segunda-feira, 14 de julho de 2014

O jovem e a família: é possível um diálogo?

O jovem e a família: é possível um diálogo?



 

‘‘ O silêncio pode calar destinos, as palavras ditas na hora certa, sobretudo por pessoas
amadas, pode trazer soluções ou mesmo salvar vidas.’’
Virginia Schall
 
O diálogo, a partilha de experiência, a troca de idéias, o planejarem juntos, o expor os desejos,… são essenciais para uma vivência harmoniosa em qualquer relacionamento, seja ele de trabalho, com amigos, com a família,… Principalmente que seja uma comunicação clara e direta. Este é um dos meios para gerar confiança e afeto, assegurando a compreensão e a união.
Na família, acima de tudo no mundo de hoje, é necessário o diálogo, a comunicação entre todos os membros. E em especial entre pais e filhos jovens, pois ao entrar na adolescência, o filho (a) sai da proteção dos pais, e vai para a sociedade, deparando-se, na maioria das vezes, com um mundo diferente do que tinha em casa, na proteção e educação familiar. Também neste período da vida, acontece um momento delicado na formação da personalidade, pois o jovem está buscando entender as modificações de seu corpo, de suas emoções, está buscando perceber suas aptidões,… e tudo isso gera conflitos consigo mesmo, com quem convive e com a sociedade.
Perceptivelmente, podemos afirmar que vivemos em uma sociedade onde há uma crise de valores e com violência desmedida. E quando o jovem projeta-se neste mundo, se não há o diálogo na família, pode acontecer que o mesmo se lance, de forma inconseqüente neste mundo, adotando para si posturas e atitudes que não geram vida.
O dialogo salutar entre os pais e filhos é um ótimo remédio para auxiliar o jovem a sanar suas incertezas, suas dores, suas dúvidas. Ajuda o jovem a entender as mudanças que estão ocorrendo em sua vida, na sociedade, no mundo.
Este diálogo salutar auxilia na busca do equilíbrio que o jovem procura encontrar entre a liberdade que lhe está sendo oferecida – o caminhar com seus próprios passos, e o sair da proteção que os pais lhe ofereciam ou oferecem.
Para acontecer este diálogo salutar percebemos que deve acontecer a abertura tanto por parte dos pais como dos filhos, pois se um dos lados não se abre para o diálogo pode acontecer o conflito. Mas mesmo gerando o conflito, não pode haver a desistência, o silêncio, o isolamento. Deve-se sim, de forma serena, sem agressões verbais, buscar com equilíbrio a comunicação, onde aconteça o “ouvir” e o “falar”, e de forma madura chegar a um consenso, a um agir sadio. Destacamos que neste processo de diálogo quem, na maioria das vezes, deve realizar este movimento de procura são os pais, pois a experiência e a maturidade devem ser fatores que falem mais alto, que inspirem a humildade da procura, a tolerância e a paciência, que ajudam a abrir caminhos da reconquista e de novos encontros.
Portanto, busquemos na família manter o diálogo de forma serena, madura, onde cada um abra seu coração, expondo seus desejos, suas frustrações, seus encantos, seus sentimentos,… Temos consciência que a família não é perfeita, mas é o espaço onde buscamos sempre mais nos amar, nos entregar, e acima de tudo nos perdoar. E neste espaço é possível manter um diálogo salutar e maduro.
 
Ir. Sônia Estela Agostini SDS - Religiosa Salvatoriana


PAI HOJE

PAI HOJE





É importante refletir sobre a figura do pai na Semana da Família. Não basta celebrar o “Dia dos Pais” se não pensamos na revitalização de seu compromisso paterno hoje. É hora de olhar para a figura de José, o pai de Jesus e sua ação na Família de Nazaré. Nele encontramos todas as qualidades essenciais para ser um bom pai.

