidade.
9 Descoberta da importância da família e sua missão na Igreja e na sociedade.
Tanto a família quanto a catequese tem uma missão em comum: educar para o Amor,
transmitindo valores humanos e cristãos. Diante das ameaças do mundo capitalista, é preciso não
perder a esperança e abrir-se ao diálogo, revendo nossos métodos para educar os filhos no lar.
O Papa Paulo VI, em seu documento Evangelização no mundo contemporâneo (n. 71)
oferece uma catequese ao tratar sobre a família como centro de irradiação do Evangelho. Vamos
refletir alguns aspectos importantes para a família na educação da fé:
No conjunto daquilo que é o apostolado evangelizador dos leigos, não se pode deixar de pôr
em realce a ação evangelizadora da família. Nos diversos momentos da história da Igreja,
ela mereceu bem a bela designação aprovada pelo II Concílio do Vaticano: ‘Igreja
doméstica’. Isso quer dizer que, em cada família cristã, deveriam encontrar-se os diversos
aspectos da Igreja inteira. Por outras palavras, a família, como a Igreja, tem por dever ser um
espaço onde o Evangelho é transmitido e donde o Evangelho irradia.
No seio de uma família que tem consciência desta missão, todos os membros da mesma
família evangelizam e são evangelizados. Os pais, não somente comunicam aos filhos o
Evangelho, mas podem receber deles o mesmo Evangelho profundamente vivido. E ‘uma
família assim torna-se evangelizadora de muitas outras famílias e do meio ambiente em que
ela se insere’.
A futura evangelização depende em grande parte da Igreja doméstica. Esta missão
apostólica da família tem as suas raízes no batismo e recebe da graça sacramental do
matrimônio uma nova força para transmitir a fé, para santificar e transformar a sociedade
atual segundo o desígnio de Deus.
A família cristã, sobretudo hoje, tem uma especial vocação para ser testemunha da aliança
pascal de Cristo, mediante a irradiação constante da alegria do amor e da certeza da
esperança, da qual deve tornar-se reflexo: ‘A família cristã proclama em alta voz as virtudes
presentes do Reino de Deus e a esperança na vida bem-aventurada.’
O mistério de evangelização dos pais cristãos é original e insubstituível: assume as
conotações típicas da vida familiar, entrelaçada como deveria ser com o amor, com a
simplicidade, com o sentido do concreto e com o testemunho do quotidiano.
A família deve formar os filhos para a vida, de modo que cada um realize plenamente o seu
dever segundo a vocação recebida de Deus. De fato, a família que está aberta aos valores do
transcendente, que serve os irmãos na alegria, que realiza com generosa fidelidade os seus
deveres e tem consciência da sua participação cotidiana no mistério da Cruz gloriosa deCristo, torna-se o primeiro e o melhor seminário da vocação à vida consagrada ao Reino de
Deus.
O Documento da Conferência de Santo Domingo (cf. n. 214) apresenta a identidade e a
missão da família através de quatro aspectos:
a) A missão da família é viver, crescer e aperfeiçoar-se como comunidade de pessoas
chamadas a testemunhar a unidade por toda a vida (valor unitivo).
b) Ser santuário da vida, serva da vida, conservando o direito à vida como a base de todos os
direitos humanos (valor procriativo). Nela deve-se transmitir e educar para os valores
autenticamente humanos e cristãos.
c) Ser ‘célula primeira e vital da sociedade’. Por natureza e vocação, a família deve ser
promotora do desenvolvimento, protagonista de uma nova cultura que valorize a família.
d) Ser ‘Igreja doméstica’ que acolhe, vive, celebra e anuncia a Palavra de Deus. Lugar
privilegiado para a “fazer catequese”, aprofundando e dando razões para a fé, na vivência do
discipulado de Jesus.
A Conferência de Santo Domingo propôs como uma das linhas pastorais para a família:
“Fortalecer a vida da Igreja e da sociedade a partir da família: enriquecê-la a partir da catequese
familiar, a oração no lar, a Eucaristia, a participação no Sacramento da Reconciliação, o
conhecimento da Palavra de Deus, para ser fermento na Igreja e na sociedade.” (Santo Domingo, n.
225).
A Família é o melhor espaço para formar e orientar os filhos rumo a uma vida
verdadeiramente humana, cristã e feliz.
Quanto maior for a nossa formação humana e cristã, melhores condições temos para
transmitir às nossas crianças e adolescentes o interesse pela descoberta das riquezas da fé. E o gosto
de, juntos saborearmos as maravilhas do amor de Deus para connosco, e de Lhe correspondermos
com o nosso amor filial.
A família encontra hoje não poucos obstáculos, sobretudo neste “momento histórico em que
ela é vítima de muitas forças que buscam destruí-la ou deformá-la” (Santo Domingo, n. 210). Deste
modo, a catequese precisa conhecer algumas pistas de ação para ajudar a família a encontrar a sua
missão:
a) Conhecer as diversas situações e a realidade de cada catequizando.
b) Conscientizar as famílias para participação mais ativa na Igreja, como incentivo e
testemunho para os seus filhos que estão caminhando na catequese.
c) Por meio de ações conjuntas com a Pastoral Familiar, oferecer esclarecimentos e
possibilidades de regularização às famílias em situações irregulares (especialmente aos
amasiados que não têm impedimentos para casar na Igreja).
d) Não discriminar as famílias e crianças e não abandoná-las por motivo algum. Acolher a
todos, sem distinção, independentemente de suas opções.
e) Oferecer às famílias em dificuldades apoio e orientação, no diálogo.
f) Aos casais separados, prestar apoio e acolhida, com especial atenção aos seus filhos.
g) Distinguir entre o mal e a pessoa. No dizer do papa Paulo VI: “Jesus foi intransigente para
com o mal, porém misericordioso para com as pessoas”.
h) Distinguir com perspicácia as famílias que procuram a Igreja não muito bem intencionada,
querendo dar um jeitinho para receber os sacramentos sem a devida preparação.
i) As situações delicadas que aparecem na catequese, levar ao conhecimento do padre para
descobrirem juntos as possíveis soluções. Depois de averiguar os casos, dar os
encaminhamentos necessários, baseando sempre na verdade e na caridade
A família continua sendo muito importante para os planos de Deus. Ela é uma instituição
divina, sonhada por Deus e fruto da sua benigna vontade. Ela não pode ficar desacreditada. Ela é
dom de Deus, por isso merece todo o nosso empenho e todo o nosso amor. Se a catequese não zela
pela família, como vai cuidar pastoralmente dos seus catequizandos? E se as famílias não se
interessam pela catequese, que futuro poderão dar a seus filhos no caminho da justiça e da fé?
O papa João Paulo II, na encíclica Familiaris Consortio, dirige algumas palavras
significativas que servem de horizonte para a missão da catequese: “Amar a família significa saber
estimar os seus valores e possibilidades, promovendo-os sempre. Amar a família significa descobrir
os perigos e males que a ameaçam, para poder superá-los. Amar a família significa empenhar-se em
criar um ambiente favorável ao seu desenvolvimento, e por fim, forma eminente de amor à família
cristã, de hoje, muitas vezes tomada por desconfortos e angustiada por crescentes dificuldades, é
dar-lhe novamente razões de confiança em si mesma, nas riquezas próprias que lhe advém da
natureza e da graça na missão que Deus lhe confiou”.
A parábola familiar do Bom Samaritano
Conta-se que uma família ia descendo de Jerusalém a Jericó, caminhando pelas estradas da
história. De repente, uma quadrilha de inimigos, chamada de “tempos modernos”, a atacou no
caminho e foi roubando todos os seus bens, a saber: a fé, a unidade, a fecundidade, a
indissolubilidade, o diálogo familiar e, por último, a santidade. Em seguida, fugiram travestidos
com novas roupas de modernidade.
Aconteceu que, pela estrada da história, passou um psicólogo, representante de uma das
escolas psicológicas, viu a família caída no chão e sentenciou? ‘Não disse? A família não quer
aceitar a teoria da liberdade sexual total e é uma grande desmancha-prazer dos filhos e castradora
dos seus desejos de felicidade. Então só poderia acabar assim, rejeitada. E seguiu adiante.
Em seguida, passou um sociólogo, que também representava certas teorias modernas, viu a
família prostrada e também a acusou: ‘Faz tempo que, atrás de minhas pesquisas, eu achava que a
família fosse uma instituição falida e que deveria acabar. Precisamos viver a era do amar livre’.
Dito isto, passou adiante.
Veio depois a Catequese, a Boa Samaritana, viu a família machucada, perdendo muito
sangue e recordando as atitudes de Jesus, teve pena e compaixão, inclinou-se sobre ela, tomou-a em
seus braços e levou-a para seu a hospedaria que se chama Comunidade Cristã, a fim de que fosse
tratada e recuperada.
(Extraída da Revista de Catequese, p. 48, n. 121, Janeiro/2008, com adaptações).
Há um provérbio chinês que dizia: “Quem embala um berço, está embalando o futuro do
mundo”. Quem cultiva a educação cristã de uma criança, desde o seu berço, desde sua infância, está
promovendo a formação dos homens e mulheres que irão renovar o mundo.
Havia uma família de cristãos que vivia na Polônia e procurava educar seus dois filhos na fé.
Numa situação, a mãe morreu prematuramente e o pai ficou com a responsabilidade de criar e
educar na fé os filhos, sobretudo o mais novo, após a morte do filho mais velho.
O berço da educação religiosa para o filho foi decisivo, pois mais tarde este menino se
tornou papa da Igreja, João Paulo II. Graças às orientações que embalaram o berço da sua fé, ele
pode mais tarde embalar o mundo inteiro com palavras de paz.
Na Albânia, dominada por um consumismo cruel, um lar corajoso conservou a fé e embalou
de modo cristão o berço da pequenina Agnes. Sua educação religiosa foi tão bela, que esta menina,
agora já adulta, foi para um grande país, a Índia e revelou pelo exemplo e testemunho, a beleza da
fé cristã e do seguimento de Jesus, como caminho verdade e vida.
Seu trabalho foi respeitado no mundo inteiro e o seu nome ficou gravado como o grande
nome da solidariedade cristã, Madre Tereza de Calcutá. Ela catequizou o mundo inteiro para a
prática da caridade e para a promoção da paz no mundo.
A família perde em qualidade quando não conta com a valiosa ajuda da catequese na
educação da fé de crianças, jovens e adultos. E a catequese não pode realizar um trabalho fecundo
se não contar com o apoio e a atenção da família. Hoje, verifica-se na realidade pastoral da Igreja
que é praticamente impossível imaginar uma catequese com jovens, adolescentes e crianças sem um
trabalho específico com os pais. Para ampliar a presença da catequese nas famílias, é preciso, então,
envolver a família através de reuniões, celebrações e confraternizações, visitas às famílias,
encontros nas casas dos catequizandos e outras iniciativas que possam colaborar no cultivo de
valores e da responsabilidade da família na iniciação cristã de seus filhos.
Como salienta o Catecismo da Igreja Católica ( cf. CIC 2221 ): “É urgentíssimo ajudar a
família a a recuperar a beleza original da sua vocação matrimonial, querida por Deus. Pois, o papel
dos pais na educação é tão importante que é quase impossível substituí-los. O direito e o dever da
educação são primordiais e inalienáveis para os pais”.
A fé não começa na catequese, mas na família:
Certa vez uma senhora foi reclamar ao padre sobre o catequista de seu filho, alegando que
não havia ensinado ao seu filho a rezar o pai-nosso na catequese. O padre retrucou-lhe dizendo
que isto não era obrigação do catequista, mas da família. E acrescentou: “Minha filha, não é só
educação que vem do berço. A fé também!”.
Muitos acham que a catequese é só para os sacramentos. Esta visão é muito reducionista.