A Palavra de Deus fala de estar com os “rins cingidos e as lâmpadas acesas” (Lc. 12, 35). Também do dono de uma casa que está sempre preparado para uma possível chegada de ladrões. Assim deve ser quem vai ser ou é pai, alguém que teve o cuidado de se preparar, buscando o caminho para uma boa formação no campo da missão paterna. Podemos dizer que ser pai é como encontrar uma pérola, uma condição de grandeza e de ser participante da missão criadora de Deus. Mas também é importante ter atitudes de carinho, influenciando grandemente na formação de caráter dos filhos. Gerar sem educar para a vida humana pode ser apenas um ato animalesco.

É falta de compromisso um pai abandonar mãe e filhos, deixando de contribuir com seu amor e bom exemplo. O bom pai é aquele que gera, cria, educa, ama, ensina e está sempre presente na vida do filho. Sabemos que isto não é fácil nos dias de hoje. A sociedade tem valorizado pouco a família, deixando os pais desarmados para a ação que é de responsabilidade deles. Recuperando a identidade da família e a missão dos pais, principalmente do pai, teremos um mundo melhor. Para isto é necessário equilíbrio entre o ser pai e o ser filho. Ambos precisam selecionar o que é melhor para a vida, não se deixando levar pelas maldades que chegam, especialmente via Internet.

É fundamental aprimorar alguns princípios que ajudam na direção da vida familiar, e que dependem muito da ação do pai. Entre eles destacamos: o conceito de vida, de honestidade, de colaboração, de fraternidade e alteridade. Que Deus abençoe todos os pais.

Fonte: http://www.cnbb.org.br/site/articulistas/dom-paulo-mendes-peixoto/12546-pai-hoje

quinta-feira, 4 de julho de 2013

“Pais são espelhos para os filhos” – Uma reflexão

               


 Pai...



  1. Não me dês tudo o que te peço. Às vezes meus pedidos querem apenas ser um teste, para ver o quanto posso pedir.
  2. Não grites comigo. Eu te respeito menos quando o fazes; e me ensina a gritar também, e eu não quero fazer isso.
  3. Não me dês ordens a todo o momento. Se, em vez de mandar, algumas vezes externasses teus desejos sob forma de pedidos, eu o faria mais rapidamente e com mais gosto.
  4. Cumpre as promessas que fazes, boas ou más. Se me prometes um prêmio, deves concedê-lo; assim como um castigo.
  5. Não me compares a ninguém, especialmente com meus irmãos. Se me colocas acima deles, alguém vai sofrer. Se me colocas abaixo, eu é que sofro.
  6. Não mudes de opinião a cada momento sobre o que devo fazer; pensa antes, mantendo a decisão.
  7. Deixa que eu faça, acertando ou errando; se fazes tudo por mim, serei eternamente dependente.
  8. Nunca pregues uma mentira nem me peças que eu o faça. Isso criará em mim um mal-estar e me fará perder a confiança em tudo o que afirmas.
  9. Quando te enganas em alguma coisa, admite-o francamente. Isso não te diminuirá a meus olhos; pelo contrário, te fará crescer, e eu aprenderei a assumir minhas faltas.
  10. Quando te dás conta de um problema meu, não digas que é bobagem, que o tempo corrige ou que não tens tempo. Eu preciso ser compreendido e ajudado.
  11. Trata-me com a mesma amizade e a mesma cordialidade com que tratas teus amigos. Pelo fato de pertencermos à mesma família, não significa que não possamos ser amigos também.
  12. Nunca me ordenes fazer uma coisa quando tu mesmo não a fazes. Eu aprendi a fazer sempre e apenas aquilo que tu fazes, e não aquilo que tu dizes.
  13. Ensina-me a amar e conhecer a mim próprio e a Deus. Tudo que me ensinarem a respeito de Deus, nunca entrará no meu coração e em minha cabeça, se tu não conheces nem amas esse mesmo Deus.
 
Autor desconhecido
 

Amor e sexo na vida conjugal

Amor e sexo na vida conjugal


A falta de atitude desgasta qualquer relacionamento


Dentre as muitas definições que arriscamos fazer sobre a palavra “amor”, nenhuma delas poderá ser eficaz se não houver o comprometimento das pessoas naquilo que lhes traz a realização mútua.