Também não se pode divorciar a catequese dos sacramentos. A catequese está profundamente
ligada à ação litúrgica e sacramental da Igreja. Contudo, a celebração dos sacramentos sem uma
preparação séria (Catequese), não tem sentido algum. Sem a catequese os sacramentos se reduzem a
um mero ritualismo, o qual não será capaz de nos transformar, dar vida e felicidade e fazer de nós
autênticos cristãos.
Vejamos o que sugere o quadro abaixo em relação às dimensões da vida cristã:
Família:
• A catequese acompanha a nossa vida em todos os seus estágios.
• Os pais são os primeiros catequistas.
• Importância da família na catequese:
a) Família – Santuário da Vida.
b) Família – Berço da Fé.
c) Família – Igreja Doméstica.
d) Família – Célula da Sociedade.
• É importante para a família:
1) O testemunho dos pais (participação na comunidade de fé).
2) A vida de oração na família.
3) Compreender as fases e o processo de desenvolvimento da fé.
4) O diálogo e transparência. 5) A liberdade e responsabilidade.
6) Exercitar a paciência.
7) Buscar parcerias (Igreja – comunidade – sociedade).
Os Dez mandamentos da família para a Catequese:
1. Não fecheis o coração! Não vos bastais a vós próprios na educação da fé, mesmo que sejais
os primeiros catequistas dos vossos filhos. Os catequistas são vossos colaboradores na
educação da fé, mas não substitutos.
2. Amai a Catequese! A Catequese não é um "ensino" avulso e desorganizado. É processo de
educação da fé, feita de modo ordenado e sistemático. É itinerário para amadurecer na vida
cristã e caminho para o discipulado. Velai pela assiduidade dos vossos filhos e pelo seu
acompanhamento, num estreito diálogo com os catequistas e com a comunidade de fé.
3. Não exijais dos vossos filhos o que não sois capazes de fazer. Não exijais dos vossos
filhos, o que não sois capazes de dar. Exigir do outro o que não se tem pra oferecer é negar a
si mesmo enquanto sujeito de fé.
4. Não queira transformar a catequese em curso para que vossos filhos "saibam muitas
coisas"! Mas alegrai-vos sempre, ao verificardes que eles saboreiam a alegria de serem
cristãos, e vão descobrindo, com outros cristãos, a pessoa de Jesus, o Amigo por excelência,
que convida a seguir os seus passos no anúncio/testemunho da sua Palavra.
5. Demonstrem amor e cuidado pela família! A primeira forma de catequese acontece sem
palavras e sermões, no respeito à dignidade de cada membro da família. O amor exige
cuidado, como diz o poeta: “Quem ama cuida”.
6. Vivei a comunhão na família e na Igreja! Não sois uma ilha nem uma ostra. Sem diálogo
não há espaço para a fé se desenvolver. Sem a sociedade não podereis progredir e sem a
Igreja não podereis iluminar o mundo.
7. Sede discípulos e não expectadores! Não espereis que a Catequese faça de vós e vossos
filhos bons alunos ou expectadores. Ao contrário, procurai que ela vos ajude a formar
discípulos de Jesus, que O seguem, em comunidade.
8. Saiba testemunhar a fé na participação da comunidade e no sacramento da Eucaristia.
Procurai pensar e viver de acordo com os valores do Evangelho. Sabeis bem que o
testemunho é a primeira forma de evangelização. Deste modo, os filhos aceitarão melhor a
proposta dos vossos ideais e valores.
9. Procurem aprofundar a fé e ter um gosto pelo conhecimentos das coisas de Deus!
Como diz o célebre ditado bíblico: “Um cego não pode guiar outro cego”. Quem não é
esclarecido na fé não pode orientar os outros a viver o compromisso cristão. Nem tem o
direito de manipular a fé segundo a sua ignorância. Também não cedais à tentação de achar
que se pode "mandar" os filhos à Catequese, para vos verdes livres deles ou para fugirdes
das vossas responsabilidades.
10. Orai e celebrai a vida em família! Rezar e celebrar com toda a família, de modo a que a
vossa fé seja vivida em comum na pequena Igreja que é a família, se exprima na grande
família que é a Igreja e transforme a diversificada família humana que integra a sociedade.
5 dicas: Não acabe com seu casamento Rafael Vitola Brodbeck
O casamento é uma instituição fundada por Deus, encontrada, antes mesmo de qualquer Revelação divina, na própria natureza do homem. Para o Povo de Deus, em sua preparação rumo a Cristo,
5 dicas: Não acabe com seu casamento
foi sinal da Aliança entre o Senhor e Israel. Em Cristo, ele é elevado à condição de sacramento, ou seja, dele decorrem graças suficientes para a vida em comum e para cumprir os deveres próprios de tal estado, como também a graça santificante. O Matrimônio cristão não é apenas abençoado: ele é fonte de bênção, ele nos leva para o céu, ele nos dá a graça conquistada por Jesus no madeiro.
Destruir esse plano de Deus em nossas vidas tem se tornado fácil nos dias de hoje. O combate à família tem se intensificado pela promoção do aborto, das uniões livres, da legalização dos pares homossexuais, pela facilitação de dissolução do vínculo civil mediante o divórcio, pelos pais interessados apenas nos ganhos materiais e pelas mães ausentes do lar. Satanás usa disso para semear a confusão e levar almas e famílias ao inferno. Junto dele, estão nossa tendência própria ao mal, herança do pecado original, e o mundo, com suas influências anticristãs. Esse trio de inimigos de nossas almas - o diabo, a carne e o mundo - está sempre espreitando nossos lares para que, no primeiro descuido, nos arraste para a podridão do pecado e nos precipite ao lugar onde haverá choro e ranger de dentes.
E não é só a infelicidade eterna que lucramos quando deixamos as portas de nossos lares abertas ao mal. Também na terra somos subjugados pela tristeza e pela falta de sentido na vida quando nossa família fracasse em sua missão.
Para isso, temos de nos manter vigilantes. Como as virgens prudentes da parábola contada por Nosso Senhor, estando atentos e preparados para as visitas de Jesus, e obedecendo ao mandamento de vigiar e orar para não cairmos em tentação, enfraquecemos as armadilhas do demônio e desfazemos os laços que ele arma contra nossas Igrejas domésticas.
Alguns conselhos práticos podem servir para, no nível humano e no espiritual, fortalecermos a nossa vida de casal e correspondermos à graça que nos chega mediante o sacramento do Matrimônio.
1. Reze com seu cônjuge. E também PELO seu cônjuge
Sim, a oração pessoal, individual, é fundamental para uma vida cristã sadia e plena na presença do Senhor. Também a oração com toda a família reunida é importante.
Mas não basta! É preciso que marido e mulher se juntem em alguns momentos para orar apenas os dois, buscando a face de Deus. Como alicerces da família, é sob sua autoridade espiritual que estão os filhos. Nesses momentos de oração em casal, os esposos adorarão a Deus, O louvarão pelas Suas bênçãos concedidas, pedirão perdão pelas suas faltas, e suplicarão pelos filhos e também por si mesmos. Marido e mulher rezam juntos um pelo outro, agradecem a graça matrimonial e suplicam forças e coragem para corresponder a essa graça e dar testemunho de uma vida fundamentada em Cristo. Aprenderão, na escola da oração, a rezar também um pelo outro - o que poderão e deverão fazer também em suas iniciativas individuais de oração pessoal.
2. Dialogue frequentemente e não guarde segredos
Essa é uma regra até batida. Tornou-se clichê de tanto que é recomendada tal prática. Ocorre que ela parece entrar em nossa mente e não passar para a ação. Conhecemos bem isso na teoria e pouco fazemos a partir disso.
Expor ao cônjuge seus sentimentos, suas angústias, suas alegrias, suas conquistas, suas frustrações e também suas expectativas e mágoas, é vital para um relacionamento sadio. Ao se comprometerem diante do altar, dando-se em Matrimônio, marido e mulher tornam-se uma só carne. Não são mais dois, e sim um só. E não escondemos nada de nós mesmos.
A vida em comum necessita de total compartilhamento.
3. Respeite o espaço do outro
Embora sejam um só e precisem ser sempre abertos um ao outro, em alguns momentos o silêncio reflexivo ou desestressante se faz necessário. Uma atividade de lazer, um hobby, ou simplesmente ficar quieto em um canto, lendo um livro, assistindo um programa de TV, é útil para a "desintoxicação" emocional das pessoas. E o cônjuge deve respeitar isso.
O marido e a mulher se tornam um só misticamente, mas não deixam de ser quem são, com suas individualidades, seus gostos e seus temperamentos.
Evidentemente, esse espaço próprio não pode ser invocado como desculpa para se alienar do restante da família ou para manifestar prazeres egoístas.
4. Mantenha o foco nos mesmos objetivos
"Do mesmo modo vós, ó maridos, comportai-vos sabiamente no vosso convívio com as vossas mulheres (...)." (I Pe 3,7)São Pedro diz que os maridos convivem com suas mulheres, ou seja que partilham uma vida em comum. Essa vida deve ser plena, até mesmo nos objetivos do casal.
Se a família é uma equipe, tendo que alcançar um objetivo em comum, o casal, como líder dessa equipe, precisa se manter focado para que se atinja o melhor resultado. Marido, mulher e filhos, como seres individuais, podem ter seus objetivos pessoais próprios. Isso não só é lícito, como recomendável, dado que somos seres únicos, criados por Deus com uma missão igualmente única. Sem embargo, ao lado das metas individuais, precisamos manter e criar gols para a família como um todo, focar nos mesmos. Os esposos são os responsáveis por direcionar toda a família para esse resultado e devem constantemente vigiar para não fugir da estratégia e das táticas previamente convencionadas.
Ter objetivos em comum e lutar para os alcançar é uma grande tarefa que une o casal.
5. Honre seu cônjuge
Honrar o cônjuge é respeitá-lo pelo que ele é, por sua pessoa, pelo que Deus o chama a ser, e pela posição na família. O marido honra a sua esposa quando a protege e cumpre com seus deveres maritais. A mulher honra seu esposo quando lhe é submissa e conhece o seu papel no lar.
A honra ao cônjuge importa em louvá-lo pelas suas boas ações, não permitir que se fale mal dele e mesmo não o criticar para outra pessoa.
O marido que honra sua mulher a ouve e se sacrifica por ela. A mulher que honra o seu marido demonstra sua confiança inabalável em sua liderança.
Nós, católicos, podemos entender bem o conceito de honra quando sabemos que tipo de culto prestamos aos santos, diferente daquele prestado a Deus. Cultuamos os santos, nossos heróis na fé, com respeito e veneração. E aqui reside a honra que lhes damos. Reconhecemos que os que nos precederam no caminho de Cristo merecem o nosso louvor e gratidão e procuramos imitar suas virtudes, pois sabemos que estão acima dos demais cristãos no exercício heróico da fé.
Honrar o seu cônjuge significa estimá-lo de modo especial, tratá-lo diferentemente e melhor do que aos outros, considerá-lo como alguém de muita e mais importância do que os demais.
Quando honramos um santo em uma sua imagem, por exemplo, cuidamos dela, a colocamos em local de destaque em nossa casa ou na igreja, tomamos todas as precauções para que não se quebre, ficamos diante dela para admirá-la, e vemos no santo e em sua imagem um reflexo de Deus. Com os esposos é a mesma coisa. Honra o marido sua mulher e a esposa o seu esposo quando se tratam desse modo.
Nós temos intimidade física e sexual só com nossos cônjuges. Estamos unidos a eles de modo santo por um sacramento. Temos por ele a missão de cuidar dos filhos que Deus nos dá. Só isso é motivo mais do que suficiente para honrarmos nosso companheiro de jornada nesta aventura de criar e manter uma família santa.
A honra do marido à mulher implica em consequências como evitar qualquer impureza com ela, e, mais ainda, sem ela. Não ter olhares maliciosos para outras mulheres, fugir das más companhias e não dar causa a ocasiões de perigo para a castidade, fomentando um possível adultério. A pornografia e a devassidão são desonras profundas, e isso vale para marido e mulher.
Também vale para ambos a prática de respeitar a opinião do cônjuge e nunca o expor na frente de estranhos ou contrariar o outro diante dos filhos. Aqui em casa temos como lema nesse ponto que quando um mata o outro enforca. Se há alguma discordância, honramos um ao outro manifestando-a em privado.
Colocar os interesses individuais - mesmo um telejornal ou um momento de lazer pessoal - acima do cuidado com o outro também é desonra. Deixar de pedir perdão quando se está errado e não valorizar os sentimentos e opinião do cônjuge também.
Por vezes, o cônjuge tem uma conduta que é digna de reprovação e pode ser difícil honrá-lo. O mandamento divino, todavia, não é condicional. Honra-se o cônjuge por ser cônjuge, e não por ser bom, santo ou moralmente irrepreensível. Até mesmo em uma necessária separação de corpos, em casos graves, subsistindo o Matrimônio, o cônjuge rebelde e mau deve receber a honra do outro, o que implica em rezar por ele, não lhe desejar mal e saber que o vínculo foi selado por Deus mediante a Santa Igreja. Amamos o outro não com sentimentos apenas, mas com decisão. Aqueles podem ir embora, mas a decisão firmemente calcada na vontade bem formada permanece. Amamos o outro, mesmo quando nos custa, por causa de Deus e como consequência do amor a Deus.
Deus é Família
Erguei as mãos pedindo a Deus a proteção, a união pela família.
Erguei as mãos pedindo a Deus a proteção, a união pela família.
Não há gesto mais bonito do que esse.
Quando um filho pede a bênção a seus pais e acredita fielmente que essa benção vem de Deus que o fará seguir em paz.
A família é o caminho da esperança.
A certeza que se tem pra onde voltar.
Não há nada mais divino e é por isso que a presença de Jesus nela está.
Erguei as mãos pedindo a Deus a proteção, a união pela família.
Erguei as mãos pedindo a Deus a proteção, a união pela família.
Deus abençoe a mim e abençoada está com seu amor cada pessoa que se encontra aqui.
Deus abençoe a mim e abençoada está cada família que celebra a vida em ti.
Não há nada mais bonito que a família.
Aprendendo e ensinando a partilhar os momentos de alegria e tristeza que vida certamente nos trará.
A família é o caminho da esperança.
A certeza que se tem pra onde voltar.
Não há nada mais divino e é por isso que a presença de Jesus nela está.
Link: http://www.vagalume.com.br/musicas-catolicas/deus-e-familia.html#ixzz2xXV1SJ6P
Erguei as mãos pedindo a Deus a proteção, a união pela família.
Não há gesto mais bonito do que esse.
Quando um filho pede a bênção a seus pais e acredita fielmente que essa benção vem de Deus que o fará seguir em paz.
A família é o caminho da esperança.
A certeza que se tem pra onde voltar.
Não há nada mais divino e é por isso que a presença de Jesus nela está.
Erguei as mãos pedindo a Deus a proteção, a união pela família.
Erguei as mãos pedindo a Deus a proteção, a união pela família.
Deus abençoe a mim e abençoada está com seu amor cada pessoa que se encontra aqui.
Deus abençoe a mim e abençoada está cada família que celebra a vida em ti.
Não há nada mais bonito que a família.
Aprendendo e ensinando a partilhar os momentos de alegria e tristeza que vida certamente nos trará.
A família é o caminho da esperança.
A certeza que se tem pra onde voltar.
Não há nada mais divino e é por isso que a presença de Jesus nela está.
Link: http://www.vagalume.com.br/musicas-catolicas/deus-e-familia.html#ixzz2xXV1SJ6P
A Educação começa em casa
A Educação começa em casa
A educação começa em casa. Se você ensina seu filho a ter respeito por você e a ser uma pessoa de bom caráter, ele colocará em prática seus ensinamentos. O único que pode ensinar seu filho a ser honesto, obediente e respeitador é você. Se você cria seu filho de qualquer jeito, o que esperará dele quando se tornar adulto?
A grande consequência de pais presentes, amorosos e firmes são filhos saudáveis e felizes!
Emília Briand
Face de Cristo – resplandecei em nós!
O Sínodo dos Bispos 2014 na minha visão - Denys Briand
O Santo Padre Francisco, considerando a importância e a urgência dos graves desafios pelos quais passa a família moderna, decidiu pela realização de um Sínodo dos Bispos trabalhando em 2 etapas.
A primeira em 2014 com a Assembleia Geral Extraordinária, cujo título é: OS DESAFIOS PASTORAIS DA FAMÍLIA NO CONTEXTO DA NOVA EVANGELIZAÇÃO; com a finalidade de estudar o atual momento da família, e desta forma recolher testemunhos e propostas dos Bispos em relação ao Evangelho para a família.
Foi enviado como instrumento inicial de trabalho, um questionário a todas as igrejas particulares com cerca de 39 perguntas relacionadas às dificuldades que a família moderna vivencia, seus desafios, sua identidade como família cristã.
Em 2015 ocorrerá então a Assembléia Geral Ordinária; neste momento se trabalhará as linhas de ação para a pastoral da família.
A família, como o resto toda a sociedade ocidental, vive uma crise, e a crise na família é a mais grave, pois ela se reveste da característica de ser o alicerce de toda a estrutura da sociedade. Somente para recordarmos alguns dos graves problemas pelos quais hoje passa a família:
os matrimônios mistos (inter-religiosos), a família monoparental, a poligamia, a cultura do descartável, o feminismo hostil à Igreja, o questionamento do próprio conceito de família, as mães de substituição (barrigas de aluguel), o relativismo moral da nossa época. E mais grave: a perda da fé e abandono do Sacramento do Matrimônio.
Sempre fiel ao mandato de Jesus de anunciar o Santo Evangelho a todas as criaturas e ciente de todas estas dificuldades, a Igreja vai a todas as periferias geográficas e, neste caso, também as periferias existenciais lembrar da infinita misericórdia do Senhor.
A Igreja enfrenta grandes desafios nos tempos atuais e a crise da família sem dúvida é um dos maiores deles, pois desde os tempos apostólicos se reconhece na família a realidade da "Igreja Doméstica"; ciente deste grande desafio em relação a família, célula-mãe da sociedade, a Igreja propõe este sínodo para que a luz do Evangelho possa ser analisado os desafios pastorais da Família.
Deus nos criou por amor e, ao mesmo tempo, para o amor, conforme nos ensina o Beato João Paulo II na Familiaris Consortio, pois Deus é amor (1Jo 4,8).
O amor é a vocação fundamental de todo ser humano e, especificamente, é a vocação de todo membro da Comunidade Católica Face de Cristo, nós somos chamados ao Amor.
Salmo 26,8 “Fala-vos meu coração, minha face vos busca; a vossa face, ó Senhor, eu a procuro”.
Face de Cristo - resplandecei em nós!
A primeira em 2014 com a Assembleia Geral Extraordinária, cujo título é: OS DESAFIOS PASTORAIS DA FAMÍLIA NO CONTEXTO DA NOVA EVANGELIZAÇÃO; com a finalidade de estudar o atual momento da família, e desta forma recolher testemunhos e propostas dos Bispos em relação ao Evangelho para a família.
Foi enviado como instrumento inicial de trabalho, um questionário a todas as igrejas particulares com cerca de 39 perguntas relacionadas às dificuldades que a família moderna vivencia, seus desafios, sua identidade como família cristã.
Em 2015 ocorrerá então a Assembléia Geral Ordinária; neste momento se trabalhará as linhas de ação para a pastoral da família.
A família, como o resto toda a sociedade ocidental, vive uma crise, e a crise na família é a mais grave, pois ela se reveste da característica de ser o alicerce de toda a estrutura da sociedade. Somente para recordarmos alguns dos graves problemas pelos quais hoje passa a família:
os matrimônios mistos (inter-religiosos), a família monoparental, a poligamia, a cultura do descartável, o feminismo hostil à Igreja, o questionamento do próprio conceito de família, as mães de substituição (barrigas de aluguel), o relativismo moral da nossa época. E mais grave: a perda da fé e abandono do Sacramento do Matrimônio.
Sempre fiel ao mandato de Jesus de anunciar o Santo Evangelho a todas as criaturas e ciente de todas estas dificuldades, a Igreja vai a todas as periferias geográficas e, neste caso, também as periferias existenciais lembrar da infinita misericórdia do Senhor.
A Igreja enfrenta grandes desafios nos tempos atuais e a crise da família sem dúvida é um dos maiores deles, pois desde os tempos apostólicos se reconhece na família a realidade da "Igreja Doméstica"; ciente deste grande desafio em relação a família, célula-mãe da sociedade, a Igreja propõe este sínodo para que a luz do Evangelho possa ser analisado os desafios pastorais da Família.
Deus nos criou por amor e, ao mesmo tempo, para o amor, conforme nos ensina o Beato João Paulo II na Familiaris Consortio, pois Deus é amor (1Jo 4,8).
O amor é a vocação fundamental de todo ser humano e, especificamente, é a vocação de todo membro da Comunidade Católica Face de Cristo, nós somos chamados ao Amor.
Salmo 26,8 “Fala-vos meu coração, minha face vos busca; a vossa face, ó Senhor, eu a procuro”.
Face de Cristo - resplandecei em nós!
S. Josemaria responde a dez perguntas sobre o matrimónio, o amor, o namoro, a fidelidade, a educação dos filhos, os principais valores para conseguir a unidade familiar, o que acontece quando não se têm filhos…
1- Poderia dizer-nos quais os valores mais importantes do matrimónio cristão?
2- Padre, que conselhos daria a um casal recém-casado que procura a santidade?
3- Há hoje em dia pessoas que afirmam que o amor justifica tudo, e concluem que o namoro é como que um casamento à experiência. Não seguir o que consideram imperativos do amor, pensam que é inautêntico, retrógrado. Que pensa desta atitude?
4- Que conselhos daria para que, com o passar do tempo, a vida matrimonial continue feliz, sem cedências à monotonia? Pode parecer uma questão pouco importante, mas recebem-se muitas cartas sobre este tema.
5- São também habituais as discussões entre marido e mulher, o que às vezes chega a comprometer seriamente a paz familiar. Que conselhos daria aos casais?
6- Muitos casais vêem-se desorientados em relação ao tema do número de filhos. Que aconselharia a estes casais?
7- Há mulheres que não se atrevem a comunicar a parentes e amigos a chegada de um novo filho. Temem as críticas daqueles que pensam que uma família com muitos filhos é coisa do passado. Que nos diria sobre isto?
8- A infecundidade matrimonial – e a frustração que pode trazer consigo – é, por vezes, fonte de desavenças e incompreensões. Na sua opinião, que sentido devem dar ao casamento os esposos cristãos que não têm descendência?
9- Há casais que por situações degradantes e insustentáveis se separaram. Nestes casos, têm dificuldade em aceitar a indissolubilidade matrimonial e lamentam que lhes seja negada a possibilidade de constituir um novo lar. Que resposta daria ante estas situações?
10- Fala da unidade familiar como sendo de um grande valor. Como é que o Opus Dei não organiza actividades de formação espiritual onde possam participar marido e mulher?