Algumas pessoas vivem seu relacionamento conjugal de maneira bastante turbulenta, com abusos, violência ou em situações de egoísmo que jamais poderiam ser estabelecidas num convívio, o qual tem como princípio o crescimento comum. Tal relacionamento, se assim permanecer, alcançará uma condição insustentável, fazendo com que um dos cônjuges opte pela separação, ainda que tenham se casado por amor.

Todavia, muitos casos de separação não acontecem somente pelas agressões sofridas por um dos cônjuges. Outras situações podem fazer com que os casais vivam a separação silenciosa, a qual facilmente poderá resultar no rompimento do compromisso conjugal ou permitir a abertura para relacionamentos paralelos, alegando que o amor e o encantamento do início tenham desaparecido entre eles.

Muito se comenta sobre a necessidade de o casal fazer o resgate do romantismo, mesmo tendo acumulado algumas dezenas de anos de vida conjugal. Mas o que eu tenho recebido como resposta é a dificuldade em recuperar tal sentimento devido às muitas “cinzas” surgidas sobre “as brasas” daquele amor que originou o casamento. Isso porque a falta de comprometimento e de atenção às outras queixas – inclusive no que diz respeito à vida sexual do casal – esvaziou-se ao longo do tempo.

Conhecemos as responsabilidades e os compromissos que envolvem a vida conjugal, aquilo que é o prático para a manutenção do lar e da família. Dessas atividades, parece ser prioritário tanto para as esposas quanto para os maridos o cumprimento de seus afazeres estabelecidos como metas do dia, mesmo que para isso eles tenham que aplicar todo seu esforço físico. Dentro dessa dinâmica própria da vida conjugal, os casais podem deixar-se envolver pelas muitas atividades que compreendem o seu dia a dia.

Contudo, é importante para eles se lembrarem de também valorizar outras atitudes que alimentam e fazem a manutenção do amor que desejam nutrir na relação entre homem e mulher, pois, se quando eles eram apenas namorados, foram capazes de fazer todas outras coisas e ainda disponibilizar de um tempo para se prepararem para a (o) namorada (o), hoje as manifestações de carinho para com o cônjuge precisam ter o mesmo grau de importância.

Os momentos de namoro entre os casados não podem acontecer ou serem esperados apenas nas ocasiões de celebração como aniversários de casamento ou em uma viagem, tampouco podem ficar presos a dias específicos da semana.

Se as inúmeras tarefas domésticas, tanto para o marido quanto para a esposa, roubam esses momentos, talvez fosse interessante para os cônjuges incluir, naquilo que é de suas ocupações, também a vivência da intimidade como parte integrante do relacionamento.

A falta de atitude para uma mudança desgasta qualquer relacionamento e, no caso do casamento, poderá minar até mesmo o desejo em trocar beijos mais calorosos ou criar outros momentos de sedução, os quais poderiam propiciar a intimidade.

As bases para esses momentos acontecem quando lembramos que o nosso cônjuge também tem desejos íntimos e espera vivê-los com quem se casou. Vale notar que tal momento, mais que extravasar a libido, deverá ser resultado de outros gestos que ratificam uma união, na qual, seus efeitos extrapolam no tempo e no contato físico. Tudo ganha um novo significado.

Assim, para evitar as famosas escapulidas ou justificativas como o cansaço, a falta de disposição, o sono, a preguiça e a mais conhecida de todas as desculpas – a dor de cabeça – para se esquivarem da intimidade conjugal, o casal optaria por aplicar também para a vida sexual o mesmo grau de interesse com que valorizam suas outras obrigações.

É certo que o trabalho, as obrigações com a família e o lazer são importantes, contudo há uma maneira própria de cada um fazer o cônjuge se sentir sempre o “número 1” como foi em tempos de namoro.

Um abraço!

Foto Dado Moura Dado Moura é membro aliança da Comunidade Canção Nova e trabalha atualmente na Fundação João Paulo II para o Portal Canção Nova como articulista. Autor do livro Relações sadias, laços duradouros e Lidando com as crises
Outros temas do autor: www.dadomoura.com

Matrimônio: entre crise e beleza



Matrimônio: entre crise e beleza


O verdadeiro problema atual não é a crise no casamento, mas sim a crise de fé, que não permite ao homem reconhecer a beleza do matrimônio e dos dons de Deus.


Roma, 07 de Agosto de 2013  Pe. Anderson Alves 

Fala-se muito ultimamente de casamento. Esse parece ser um direito de todos e, ao mesmo tempo, tem-se a impressão de que se sabe cada vez menos o que ele realmente é. Existem muitos casamentos que se rompem e é ainda maior o número de pessoas que não se decidem jamais a se casar.

A Palavra de Deus também fala muito do matrimônio, no contexto da revelação de Deus à família humana. Jesus ensina que o casamento é algo sagrado, um gesto com o qual um homem e uma mulher se tornam um só corpo e alma por toda a vida. E o Senhor sempre acolheu e abençoou as crianças, o fruto natural do casamento. Deus revela-se então como alguém que ama e abençoa as famílias; na verdade, ele quis que o homem viesse ao mundo através das famílias e Ele mesmo se fez homem no seio de uma família humana. O Deus que é único, grande e todo-poderoso fez-se criança em Jesus, vivendo por trinta anos, submetido a uma família.

O Evangelho fala-nos, sem dúvida, da santidade e indissolubilidade do matrimônio: aqueles que se casam, tornam-se uma só carne e nada pode separá-los. Mas estas palavras para nós, homens do século XXI, são fonte de certo desconforto e confusão. Sabemos que mais de 40% dos casamentos falham, e muitos querem considerar “direito” separar o que Deus uniu. Esta é uma verdadeira tragédia atual, que causa dor e sofrimento, especialmente nas crianças. O casamento parece ser uma escolha de poucos e algo sem nenhum valor. Nesta situação, as crianças são cada vez mais raras e chegam quase a desaparecer.

No entanto, se o homem olha para si mesmo, percebe que possui um grande desejo de amar outra pessoa totalmente, para ser feliz, fazendo outra pessoa feliz. Todo homem tem o desejo de doar-se totalmente, pois o amor ou é total ou simplesmente não existe. O amor exige a eternidade, a perfeita doação. Mas porque temos este desejo e, ao mesmo tempo, parece ser impossível de realizá-lo?

Este grande desejo existe, porque a nossa vida é um dom gratuito, recebido de Deus. Não viemos à existência por nós mesmos, mas por causa do amor de outras pessoas. Deus nos criou livre e gratuitamente, sem pedir nada em troca, porém isso se realizou através do amor de nossos pais. Por esta razão, o homem só pode ser realizado quando se entrega, doando a Deus e aos outros os bens recebidos.

Uma das maneiras – certamente não a única – de entregar-se totalmente a Deus e aos outros é o matrimônio. Os cônjuges que se amam, acima de tudo amam a Deus, fazem de suas vidas um dom recíproco, encontram um caminho para a felicidade e podem cooperar com Deus no poder único de gerar vidas. O verdadeiro amor é absoluto, exige a totalidade do tempo, a abertura à vida, o desejo de entregar-se para sempre. Aquele que ama verdadeiramente busca doar-se completamente, e quando o amor é doado, não se perde ou extingue, mas cresce e frutifica. O amor é destruído somente quando uma pessoa se casa pensando em fazer-se feliz e não descobre que só existe um caminho para a felicidade: buscar a felicidade da pessoa amada.

Além disso, Deus quis que o casamento fosse um Sacramento, um sinal sagrado que dá aos homens a capacidade de doar-se em um amor total e fecundo para toda a vida. “Nosso Salvador foi ao casamento de [Canaã] para santificar as origens da vida humana” [1]. E o Sacramento pressupõe a igualdade da dignidade de homem e mulher, assim como a complementaridade. O livro de Gênesis diz que Adão, após a criação, viu todos os animais e não encontrou nenhum que lhe fosse semelhante. Em seguida, o texto bíblico usa uma bela imagem poética: a mulher foi criada a partir de uma costela do homem. A imagem significa que a mulher é igual ao homem em dignidade. Ela não foi feita dos pés de Adão, porque não é inferior a ele; nem mesmo pode-se dizer que Deus tenha tirado o cérebro do homem para fazer a mulher. Deus a criou a partir da costela do homem, porque é a parte do corpo humano que está mais próxima ao coração. Assim, quando Adão viu Eva gritou de alegria: “Esta é, realmente, osso dos meus ossos e carne da minha carne. Ela será chamada mulher, porque foi tomada do homem” (Gn. 2, 22-23).