Perguntas e respostas
1. Poderia dizer-nos quais os valores mais importantes do matrimónio cristão?
Vou falar de algo que conheço bem e que é da minha experiência de sacerdote, de muitos anos e em muitos países. A maior parte dos sócios do Opus Dei vivem no estado matrimonial e, para eles, o amor humano e os deveres conjugais fazem parte da vocação divina. O Opus Dei fez do matrimónio um caminho divino, uma vocação, e isto tem muitas consequências para a santificação pessoal e para o apostolado. Há quase quarenta anos que prego o sentido vocacional do matrimónio. Que olhos cheios de luz vi mais de uma vez, quando - e pensando eles e elas que eram incompatíveis na sua vida a entrega a Deus e um amor humano nobre e limpo - me ouviam dizer que o matrimónio é um caminho divino na Terra!
O matrimónio existe para que aqueles que o contraem se santifiquem nele e através dele. Para isso, os cônjuges têm uma graça especial que o sacramento instituído por Jesus Cristo confere. Quem é chamado ao estado matrimonial, encontra nesse estado - com a graça de Deus - tudo o que é necessário para ser santo, para se identificar cada dia mais com Jesus Cristo e para levar ao Senhor as pessoas com quem convive.
É por isso que penso sempre com esperança e com carinho nos lares cristãos, em todas as famílias que brotaram do Sacramento do Matrimónio, que são testemunhos luminosos desse grande mistério divino - sacramentum magnum! (Ef. 5, 32), grande sacramento - da união e do amor entre Cristo e a sua Igreja. Devemos trabalhar para que essas células cristãs da sociedade nasçam e se desenvolvam com afã de santidade, com a consciência de que o sacramento inicial - o Baptismo - confere já a todos os cristãos uma missão divina, que cada um deve cumprir no caminho que lhe é próprio.
Os esposos cristãos têm de ter consciência de que são chamados a santificar-se santificando, a ser apóstolos, e de que o seu primeiro apostolado está no lar. Devem compreender a obra sobrenatural que significa a fundação de uma família, a educação dos filhos, a irradiação cristã na sociedade. Desta consciência da própria missão dependem, em grande parte, a eficácia e o êxito da sua vida, a sua felicidade.
Mas não esqueçam que o segredo da felicidade conjugal está no quotidiano, não em sonhos. Está em encontrar a alegria íntima que dá a chegada ao lar; está no convívio carinhoso com os filhos; no trabalho de todos os dias, em que colabora toda a família; no bom humor perante as dificuldades, que é preciso encarar com desportivismo; e também no aproveitamento de todos os progressos que nos proporciona a civilização para tornar a casa agradável, a vida mais simples, a formação mais eficaz.
Nunca deixo de dizer aos que foram chamados por Deus a formar um lar que se amem sempre, que se queiram com o amor cheio de entusiasmo que tinham quando eram noivos. Pobre conceito tem do matrimónio - que é um sacramento, um ideal e uma vocação - quem pensa que o amor acaba quando começam as penas e os contratempos que a vida traz sempre consigo. É então que o amor se fortalece. As torrentes dos desgostos e das contrariedades não são capazes de submergir o verdadeiro amor. O sacrifício partilhado generosamente une mais. Como diz a Escritura, aquae multae - as muitas dificuldades, físicas e morais - non potuerunt extinguere caritatem (Cant. 8,7), não poderão apagar o amor.
Temas actuais do cristianismo, 91
2. Padre, que conselhos daria a um casal recém-casado que procura a santidade?
Primeiro, que se amem muito, segundo a lei de Deus. Depois, que não tenham medo à vida, que amem todos os defeitos de um e de outro quando não sejam ofensa a Deus; e depois ainda que procures não te descuidar, porque não te pertences. Já to disseram, e tu sabes isso muito bem, que pertences ao teu marido e ele a ti. Não deixes que to roubem! É uma alma que tem de ir para o Céu contigo e, além disso, dará qualidade chilena – o mesmo é dizer cristã -, e graça humana também, aos filhos que o Senhor lhes enviar. Rezem um pouco juntos. Não muito, mas um bocadinho todos os dias. Quando tu te esqueceres, que seja ele a dizer-to, e quando seja ele a esquecer-se, és tu que lho lembras. Não lhe atires nada em cara, não o aborreças com picuinhices.
Chile, julho de 1974, no Colégio de Tabancura
3. Há hoje em dia pessoas que afirmam que o amor justifica tudo, e concluem que o namoro é como que um casamento à experiência. Não seguir o que consideram imperativos do amor, pensam que é inautêntico, retrógrado. Que pensa desta atitude?
O noivado deve ser uma ocasião de aprofundar o afecto e o conhecimento mútuo. E, como toda a escola de amor, deve ser inspirado não pela ânsia de posse, mas por espírito de entrega, de compreensão, de respeito, de delicadeza. Por isso, há pouco mais de um ano quis oferecer à Universidade de Navarra uma imagem de Santa Maria, Mãe do Amor Formoso, para que os rapazes e raparigas que frequentam aquelas Faculdades aprendessem d'Ela a nobreza do amor - do amor humano também.
Matrimónio à experiência? Que pouco sabe de amor quem fala assim! O amor é uma realidade mais segura, mais real, mais humana. Algo que não se pode tratar como um produto comercial, que se experimenta e depois se aceita ou se deita fora, segundo o capricho, a comodidade ou o interesse.
Essa falta de critério é tão lamentável, que nem sequer parece necessário condenar quem pensa ou procede assim porque eles mesmo se condenam à infecundidade, à tristeza, a um isolamento desolador, que sofrerão mal passem alguns anos. Não posso deixar de rezar muito por eles, amá-los com toda a minha alma e tratar de lhes fazer compreender que continuam a ter aberto o caminho de regresso a Jesus Cristo, e que, se se empenharem a sério, poderão ser santos, cristãos íntegros, porque não lhes faltará nem o perdão nem a graça do Senhor. Só então compreenderão bem o que é o amor: o Amor divino e também o amor humano nobre; e saberão o que é a paz, a alegria, a fecundidade.
Temas actuais do cristianismo, 105
4. Que conselhos daria para que, com o passar do tempo, a vida matrimonial continue feliz, sem cedências à monotonia? Pode parecer uma questão pouco importante, mas recebem-se muitas cartas sobre este tema.
A mim parece-me que, com efeito, é um assunto importante, e por isso o são também as possíveis soluções, apesar da sua aparência modesta. Para que no matrimónio se conserve o encanto do começo, a mulher deve procurar conquistar o seu marido em cada dia, e o mesmo teria que dizer ao marido em relação à mulher. O amor deve ser renovado em cada novo dia, e o amor ganha-se com o sacrifício, com sorrisos e com arte também. Se o marido chega a casa cansado de trabalhar e a mulher começa a falar sem medida, contando-lhe tudo o que lhe parece que correu mal, pode-se surpreender que o marido acabe por perder a paciência? Essas coisas menos agradáveis podem-se deixar para um momento mais oportuno, quando o marido esteja menos cansado, mais bem disposto.
Outro pormenor: o arranjo pessoal. Se outro sacerdote vos dissesse o contrário, penso que seria um mau conselho. À medida que uma pessoa, que deve viver no mundo, vai avançando em idade, mais necessário se torna melhorar não só a vida interior como - precisamente por isso - procurar estar apresentável.Evidentemente, sempre em conformidade com a idade e as circunstâncias. Costumo dizer, por brincadeira, que as fachadas, quanto mais envelhecidas, mais necessidade têm de reparação. É um conselho sacerdotal. Um velho refrão castelhano diz que la mujer compuesta saca al hombre de otra puerta, a mulher arranjada tira o homem de outra porta.
Por isso atrevo-me a afirmar que as mulheres têm a culpa de oitenta por cento das infidelidades dos maridos, porque não sabem conquistá-los em cada dia, não sabem ter pequenas amabilidades e delicadezas. A atenção da mulher casada deve-se centrar no marido e nos filhos. Assim como a do marido se deve centrar na mulher e nos filhos. E para fazer isto bem é preciso tempo e vontade. Tudo o que torne impossível esta tarefa é mau, não está bem.
Não há desculpa para não cumprir esse amável dever. Para já, não é desculpa o trabalho fora do lar, nem sequer a própria vida de piedade, a qual, se não é compatível com as obrigações de cada dia, não é boa, Deus não a quer. A mulher casada tem que se ocupar primeiro do lar. Recordo uma antiga da minha terra, que diz: La mujer que, por la iglesia, / deja el puchero quemar, / tiene la mitad de ángel, / de diablo la otra mitad. - A mulher que, pela igreja, / deixa esturrar a comida, / tem metade de anjo, / de diabo a outra metade. A mim parece-me inteiramente um diabo.
Temas actuais do cristianismo, 107
5. São também habituais as discussões entre marido e mulher, o que às vezes chega a comprometer seriamente a paz familiar. Que conselhos daria aos casais?
Que se amem. Que saibam que ao longo da vida haverá desentendimentos e dificuldades que, resolvidos com naturalidade, contribuirão inclusivamente para tornar o amor mais profundo.
Cada um de nós tem o seu feitio, os seus gostos pessoais, o seu génio - o seu mau génio, por vezes - e os seus defeitos. Cada um tem também coisas agradáveis na sua personalidade e por isso e por muitas mais razões, pode-se amá-lo. A convivência é possível quando todos se empenham em corrigir as próprias deficiências e procuram passar por alto as faltas dos outros, isto é, quando há amor, que anula e supera tudo o que falsamente poderia ser motivo de separação ou de divergência. Pelo contrário, se se dramatizam os pequenos contrastes e mutuamente se começa a lançar à cara os defeitos e os erros, então acaba-se a paz e corre-se o risco de matar o amor.
Os casais têm graça de estado - a graça do sacramento - para viverem todas as virtudes humanas e cristãs da convivência: a compreensão, o bom humor, a paciência, o perdão, a delicadeza no convívio. O que é importante é não se descontrolarem, não se deixarem dominar pelo nervosismo, pelo orgulho ou pelas manias pessoais. Para isso, o marido e a mulher devem crescer em vida interior e aprender da Sagrada Família a viver com delicadeza - por um motivo humano e sobrenatural ao mesmo tempo - as virtudes do lar cristão. Repito: a graça de Deus não lhes falta.
Se alguém diz que não pode aguentar isto ou aquilo, que lhe é impossível calar-se, exagera para se justificar. É preciso pedir a Deus força para saber dominar o próprio capricho, graça para saber ter o domínio de si próprio, porque os perigos de uma zanga são estes: que se perca o controlo e as palavras se encham de amargura e cheguem a ofender e, ainda que talvez não se desejasse, a ferir e a causar mal.
É necessário aprender a calar, a esperar e a dizer as coisas de modo positivo, optimista. Quando ele se zanga, é o momento de ser ela especialmente paciente, até que chegue de novo a serenidade, e vice-versa. Se há afecto sincero e preocupação por aumentá-lo, é muito difícil que os dois se deixem dominar pelomau humor na mesma altura...
Outra coisa muito importante: devemo-nos acostumar a pensar que nunca temos toda a razão. Pode-se dizer, inclusivamente, que, em assuntos desses, ordinariamente tão opináveis, quanto mais seguros estamos de ter toda a razão, tanto mais certo é que não a temos. Discorrendo deste modo, torna-se depois mais fácil rectificar e, se for preciso, pedir perdão, que é a melhor maneira de acabar com uma zanga. Assim se chega à paz e à ternura. Não vos animo a discutir, mas é natural que discutamos alguma vez com aqueles de quem mais gostamos, porque são os que habitualmente vivem connosco. Não vamos zangar-nos com o Preste João das Índias... Portanto, essas pequenas zangas entre os esposos, se não são frequentes - e é preciso procurar que não o sejam -, não demonstram falta de amor e até podem ajudar a aumentá-lo.
Um último conselho: que nunca se zanguem diante dos filhos. Para consegui-lo, basta que se ponham de acordo com uma palavra determinada, com um olhar, com um gesto. Discutirão depois, com mais serenidade, se não forem capazes de evitá-lo. A paz conjugal deve ser o ambiente da família, porque é condição necessária para uma educação profunda e eficaz. Que os filhos vejam nos seus pais um exemplo de entrega, de amor sincero, de ajuda mútua, de compreensão, e que as ninharias da vida diária não lhes ocultem a realidade de um afecto que é capaz de superar seja o que for.
As vezes tomamo-nos demasiado a sério. Todos nos aborrecemos de quando em quando, umas vezes porque é necessário, outras porque nos falta espírito de mortificação. O que importa é demonstrar que esses aborrecimentos não quebram o afecto, restabelecendo a intimidade familiar com um sorriso. Numa palavra, que marido e mulher vivam amando-se um ao outro e amando os filhos, porque assim amam a Deus.
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6. Muitos casais vêem-se desorientados em relação ao tema do número de filhos. Que aconselharia a estes casais?
Os que perturbam dessa maneira as consciências esquecem que a vida é sagrada e tornam-se merecedores das duras censuras do Senhor contra os cegos que guiam outros cegos, contra os que não querem entrar no Reino dos Céus e não deixam sequer entrar os outros. Não julgo as suas intenções e até estou certo de que muitos dão tais conselhos guiados pela compaixão e pelo desejo de solucionar situações difíceis; mas não posso ocultar o profundo desgosto que me causa esse trabalho destruidor - em muitos casos diabólico - de quem não só não dá boa doutrina, como a corrompe.
Não esqueçam os esposos, ao ouvir conselhos e recomendações nessa matéria, que o que importa é conhecer o que Deus quer. Quando há sinceridade - rectidão - e um mínimo de formação cristã, a consciência sabe descobrir a vontade de Deus, nisto como em tudo o mais. Porque pode suceder que se esteja a procurar um conselho que favoreça o próprio egoísmo, que cale, precisamente, com a sua pretensa autoridade, o clamor da própria alma e, inclusive, que se vá mudando de conselheiro, até encontrar o mais benévolo. Além do mais, isto é uma atitude farisaica, indigna de um filho de Deus.
O conselho de outro cristão, e especialmente - em questões morais ou de fé - o conselho do sacerdote, é uma ajuda poderosa para reconhecer o que Deus nos pede numa circunstância determinada; mas o conselho não elimina a responsabilidade pessoal. É cada um de nós que tem de decidir em última análise, e é pessoalmente que havemos de dar contas a Deus das nossas decisões.
Acima dos conselhos privados está a lei de Deus contida na Sagrada Escritura e que o Magistério da Igreja - assistido pelo Espírito Santo - guarda e propõe. Quando os conselhos particulares contradizem a Palavra de Deus tal como o Magistério a ensina, temos de afastar-nos decididamente desses conselhos erróneos. A quem procede com esta rectidão, Deus ajudá-lo-á com a sua graça, inspirando-lhe o que deve fazer e, quando o necessitar, levando-o a encontrar um sacerdote que saiba conduzir a sua alma por caminhos rectos e limpos, ainda que algumas vezes sejam difíceis.
O exercício da direcção espiritual não deve orientar-se no sentido de fabricar criaturas carecidas de juízo próprio, que se limitam a executar materialmente o que outrem lhes disse; pelo contrário, a direcção espiritual deve tender a formar pessoas de critério. E o critério pressupõe maturidade, firmeza de convicções, conhecimento suficiente da doutrina, delicadeza de espírito, educação da vontade.
É importante que os esposos adquiram o sentido claro da dignidade da sua vocação, saibam que foram chamados por Deus para atingir também o amor divino através do amor humano, que foram escolhidos, desde a eternidade, para cooperar com o poder criador de Deus, pela procriação e depois pela educação dos filhos, que o Senhor lhes pede que façam, do seu lar e de toda a sua vida familiar, um testemunho de todas as virtudes cristãs.
O matrimónio - não me cansarei nunca de o repetir - é um caminho divino, grande e maravilhoso e, como tudo o que é divino em nós, tem manifestações concretas de correspondência à graça, de generosidade, de entrega, de serviço. O egoísmo, em qualquer das suas formas, opõe-se a esse amor de Deus que deve imperar na nossa vida. Este é um ponto fundamental que é preciso ter muito presente a propósito do matrimónio e do número de filhos.
Temas actuais do cristianismo,93
7. Há mulheres que não se atrevem a comunicar a parentes e amigos a chegada de um novo filho. Temem as críticas daqueles que pensam que uma família com muitos filhos é coisa do passado. Que nos diria sobre isto?
Abençoo os pais que, recebendo com alegria a missão que Deus lhes confia, têm muitos filhos. Convido os casais a não estancarem as fontes da vida, a terem sentido sobrenatural e coragem para manter uma família numerosa, se Deus lha mandar.
Quando louvo a família numerosa, não me refiro à que é consequência de relações meramente fisiológicas, mas à que é fruto do exercício das virtudes cristãs, à que tem um alto sentido da dignidade da pessoa, à que sabe que dar filhos a Deus não consiste só em gerá-los para a vida natural, mas que exigem também uma longa tarefa educadora: dar-lhes a vida é a primeira coisa, mas não é tudo.
Pode haver casos concretos em que a vontade de Deus - manifestada pelos meios ordinários - esteja precisamente em que uma família seja pequena. Mas são criminosas, anticristãs e infra-humanas, as teorias que fazem da limitação da natalidade um ideal ou um dever universal ou simplesmente geral.
Seria adulterar e perverter a doutrina cristã, querer apoiar-se num pretenso espírito pós-conciliar para ir contra a família numerosa. O Concílio Vaticano II proclamou que entre os cônjuges, que assim cumprem a missão que lhes foi confiada por Deus, são dignos de menção muito especial os que, de comum acordo e reflectidamente, se decidem com magnanimidade a aceitar e a educar dignamente uma prole mais numerosa (Const. past. Gaudium et spes, n.º 50). E Paulo VI, numa alocução pronunciada em 12 de Fevereiro de 1966, comentava: que o Concílio Vaticano II, recentemente concluído, difunda nos esposos cristãos o espírito de generosidade para dilatarem o novo Povo de Deus... Recordem sempre que essa dilatação do Reino de Deus e as possibilidades de penetração da Igreja na humanidade para levar a salvação - a eterna e a terrena - estão confiadas também à sua generosidade.
O número não é por si só decisivo. Ter muitos ou poucos filhos não é suficiente para que uma família seja mais ou menos cristã. O que importa é a rectidão com que se vive a vida matrimonial. O verdadeiro amor mútuo transcende a comunidade de marido e mulher e estende-se aos seus frutos naturais, os filhos. O egoísmo, pelo contrário, acaba por rebaixar esse amor à simples satisfação do instinto, e destrói a relação que une pais e filhos. Dificilmente haverá quem se sinta bom filho - verdadeiro filho - de seus pais, se puder vir a pensar que veio ao mundo contra a vontade deles, que não nasceu de um amor limpo, mas de uma imprevisão ou de um erro de cálculo.
Dizia eu que, por si só, o número de filhos não é determinante. Contudo, vejo com clareza que os ataques às famílias numerosas provêm da falta de fé, são produto de um ambiente social incapaz de compreender a generosidade, um ambiente que tende a encobrir o egoísmo e certas práticas inconfessáveis com motivos aparentemente altruístas. Dá-se o paradoxo de que os países onde se faz mais propaganda do controlo da natalidade - e a partir dos quais se impõe a sua prática a outros países - são precisamente aqueles que alcançaram um nível de vida mais elevado. Talvez se pudessem tomar a sério os seus argumentos de carácter económico e social, se esses mesmos argumentos os levassem a renunciar a uma parte da opulência de que gozam, a favor dessas pessoas necessitadas. Enquanto o não fizerem, torna-se difícil não pensar que, na realidade, o que determina esses argumentos é o hedonismo e uma ambição de domínio político e de neocolonialismo demográfico.
Não ignoro os grandes problemas que afligem a humanidade, nem as dificuldades concretas com que pode deparar uma família determinada. Penso nisto com frequência e enche-se de piedade o coração de pai que, como cristão e como sacerdote, tenho obrigação de ter. Mas não é lícito procurar a solução por esses caminhos.
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8. A infecundidade matrimonial – e a frustração que pode trazer consigo – é, por vezes, fonte de desavenças e incompreensões. Na sua opinião, que sentido devem dar ao casamento os esposos cristãos que não têm descendência?
Em primeiro lugar, dir-lhes-ei que não devem dar-se por vencidos com demasiada facilidade. É preciso pedir a Deus que lhes conceda descendência, que os abençoe - se for essa a sua vontade - como abençoou os Patriarcas do Antigo Testamento. Depois, é conveniente que recorram a um bom médico, elas e eles. Se, apesar de tudo, o Senhor não lhes dá filhos, não devem ver nisso nenhuma frustração, devem ficar satisfeitos, descobrindo nesse facto precisamente a Vontade de Deus em relação a eles. Muitas vezes, o Senhor não dá filhos porque pede mais. Pede que se tenha o mesmo esforço e a mesma entrega delicada ajudando o próximo, sem o júbilo bem humano de ter tido filhos. Não há, pois, motivo para se sentirem fracassados, nem para dar lugar à tristeza.
Se os esposos têm vida interior, compreenderão que Deus os insta, levando-os a fazer da sua vida um generoso serviço cristão, um apostolado diferente do que realizariam com os seus filhos, mas igualmente maravilhoso.
Que olhem à sua volta, e descobrirão imediatamente pessoas que necessitam de ajuda, de caridade e de carinho. Há, além disso, muitas ocupações apostólicas em que podem trabalhar. E, se sabem pôr o coração nessa tarefa, se se sabem dar generosamente aos outros, esquecendo-se de si próprios, terão uma fecundidade esplêndida, uma paternidade espiritual que encherá a sua alma de verdadeira paz.
As soluções concretas podem ser diferentes em cada caso, mas, no fundo, todas se reduzem a ocupar-se dos outros com afã de servir, com amor. Deus recompensa sempre aqueles que têm a generosa humildade de não pensarem em si mesmos, dando às suas almas uma profunda alegria.
Temas actuais do cristianismo, 96
9. Há casais que por situações degradantes e insustentáveis se separaram. Nestes casos, têm dificuldade em aceitar a indissolubilidade matrimonial e lamentam que lhes seja negada a possibilidade de constituir um novo lar. Que resposta daria ante estas situações?
Diria a essas mulheres, compreendendo o seu sofrimento, que também podem ver nessa situação a Vontade de Deus, que nunca é cruel, porque Deus é Pai amoroso. É possível que por algum tempo a situação seja especialmente difícil, mas, se recorrerem ao Senhor e à sua Santa Mãe, não lhes faltará a ajuda da graça.
A indissolubilidade do matrimónio não e um capricho da Igreja e nem sequer uma mera lei positiva eclesiástica. É de lei natural, de direito divino, e corresponde perfeitamente à nossa natureza e à ordem sobrenatural da graça. Por isso, na imensa maioria dos casos, é condição indispensável de felicidade dos cônjuges, e de segurança, mesmo espiritual, para os filhos. E sempre - ainda nesses casos dolorosos de que falámos - a aceitação rendida da vontade de Deus traz consigo uma profunda satisfação, que nada pode substituir. Não é um recurso, não é uma simples consolação, é a essência da vida cristã.
Se essas mulheres já têm filhos a seu cargo, hão-de ver nisso uma exigência contínua de entrega amorosa, maternal, então especialmente necessária para suprir nessas almas as deficiências de um lar dividido. E hão-de entender generosamente que essa indissolubilidade, que para elas implica sacrifício, é para a maior parte das famílias uma defesa da sua integridade, algo que enobrece o amor dos esposos e impede o desamparo dos filhos.
Este assombro em face da aparente dureza do preceito cristão da indissolubilidade não é novo. Os Apóstolos estranharam quando Jesus o confirmou. Pode parecer uma carga, um jugo; mas o próprio Cristo disse que o seu jugo é suave e a sua carga leve.