O Beato João Paulo II, comentando estes textos, disse que Deus criou todas as coisas com ordem, começando pelas mais simples, como a luz, a água, a terra, e terminou com as mais complexas: o homem e a mulher. Por conseguinte, a mulher é mais a criatura mais “perfeita” do universo e a mais complexa. Por esta razão, os homens são incapazes de entender as mulheres e o demônio quis tentar em primeiro lugar à mulher. Ele sabia que, uma vez destruída a dignidade da mulher, toda a criação viria à ruína. Ele agora usa a mesma estratégia: destruir a figura da mulher para pôr em crise toda a sociedade.

Homens e mulheres são semelhantes e estão ligados pelo coração; mas para permanecer fiel um ao outro necessitam de Deus, da sua graça, que é dada especialmente no dia em que recebem o Sacramento do matrimônio. A graça, porém, necessita ser alimentada diariamente, através da oração comum, da participação nos demais Sacramentos. O verdadeiro problema atual não é a crise no casamento, mas sim a crise de fé, que não permite ao homem reconhecer a beleza do matrimônio e dos dons de Deus. Quem se afasta de Deus, se esquece de que o homem é uma criatura que só se realiza através da doação livre e gratuita. Peçamos ao Senhor que as famílias cristãs sejam capazes de encontrar sua força em Deus e que os jovens não tenham medo de realizar o plano que Deus tem para eles.

NOTAS

[1] São Cirilo de Alexandria, In Ioannem Commentarius, 2, 1 [PG 73223].

Preparação remota - o exemplo dos pais é ponto de partida

Preparação remota - o exemplo dos pais é ponto de partida



O estilo cristão de vida, testemunhado pelos lares cristãos, é já uma evangelização, é o próprio fundamento da preparação remota


Há quinze dias, em nossa coluna (Edição do Zenit de 09 de Agosto) falávamos da necessidade de se planejar estrategicamente também para a formação de nossa família, pois assistimos (ou vivemos) a um grande desequilíbrio de valores onde vale tudo na incansável busca de sucesso profissional, financeiro e um futuro garantido.

Nesta maratona, posso dizer que a grande maioria dos católicos fazem da preparação para o matrimônio, assim como fazem da catequese, uma ação delegada unicamente à Igreja através das organizações diocesanas e paroquiais.

Sim, a Igreja assume importante fatia desta responsabilidade e para isto deve, além de fazer do matrimônio um tema constante em todos os seus momentos, organizar ocasiões estruturadas para a formação dos casais através da preparação próxima e imediata, que serão oportunamente aqui abordadas.

Mas o início desta construção deve ocorrer no seio da família, ainda distante da data do matrimônio, o que é chamado de preparação remota. É aí que as crianças percebem como seus pais são felizes e se esforçam para fazer viver o compromisso assumido com muita disposição e fé. "O estilo cristão de vida, testemunhado pelos lares cristãos, é já uma evangelização, é o próprio fundamento da preparação remota", nos afirma o documento Preparação para o Sacramento do Matrimônio, do Conselho Pontifício para a Família.

Fazendo um paralelo com o planejamento estratégico em uma corporação, o primeiro passo é mostrar aos colaboradores os valores daquela empresa, pois se eles não acreditam na proposta, não serão  motivados a doarem-se por ela. Por outro lado, o colaborador que é conquistado pela empresa, almeja seu futuro ali mesmo e investe seu potencial para se consolidar e crescer neste ambiente. Na família não é diferente, quando os filhos percebem que a vida de seus pais é um caminho de doação e realização para toda a família, com valores especiais e perenes, sentem-se motivados a trilhar o mesmo caminho. Note como é comum que os filhos, em sua primeira infância, sonhem com a carreira de seus pais.