Por outro lado, reconhecendo embora a inevitável dureza de bastantes situações - as quais, em não poucos casos, se poderiam e deveriam ter evitado -, é necessário não dramatizar demasiado. A vida de uma mulher nessas condições será realmente mais dura que a de outra mulher maltratada, ou que a vida de quem padece algum dos outros grandes sofrimentos físicos ou morais que a existência traz consigo?
O que verdadeiramente torna uma pessoa infeliz - e até uma sociedade inteira - é essa busca ansiosa de bem-estar, o cuidado de eliminar, seja como for, tudo o que nos contrariar. A vida apresenta mil facetas, situações diversíssimas, umas árduas, outras, talvez só na aparência, fáceis. A cada uma delas corresponde a sua própria graça; cada uma é uma chamada original de Deus, uma ocasião inédita de trabalhar, de dar o testemunho divino da caridade. A quem sentir a angústia de uma situação difícil, eu aconselharia que procurasse também esquecer-se um pouco dos seus próprios problemas para se preocupar com os problemas dos outros. Fazendo isto, terá mais paz e, sobretudo, santificar-se-á.
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10. Fala da unidade familiar como sendo de um grande valor. Como é que o Opus Dei não organiza actividades de formação espiritual onde possam participar marido e mulher?
Nisto, como em tantas outras coisas, nós os cristãos temos a possibilidade de escolher entre várias soluções, de acordo com as preferências ou opiniões próprias, sem que ninguém possa pretender impor-nos um sistema único. É preciso fugir, como da peste, dessa maneira de conceber a pastoral e, em geral, o apostolado, que não parece mais do que uma nova edição, corrigida e aumentada, do partido único na vida religiosa.
Sei que há grupos católicos que organizam retiros espirituais e outras actividades formativas para casais. Parece-me muitíssimo bem que, usando da sua liberdade, façam o que consideram conveniente e que também vão a essas actividades os que encontram nelas um meio que os ajuda a viver melhor a sua vocação cristã. Mas considero que não é essa a única possibilidade e nem sequer é evidente que seja a melhor.
Há muitas facetas da vida eclesial que os casais, e inclusivamente toda a família, podem e, às vezes, devem viver juntos, como seja a participação no Sacrifício Eucarístico e em outros actos do culto. Penso, no entanto, que determinadas actividades de formação espiritual são mais eficazes se a elas forem separadamente o marido e a mulher. Por um lado, afirma-se mais o carácter fundamentalmente pessoal da própria santificação, da luta ascética, da união com Deus, que depois reverterá a favor dos outros, mas onde a consciência de cada um não pode ser substituída. Por outro lado, assim é mais fácil adequar a formação às exigências e às necessidades pessoais de cada um, e inclusivamente à sua própria psicologia. Isto não quer dizer que, nessas actividades, se prescinda do estado matrimonial dos assistentes - nada mais longe do espírito do Opus Dei.
Há quarenta anos que venho dizendo de palavra e por escrito que cada homem, cada mulher, tem de se santificar na sua vida habitual, nas condições concretas da sua existência quotidiana; que, portanto, os esposos têm de se santificar vivendo com perfeição as suas obrigações familiares. Nos retiros espirituais e em outros meios de formação que o Opus Dei organiza e aos quais assistem pessoas casadas, procura-se sempre que os esposos tomem consciência da dignidade da sua vocação matrimonial e que com a ajuda de Deus se preparem para vivê-la melhor.
Em muitos aspectos, as exigências e as manifestações práticas do amor conjugal são diferentes para o homem e para a mulher. Com meios de formação específicos, pode-se ajudar cada um a descobri-los eficazmente na realidade da sua vida, de modo que essa separação de umas horas ou de uns dias fá-los estar mais unidos e amarem-se mais e melhor ao longo de todo o outro tempo, com um amor também cheio de respeito.
Repito que nisto não pretendemos sequer que o nosso modo de actuar seja o único bom, ou que toda a gente o deva adoptar. Parece-me simplesmente que dá muito bons resultados e que há razões sólidas - além de uma longa experiência - para proceder assim, mas não ataco a opinião contrária.
Além disso, devo dizer que, se no Opus Dei seguimos este critério para determinadas iniciativas de formação espiritual, em variadíssimas actividades de outro género os casais participam e colaboram como tais. Penso, por exemplo, no trabalho que se faz com os pais dos alunos em colégios dirigidos por membros do Opus Dei, nas reuniões, conferências, tríduos, etc., especialmente dedicados aos pais dos estudantes que vivem em Residências dirigidas pela Obra.
Como vê, quando a natureza da actividade requer a presença do casal, são marido e mulher quem participa nestes trabalhos. Mas este tipo de reuniões e iniciativas é diferente dos que se dirigem directamente à formação espiritual pessoal.
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Capítulo sobre o matrimónio (1601 a 1666), no Catecismo da Igreja Católica
1- Poderia dizer-nos quais os valores mais importantes do matrimónio cristão?
2- Padre, que conselhos daria a um casal recém-casado que procura a santidade?
3- Há hoje em dia pessoas que afirmam que o amor justifica tudo, e concluem que o namoro é como que um casamento à experiência. Não seguir o que consideram imperativos do amor, pensam que é inautêntico, retrógrado. Que pensa desta atitude?
4- Que conselhos daria para que, com o passar do tempo, a vida matrimonial continue feliz, sem cedências à monotonia? Pode parecer uma questão pouco importante, mas recebem-se muitas cartas sobre este tema.
5- São também habituais as discussões entre marido e mulher, o que às vezes chega a comprometer seriamente a paz familiar. Que conselhos daria aos casais?
6- Muitos casais vêem-se desorientados em relação ao tema do número de filhos. Que aconselharia a estes casais?
7- Há mulheres que não se atrevem a comunicar a parentes e amigos a chegada de um novo filho. Temem as críticas daqueles que pensam que uma família com muitos filhos é coisa do passado. Que nos diria sobre isto?
8- A infecundidade matrimonial – e a frustração que pode trazer consigo – é, por vezes, fonte de desavenças e incompreensões. Na sua opinião, que sentido devem dar ao casamento os esposos cristãos que não têm descendência?
9- Há casais que por situações degradantes e insustentáveis se separaram. Nestes casos, têm dificuldade em aceitar a indissolubilidade matrimonial e lamentam que lhes seja negada a possibilidade de constituir um novo lar. Que resposta daria ante estas situações?
10- Fala da unidade familiar como sendo de um grande valor. Como é que o Opus Dei não organiza actividades de formação espiritual onde possam participar marido e mulher?
Perguntas e respostas
1. Poderia dizer-nos quais os valores mais importantes do matrimónio cristão?
Vou falar de algo que conheço bem e que é da minha experiência de sacerdote, de muitos anos e em muitos países. A maior parte dos sócios do Opus Dei vivem no estado matrimonial e, para eles, o amor humano e os deveres conjugais fazem parte da vocação divina. O Opus Dei fez do matrimónio um caminho divino, uma vocação, e isto tem muitas consequências para a santificação pessoal e para o apostolado. Há quase quarenta anos que prego o sentido vocacional do matrimónio. Que olhos cheios de luz vi mais de uma vez, quando - e pensando eles e elas que eram incompatíveis na sua vida a entrega a Deus e um amor humano nobre e limpo - me ouviam dizer que o matrimónio é um caminho divino na Terra!
O matrimónio existe para que aqueles que o contraem se santifiquem nele e através dele. Para isso, os cônjuges têm uma graça especial que o sacramento instituído por Jesus Cristo confere. Quem é chamado ao estado matrimonial, encontra nesse estado - com a graça de Deus - tudo o que é necessário para ser santo, para se identificar cada dia mais com Jesus Cristo e para levar ao Senhor as pessoas com quem convive.
É por isso que penso sempre com esperança e com carinho nos lares cristãos, em todas as famílias que brotaram do Sacramento do Matrimónio, que são testemunhos luminosos desse grande mistério divino - sacramentum magnum! (Ef. 5, 32), grande sacramento - da união e do amor entre Cristo e a sua Igreja. Devemos trabalhar para que essas células cristãs da sociedade nasçam e se desenvolvam com afã de santidade, com a consciência de que o sacramento inicial - o Baptismo - confere já a todos os cristãos uma missão divina, que cada um deve cumprir no caminho que lhe é próprio.
Os esposos cristãos têm de ter consciência de que são chamados a santificar-se santificando, a ser apóstolos, e de que o seu primeiro apostolado está no lar. Devem compreender a obra sobrenatural que significa a fundação de uma família, a educação dos filhos, a irradiação cristã na sociedade. Desta consciência da própria missão dependem, em grande parte, a eficácia e o êxito da sua vida, a sua felicidade.
Mas não esqueçam que o segredo da felicidade conjugal está no quotidiano, não em sonhos. Está em encontrar a alegria íntima que dá a chegada ao lar; está no convívio carinhoso com os filhos; no trabalho de todos os dias, em que colabora toda a família; no bom humor perante as dificuldades, que é preciso encarar com desportivismo; e também no aproveitamento de todos os progressos que nos proporciona a civilização para tornar a casa agradável, a vida mais simples, a formação mais eficaz.
Nunca deixo de dizer aos que foram chamados por Deus a formar um lar que se amem sempre, que se queiram com o amor cheio de entusiasmo que tinham quando eram noivos. Pobre conceito tem do matrimónio - que é um sacramento, um ideal e uma vocação - quem pensa que o amor acaba quando começam as penas e os contratempos que a vida traz sempre consigo. É então que o amor se fortalece. As torrentes dos desgostos e das contrariedades não são capazes de submergir o verdadeiro amor. O sacrifício partilhado generosamente une mais. Como diz a Escritura, aquae multae - as muitas dificuldades, físicas e morais - non potuerunt extinguere caritatem (Cant. 8,7), não poderão apagar o amor.
Temas actuais do cristianismo, 91
2. Padre, que conselhos daria a um casal recém-casado que procura a santidade?
Primeiro, que se amem muito, segundo a lei de Deus. Depois, que não tenham medo à vida, que amem todos os defeitos de um e de outro quando não sejam ofensa a Deus; e depois ainda que procures não te descuidar, porque não te pertences. Já to disseram, e tu sabes isso muito bem, que pertences ao teu marido e ele a ti. Não deixes que to roubem! É uma alma que tem de ir para o Céu contigo e, além disso, dará qualidade chilena – o mesmo é dizer cristã -, e graça humana também, aos filhos que o Senhor lhes enviar. Rezem um pouco juntos. Não muito, mas um bocadinho todos os dias. Quando tu te esqueceres, que seja ele a dizer-to, e quando seja ele a esquecer-se, és tu que lho lembras. Não lhe atires nada em cara, não o aborreças com picuinhices.
Chile, julho de 1974, no Colégio de Tabancura
3. Há hoje em dia pessoas que afirmam que o amor justifica tudo, e concluem que o namoro é como que um casamento à experiência. Não seguir o que consideram imperativos do amor, pensam que é inautêntico, retrógrado. Que pensa desta atitude?
O noivado deve ser uma ocasião de aprofundar o afecto e o conhecimento mútuo. E, como toda a escola de amor, deve ser inspirado não pela ânsia de posse, mas por espírito de entrega, de compreensão, de respeito, de delicadeza. Por isso, há pouco mais de um ano quis oferecer à Universidade de Navarra uma imagem de Santa Maria, Mãe do Amor Formoso, para que os rapazes e raparigas que frequentam aquelas Faculdades aprendessem d'Ela a nobreza do amor - do amor humano também.
Matrimónio à experiência? Que pouco sabe de amor quem fala assim! O amor é uma realidade mais segura, mais real, mais humana. Algo que não se pode tratar como um produto comercial, que se experimenta e depois se aceita ou se deita fora, segundo o capricho, a comodidade ou o interesse.
Essa falta de critério é tão lamentável, que nem sequer parece necessário condenar quem pensa ou procede assim porque eles mesmo se condenam à infecundidade, à tristeza, a um isolamento desolador, que sofrerão mal passem alguns anos. Não posso deixar de rezar muito por eles, amá-los com toda a minha alma e tratar de lhes fazer compreender que continuam a ter aberto o caminho de regresso a Jesus Cristo, e que, se se empenharem a sério, poderão ser santos, cristãos íntegros, porque não lhes faltará nem o perdão nem a graça do Senhor. Só então compreenderão bem o que é o amor: o Amor divino e também o amor humano nobre; e saberão o que é a paz, a alegria, a fecundidade.
Temas actuais do cristianismo, 105
4. Que conselhos daria para que, com o passar do tempo, a vida matrimonial continue feliz, sem cedências à monotonia? Pode parecer uma questão pouco importante, mas recebem-se muitas cartas sobre este tema.
A mim parece-me que, com efeito, é um assunto importante, e por isso o são também as possíveis soluções, apesar da sua aparência modesta. Para que no matrimónio se conserve o encanto do começo, a mulher deve procurar conquistar o seu marido em cada dia, e o mesmo teria que dizer ao marido em relação à mulher. O amor deve ser renovado em cada novo dia, e o amor ganha-se com o sacrifício, com sorrisos e com arte também. Se o marido chega a casa cansado de trabalhar e a mulher começa a falar sem medida, contando-lhe tudo o que lhe parece que correu mal, pode-se surpreender que o marido acabe por perder a paciência? Essas coisas menos agradáveis podem-se deixar para um momento mais oportuno, quando o marido esteja menos cansado, mais bem disposto.
Outro pormenor: o arranjo pessoal. Se outro sacerdote vos dissesse o contrário, penso que seria um mau conselho. À medida que uma pessoa, que deve viver no mundo, vai avançando em idade, mais necessário se torna melhorar não só a vida interior como - precisamente por isso - procurar estar apresentável.Evidentemente, sempre em conformidade com a idade e as circunstâncias. Costumo dizer, por brincadeira, que as fachadas, quanto mais envelhecidas, mais necessidade têm de reparação. É um conselho sacerdotal. Um velho refrão castelhano diz que la mujer compuesta saca al hombre de otra puerta, a mulher arranjada tira o homem de outra porta.
Por isso atrevo-me a afirmar que as mulheres têm a culpa de oitenta por cento das infidelidades dos maridos, porque não sabem conquistá-los em cada dia, não sabem ter pequenas amabilidades e delicadezas. A atenção da mulher casada deve-se centrar no marido e nos filhos. Assim como a do marido se deve centrar na mulher e nos filhos. E para fazer isto bem é preciso tempo e vontade. Tudo o que torne impossível esta tarefa é mau, não está bem.
Não há desculpa para não cumprir esse amável dever. Para já, não é desculpa o trabalho fora do lar, nem sequer a própria vida de piedade, a qual, se não é compatível com as obrigações de cada dia, não é boa, Deus não a quer. A mulher casada tem que se ocupar primeiro do lar. Recordo uma antiga da minha terra, que diz: La mujer que, por la iglesia, / deja el puchero quemar, / tiene la mitad de ángel, / de diablo la otra mitad. - A mulher que, pela igreja, / deixa esturrar a comida, / tem metade de anjo, / de diabo a outra metade. A mim parece-me inteiramente um diabo.
Temas actuais do cristianismo, 107
5. São também habituais as discussões entre marido e mulher, o que às vezes chega a comprometer seriamente a paz familiar. Que conselhos daria aos casais?
Que se amem. Que saibam que ao longo da vida haverá desentendimentos e dificuldades que, resolvidos com naturalidade, contribuirão inclusivamente para tornar o amor mais profundo.
Cada um de nós tem o seu feitio, os seus gostos pessoais, o seu génio - o seu mau génio, por vezes - e os seus defeitos. Cada um tem também coisas agradáveis na sua personalidade e por isso e por muitas mais razões, pode-se amá-lo. A convivência é possível quando todos se empenham em corrigir as próprias deficiências e procuram passar por alto as faltas dos outros, isto é, quando há amor, que anula e supera tudo o que falsamente poderia ser motivo de separação ou de divergência. Pelo contrário, se se dramatizam os pequenos contrastes e mutuamente se começa a lançar à cara os defeitos e os erros, então acaba-se a paz e corre-se o risco de matar o amor.
Os casais têm graça de estado - a graça do sacramento - para viverem todas as virtudes humanas e cristãs da convivência: a compreensão, o bom humor, a paciência, o perdão, a delicadeza no convívio. O que é importante é não se descontrolarem, não se deixarem dominar pelo nervosismo, pelo orgulho ou pelas manias pessoais. Para isso, o marido e a mulher devem crescer em vida interior e aprender da Sagrada Família a viver com delicadeza - por um motivo humano e sobrenatural ao mesmo tempo - as virtudes do lar cristão. Repito: a graça de Deus não lhes falta.
Se alguém diz que não pode aguentar isto ou aquilo, que lhe é impossível calar-se, exagera para se justificar. É preciso pedir a Deus força para saber dominar o próprio capricho, graça para saber ter o domínio de si próprio, porque os perigos de uma zanga são estes: que se perca o controlo e as palavras se encham de amargura e cheguem a ofender e, ainda que talvez não se desejasse, a ferir e a causar mal.
É necessário aprender a calar, a esperar e a dizer as coisas de modo positivo, optimista. Quando ele se zanga, é o momento de ser ela especialmente paciente, até que chegue de novo a serenidade, e vice-versa. Se há afecto sincero e preocupação por aumentá-lo, é muito difícil que os dois se deixem dominar pelomau humor na mesma altura...
Outra coisa muito importante: devemo-nos acostumar a pensar que nunca temos toda a razão. Pode-se dizer, inclusivamente, que, em assuntos desses, ordinariamente tão opináveis, quanto mais seguros estamos de ter toda a razão, tanto mais certo é que não a temos. Discorrendo deste modo, torna-se depois mais fácil rectificar e, se for preciso, pedir perdão, que é a melhor maneira de acabar com uma zanga. Assim se chega à paz e à ternura. Não vos animo a discutir, mas é natural que discutamos alguma vez com aqueles de quem mais gostamos, porque são os que habitualmente vivem connosco. Não vamos zangar-nos com o Preste João das Índias... Portanto, essas pequenas zangas entre os esposos, se não são frequentes - e é preciso procurar que não o sejam -, não demonstram falta de amor e até podem ajudar a aumentá-lo.
Um último conselho: que nunca se zanguem diante dos filhos. Para consegui-lo, basta que se ponham de acordo com uma palavra determinada, com um olhar, com um gesto. Discutirão depois, com mais serenidade, se não forem capazes de evitá-lo. A paz conjugal deve ser o ambiente da família, porque é condição necessária para uma educação profunda e eficaz. Que os filhos vejam nos seus pais um exemplo de entrega, de amor sincero, de ajuda mútua, de compreensão, e que as ninharias da vida diária não lhes ocultem a realidade de um afecto que é capaz de superar seja o que for.
As vezes tomamo-nos demasiado a sério. Todos nos aborrecemos de quando em quando, umas vezes porque é necessário, outras porque nos falta espírito de mortificação. O que importa é demonstrar que esses aborrecimentos não quebram o afecto, restabelecendo a intimidade familiar com um sorriso. Numa palavra, que marido e mulher vivam amando-se um ao outro e amando os filhos, porque assim amam a Deus.
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6. Muitos casais vêem-se desorientados em relação ao tema do número de filhos. Que aconselharia a estes casais?
Os que perturbam dessa maneira as consciências esquecem que a vida é sagrada e tornam-se merecedores das duras censuras do Senhor contra os cegos que guiam outros cegos, contra os que não querem entrar no Reino dos Céus e não deixam sequer entrar os outros. Não julgo as suas intenções e até estou certo de que muitos dão tais conselhos guiados pela compaixão e pelo desejo de solucionar situações difíceis; mas não posso ocultar o profundo desgosto que me causa esse trabalho destruidor - em muitos casos diabólico - de quem não só não dá boa doutrina, como a corrompe.
Não esqueçam os esposos, ao ouvir conselhos e recomendações nessa matéria, que o que importa é conhecer o que Deus quer. Quando há sinceridade - rectidão - e um mínimo de formação cristã, a consciência sabe descobrir a vontade de Deus, nisto como em tudo o mais. Porque pode suceder que se esteja a procurar um conselho que favoreça o próprio egoísmo, que cale, precisamente, com a sua pretensa autoridade, o clamor da própria alma e, inclusive, que se vá mudando de conselheiro, até encontrar o mais benévolo. Além do mais, isto é uma atitude farisaica, indigna de um filho de Deus.
O conselho de outro cristão, e especialmente - em questões morais ou de fé - o conselho do sacerdote, é uma ajuda poderosa para reconhecer o que Deus nos pede numa circunstância determinada; mas o conselho não elimina a responsabilidade pessoal. É cada um de nós que tem de decidir em última análise, e é pessoalmente que havemos de dar contas a Deus das nossas decisões.
Acima dos conselhos privados está a lei de Deus contida na Sagrada Escritura e que o Magistério da Igreja - assistido pelo Espírito Santo - guarda e propõe. Quando os conselhos particulares contradizem a Palavra de Deus tal como o Magistério a ensina, temos de afastar-nos decididamente desses conselhos erróneos. A quem procede com esta rectidão, Deus ajudá-lo-á com a sua graça, inspirando-lhe o que deve fazer e, quando o necessitar, levando-o a encontrar um sacerdote que saiba conduzir a sua alma por caminhos rectos e limpos, ainda que algumas vezes sejam difíceis.
O exercício da direcção espiritual não deve orientar-se no sentido de fabricar criaturas carecidas de juízo próprio, que se limitam a executar materialmente o que outrem lhes disse; pelo contrário, a direcção espiritual deve tender a formar pessoas de critério. E o critério pressupõe maturidade, firmeza de convicções, conhecimento suficiente da doutrina, delicadeza de espírito, educação da vontade.
É importante que os esposos adquiram o sentido claro da dignidade da sua vocação, saibam que foram chamados por Deus para atingir também o amor divino através do amor humano, que foram escolhidos, desde a eternidade, para cooperar com o poder criador de Deus, pela procriação e depois pela educação dos filhos, que o Senhor lhes pede que façam, do seu lar e de toda a sua vida familiar, um testemunho de todas as virtudes cristãs.
O matrimónio - não me cansarei nunca de o repetir - é um caminho divino, grande e maravilhoso e, como tudo o que é divino em nós, tem manifestações concretas de correspondência à graça, de generosidade, de entrega, de serviço. O egoísmo, em qualquer das suas formas, opõe-se a esse amor de Deus que deve imperar na nossa vida. Este é um ponto fundamental que é preciso ter muito presente a propósito do matrimónio e do número de filhos.
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7. Há mulheres que não se atrevem a comunicar a parentes e amigos a chegada de um novo filho. Temem as críticas daqueles que pensam que uma família com muitos filhos é coisa do passado. Que nos diria sobre isto?
Abençoo os pais que, recebendo com alegria a missão que Deus lhes confia, têm muitos filhos. Convido os casais a não estancarem as fontes da vida, a terem sentido sobrenatural e coragem para manter uma família numerosa, se Deus lha mandar.
Quando louvo a família numerosa, não me refiro à que é consequência de relações meramente fisiológicas, mas à que é fruto do exercício das virtudes cristãs, à que tem um alto sentido da dignidade da pessoa, à que sabe que dar filhos a Deus não consiste só em gerá-los para a vida natural, mas que exigem também uma longa tarefa educadora: dar-lhes a vida é a primeira coisa, mas não é tudo.