Mas quando o tema é casamento, não é raro escutar brincadeiras infelizes até dentro dos lares católicos. Casamento? Uma prisão de luxo! Vai se enforcar?  Ou ainda expressões circulam de modo tão comum e nem analisamos, como: Ah, já orientei meu filho a primeiro curtir bastante a vida para depois se casar!

Querem dizer, então, que o casamento é o oposto de se curtir a vida?  Há ainda os pais católicos que não acreditam que o casamento é "até que a morte os separe", simplesmente dizendo: Filha, constrói a sua vida antes de casar, pois se não der certo...  Levando-se em conta que o matrimônio é um Sacramento, a mim, isto parece o mesmo que dizer a um seminarista: trabalha e faz seu patrimônio antes de ser ordenado...

Já não são muitos os que buscam o matrimônio e, como já comentou o Papa Francisco, talvez a metade dos que se casam não tenham real conhecimento do passo que dão. E como se não bastasse a clara campanha contra a família coordenada por fortes instituições, muitos cristãos, mesmo sem intenção de fazê-lo, incorporam a mentalidade antimatrimônio aos seus hábitos. Por estas e muitas outras não tenho qualquer receio em dizer que o matrimônio poderia ser objetivo de vida de muito mais pessoas se não houvesse a propaganda negativa feita pelos próprios cristãos.

Mais uma vez, o documento Preparação para o Sacramento do Matrimônio toca neste ponto ao comentar sobre como deve ser o comportamento dos pais: "Um tal estilo de vida cristã encontra o seu estímulo, apoio e consistência no exemplo dos pais que se torna para os nubentes um verdadeiro testemunho."

Os pais devem ser os primeiros responsáveis pela primeira etapa de preparação para o Matrimônio: a preparação remota. Para isto devem se dedicar para que seus matrimônios cresçam continuamente através da busca de formação e vida de oração, para que isto frutifique em vida de doação. Além do exemplo e ensinamento doméstico, também deve integrar seus filhos na vida da Igreja através de suas próprias participações ativas.Devem se planejar e se comprometer. Muitos são os grupos que ajudam nesta caminhada, como Pastoral Familiar, Encontro de Casais com Cristo, Movimento Familiar Cristão, Ministério das Famílias-RCC e vários outros. Em algum deles há um lugar esperando por sua família.

Se você é casado, lanço a pergunta: Qual foi o último livro que leu, com sólidas bases cristãs, para o crescimento de seu casamento? Se é solteiro, pergunto o que tem estudado para discernir ou consolidar sua vocação? Se é um presbítero ou um(a) consagrado(a), pergunto que ações de formação familiar tem promovido em sua comunidade?

Permita-me testemunhar o sentimento de um de nossos filhos. Ainda muito longe de sermos o que Deus espera de nós, ao menos o esforço por construir um lar e a alegria de viver em família são claramente percebidos por eles. Nosso primeiro filho, João Bosco, com 11 anos, há pouco tempo, perguntou: Mãe, quem ganha mais, um piloto ou um cientista? Minha esposa respondeu que não sabia exatamente, mas que qualquer profissão, seguida com carinho, lhe daria a realização. Ele respondeu: Não mamãe, não é por isso. É que quero saber se dá pra ter uns cinco filhos!

Dias depois, nossa quarta filha, Maria Paula, com 4 anos, sem ter presenciado a pergunta do João, também chegou comentando: Quando eu crescer vou ser mãe e ter cinco filhos!

Paz e bem!

André Parreira da diocese de São João del-Rei-MG, é autor de livros sobre a preparação para o matrimônio e responsável no Brasil pelo DVD "Sim, Aceito!", lançado em parceria com a Pastoral Familiar da CNBB. Empresário, casado e pai de 6 filhos, colabora na formação de jovens e casais.

A rotina que mata os relacionamentos Alguém precisa tomar a iniciativa!

A rotina que mata os relacionamentos

Alguém precisa tomar a iniciativa!