Pode haver casos concretos em que a vontade de Deus - manifestada pelos meios ordinários - esteja precisamente em que uma família seja pequena. Mas são criminosas, anticristãs e infra-humanas, as teorias que fazem da limitação da natalidade um ideal ou um dever universal ou simplesmente geral.
Seria adulterar e perverter a doutrina cristã, querer apoiar-se num pretenso espírito pós-conciliar para ir contra a família numerosa. O Concílio Vaticano II proclamou que entre os cônjuges, que assim cumprem a missão que lhes foi confiada por Deus, são dignos de menção muito especial os que, de comum acordo e reflectidamente, se decidem com magnanimidade a aceitar e a educar dignamente uma prole mais numerosa (Const. past. Gaudium et spes, n.º 50). E Paulo VI, numa alocução pronunciada em 12 de Fevereiro de 1966, comentava: que o Concílio Vaticano II, recentemente concluído, difunda nos esposos cristãos o espírito de generosidade para dilatarem o novo Povo de Deus... Recordem sempre que essa dilatação do Reino de Deus e as possibilidades de penetração da Igreja na humanidade para levar a salvação - a eterna e a terrena - estão confiadas também à sua generosidade.
O número não é por si só decisivo. Ter muitos ou poucos filhos não é suficiente para que uma família seja mais ou menos cristã. O que importa é a rectidão com que se vive a vida matrimonial. O verdadeiro amor mútuo transcende a comunidade de marido e mulher e estende-se aos seus frutos naturais, os filhos. O egoísmo, pelo contrário, acaba por rebaixar esse amor à simples satisfação do instinto, e destrói a relação que une pais e filhos. Dificilmente haverá quem se sinta bom filho - verdadeiro filho - de seus pais, se puder vir a pensar que veio ao mundo contra a vontade deles, que não nasceu de um amor limpo, mas de uma imprevisão ou de um erro de cálculo.
Dizia eu que, por si só, o número de filhos não é determinante. Contudo, vejo com clareza que os ataques às famílias numerosas provêm da falta de fé, são produto de um ambiente social incapaz de compreender a generosidade, um ambiente que tende a encobrir o egoísmo e certas práticas inconfessáveis com motivos aparentemente altruístas. Dá-se o paradoxo de que os países onde se faz mais propaganda do controlo da natalidade - e a partir dos quais se impõe a sua prática a outros países - são precisamente aqueles que alcançaram um nível de vida mais elevado. Talvez se pudessem tomar a sério os seus argumentos de carácter económico e social, se esses mesmos argumentos os levassem a renunciar a uma parte da opulência de que gozam, a favor dessas pessoas necessitadas. Enquanto o não fizerem, torna-se difícil não pensar que, na realidade, o que determina esses argumentos é o hedonismo e uma ambição de domínio político e de neocolonialismo demográfico.
Não ignoro os grandes problemas que afligem a humanidade, nem as dificuldades concretas com que pode deparar uma família determinada. Penso nisto com frequência e enche-se de piedade o coração de pai que, como cristão e como sacerdote, tenho obrigação de ter. Mas não é lícito procurar a solução por esses caminhos.
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8. A infecundidade matrimonial – e a frustração que pode trazer consigo – é, por vezes, fonte de desavenças e incompreensões. Na sua opinião, que sentido devem dar ao casamento os esposos cristãos que não têm descendência?
Em primeiro lugar, dir-lhes-ei que não devem dar-se por vencidos com demasiada facilidade. É preciso pedir a Deus que lhes conceda descendência, que os abençoe - se for essa a sua vontade - como abençoou os Patriarcas do Antigo Testamento. Depois, é conveniente que recorram a um bom médico, elas e eles. Se, apesar de tudo, o Senhor não lhes dá filhos, não devem ver nisso nenhuma frustração, devem ficar satisfeitos, descobrindo nesse facto precisamente a Vontade de Deus em relação a eles. Muitas vezes, o Senhor não dá filhos porque pede mais. Pede que se tenha o mesmo esforço e a mesma entrega delicada ajudando o próximo, sem o júbilo bem humano de ter tido filhos. Não há, pois, motivo para se sentirem fracassados, nem para dar lugar à tristeza.
Se os esposos têm vida interior, compreenderão que Deus os insta, levando-os a fazer da sua vida um generoso serviço cristão, um apostolado diferente do que realizariam com os seus filhos, mas igualmente maravilhoso.
Que olhem à sua volta, e descobrirão imediatamente pessoas que necessitam de ajuda, de caridade e de carinho. Há, além disso, muitas ocupações apostólicas em que podem trabalhar. E, se sabem pôr o coração nessa tarefa, se se sabem dar generosamente aos outros, esquecendo-se de si próprios, terão uma fecundidade esplêndida, uma paternidade espiritual que encherá a sua alma de verdadeira paz.
As soluções concretas podem ser diferentes em cada caso, mas, no fundo, todas se reduzem a ocupar-se dos outros com afã de servir, com amor. Deus recompensa sempre aqueles que têm a generosa humildade de não pensarem em si mesmos, dando às suas almas uma profunda alegria.
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9. Há casais que por situações degradantes e insustentáveis se separaram. Nestes casos, têm dificuldade em aceitar a indissolubilidade matrimonial e lamentam que lhes seja negada a possibilidade de constituir um novo lar. Que resposta daria ante estas situações?
Diria a essas mulheres, compreendendo o seu sofrimento, que também podem ver nessa situação a Vontade de Deus, que nunca é cruel, porque Deus é Pai amoroso. É possível que por algum tempo a situação seja especialmente difícil, mas, se recorrerem ao Senhor e à sua Santa Mãe, não lhes faltará a ajuda da graça.
A indissolubilidade do matrimónio não e um capricho da Igreja e nem sequer uma mera lei positiva eclesiástica. É de lei natural, de direito divino, e corresponde perfeitamente à nossa natureza e à ordem sobrenatural da graça. Por isso, na imensa maioria dos casos, é condição indispensável de felicidade dos cônjuges, e de segurança, mesmo espiritual, para os filhos. E sempre - ainda nesses casos dolorosos de que falámos - a aceitação rendida da vontade de Deus traz consigo uma profunda satisfação, que nada pode substituir. Não é um recurso, não é uma simples consolação, é a essência da vida cristã.
Se essas mulheres já têm filhos a seu cargo, hão-de ver nisso uma exigência contínua de entrega amorosa, maternal, então especialmente necessária para suprir nessas almas as deficiências de um lar dividido. E hão-de entender generosamente que essa indissolubilidade, que para elas implica sacrifício, é para a maior parte das famílias uma defesa da sua integridade, algo que enobrece o amor dos esposos e impede o desamparo dos filhos.
Este assombro em face da aparente dureza do preceito cristão da indissolubilidade não é novo. Os Apóstolos estranharam quando Jesus o confirmou. Pode parecer uma carga, um jugo; mas o próprio Cristo disse que o seu jugo é suave e a sua carga leve.
Por outro lado, reconhecendo embora a inevitável dureza de bastantes situações - as quais, em não poucos casos, se poderiam e deveriam ter evitado -, é necessário não dramatizar demasiado. A vida de uma mulher nessas condições será realmente mais dura que a de outra mulher maltratada, ou que a vida de quem padece algum dos outros grandes sofrimentos físicos ou morais que a existência traz consigo?
O que verdadeiramente torna uma pessoa infeliz - e até uma sociedade inteira - é essa busca ansiosa de bem-estar, o cuidado de eliminar, seja como for, tudo o que nos contrariar. A vida apresenta mil facetas, situações diversíssimas, umas árduas, outras, talvez só na aparência, fáceis. A cada uma delas corresponde a sua própria graça; cada uma é uma chamada original de Deus, uma ocasião inédita de trabalhar, de dar o testemunho divino da caridade. A quem sentir a angústia de uma situação difícil, eu aconselharia que procurasse também esquecer-se um pouco dos seus próprios problemas para se preocupar com os problemas dos outros. Fazendo isto, terá mais paz e, sobretudo, santificar-se-á.
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10. Fala da unidade familiar como sendo de um grande valor. Como é que o Opus Dei não organiza actividades de formação espiritual onde possam participar marido e mulher?
Nisto, como em tantas outras coisas, nós os cristãos temos a possibilidade de escolher entre várias soluções, de acordo com as preferências ou opiniões próprias, sem que ninguém possa pretender impor-nos um sistema único. É preciso fugir, como da peste, dessa maneira de conceber a pastoral e, em geral, o apostolado, que não parece mais do que uma nova edição, corrigida e aumentada, do partido único na vida religiosa.
Sei que há grupos católicos que organizam retiros espirituais e outras actividades formativas para casais. Parece-me muitíssimo bem que, usando da sua liberdade, façam o que consideram conveniente e que também vão a essas actividades os que encontram nelas um meio que os ajuda a viver melhor a sua vocação cristã. Mas considero que não é essa a única possibilidade e nem sequer é evidente que seja a melhor.
Há muitas facetas da vida eclesial que os casais, e inclusivamente toda a família, podem e, às vezes, devem viver juntos, como seja a participação no Sacrifício Eucarístico e em outros actos do culto. Penso, no entanto, que determinadas actividades de formação espiritual são mais eficazes se a elas forem separadamente o marido e a mulher. Por um lado, afirma-se mais o carácter fundamentalmente pessoal da própria santificação, da luta ascética, da união com Deus, que depois reverterá a favor dos outros, mas onde a consciência de cada um não pode ser substituída. Por outro lado, assim é mais fácil adequar a formação às exigências e às necessidades pessoais de cada um, e inclusivamente à sua própria psicologia. Isto não quer dizer que, nessas actividades, se prescinda do estado matrimonial dos assistentes - nada mais longe do espírito do Opus Dei.
Há quarenta anos que venho dizendo de palavra e por escrito que cada homem, cada mulher, tem de se santificar na sua vida habitual, nas condições concretas da sua existência quotidiana; que, portanto, os esposos têm de se santificar vivendo com perfeição as suas obrigações familiares. Nos retiros espirituais e em outros meios de formação que o Opus Dei organiza e aos quais assistem pessoas casadas, procura-se sempre que os esposos tomem consciência da dignidade da sua vocação matrimonial e que com a ajuda de Deus se preparem para vivê-la melhor.
Em muitos aspectos, as exigências e as manifestações práticas do amor conjugal são diferentes para o homem e para a mulher. Com meios de formação específicos, pode-se ajudar cada um a descobri-los eficazmente na realidade da sua vida, de modo que essa separação de umas horas ou de uns dias fá-los estar mais unidos e amarem-se mais e melhor ao longo de todo o outro tempo, com um amor também cheio de respeito.
Repito que nisto não pretendemos sequer que o nosso modo de actuar seja o único bom, ou que toda a gente o deva adoptar. Parece-me simplesmente que dá muito bons resultados e que há razões sólidas - além de uma longa experiência - para proceder assim, mas não ataco a opinião contrária.
Além disso, devo dizer que, se no Opus Dei seguimos este critério para determinadas iniciativas de formação espiritual, em variadíssimas actividades de outro género os casais participam e colaboram como tais. Penso, por exemplo, no trabalho que se faz com os pais dos alunos em colégios dirigidos por membros do Opus Dei, nas reuniões, conferências, tríduos, etc., especialmente dedicados aos pais dos estudantes que vivem em Residências dirigidas pela Obra.
Como vê, quando a natureza da actividade requer a presença do casal, são marido e mulher quem participa nestes trabalhos. Mas este tipo de reuniões e iniciativas é diferente dos que se dirigem directamente à formação espiritual pessoal.
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Capítulo sobre o matrimónio (1601 a 1666), no Catecismo da Igreja Católica
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