Quando falamos de rotina, trazemos à mente quase sempre o dia a dia de uma família, com todos os seus compromissos, realizados quase que de maneira mecânica. Contudo, esse mal afeta todos os relacionamentos, inclusive, alguns namoros com pouco tempo de duração ou outros que já estão se preparando para o casamento. 

Muita coisa já se passou, desde aquele momento em que o casal trocara os primeiros olhares. A conversa e os momentos românticos tomavam conta, praticamente, de todos os encontros dos apaixonados. As datas eram celebradas ao completar o aniversário do primeiro beijo, do primeiro ano de namoro e, assim, sucessivamente. Cada ocasião comemorada era marcada com presentes ou passeios para celebrar a memorável data. Vez ou outra, o namorado surpreendia a namorada ao buscá-la no trabalho com um telefonema fora de hora ou com qualquer outro tipo de gesto inesperado por ela. 

Depois de alguns anos, nos vemos num relacionamento estável – algo que sempre desejávamos ter – mas podemos perceber que alguns tratamentos parecem ter ficado “embolorados” com o tempo. Para os namorados, a rotina dos afazeres com os estudos, faculdade e trabalho pode ter se intensificado e, com ela, outras coisas talvez tenham se perdido ao longo do caminho. 

Muito mais suscetíveis aos efeitos malévolos da rotina estão aquelas pessoas que já estão casadas. Com o crescimento do relacionamento, vieram os filhos e, com eles, a necessidade de subdividirem o tempo com outras atividades. As obrigações domésticas passam a ser múltiplas, por essa razão, não será difícil para o casal se sentir sobrecarregado e exausto com as tarefas do dia a dia. Embora estejamos cumprindo, de maneira exemplar, todos os nossos compromissos, podem acontecer mudanças significativas na maneira como os nossos relacionamentos têm sido conduzidos.

Não importa o quanto dizemos amar nosso(a) namorado(a) ou cônjuge; quando a nossa agenda nos deixa muito ocupados, é fácil perdermos a atenção para os pequenos detalhes. Sejam casais ricos ou pobres, letrados ou não, se eles permitirem que o germe da falta de tempo de um para com outro contamine sua convivência, nenhum deles estará livre de viver o esvaziamento de seu relacionamento. Esse descuido pode levar o cônjuge a achar que, como casal, os dois já não têm mais nada em comum; pois embora vivendo sob o mesmo teto, dormindo na mesma cama, eles já não se sentem mais apaixonados.

Muito se fala que a rotina pode matar a saúde de um relacionamento e que, para garantir a durabilidade do nosso compromisso, é necessário fazer viagens ou outras coisas para quebrar aquele ritmo "viciado" no qual podemos nos encontrar. Não há duvida de que um passeio ou uma viagem de segunda lua de mel, para os casais, seja uma maneira de revitalizar suas energias. Entretanto, bem sabemos que nem todas as pessoas dispõem de condições financeiras para lançar mão desses artifícios. Por outro lado, que garantias teriam os casais de que, após uma longa viagem pela Europa, poderiam livrar o casamento da falência provocada pela monotonia? Com condições financeiras para fazer uma viagem ou simplesmente para tomar um sorvete na praça da cidade, o objetivo dos casais em sair da rotina deve estar no desejo de reviverem aqueles pequenos detalhes, os quais foram as centelhas dos primeiros encontros.

Então, aquelas emoções provocadas tanto na namorada, pela surpresa de encontrar uma mensagem no celular, como na esposa, ao ver colado no espelho do banheiro um bilhete apaixonado, podem despertar no casal o sentimento de que ainda podem ser românticos, seja num banco de um jardim ou no convés de um transatlântico.

A rotina pode matar um relacionamento, especialmente, quando o casal não consegue identificar aquilo que está sendo perdido entre eles. Mas alguém precisa tomar a iniciativa de romper com a “formatação” do convívio. Não tenha medo de viver essa competição, quando o objetivo é viver bem seu estado de vida.

Um abraço!



Foto Dado Moura

O VALOR DA SANTA MISSA PARA A FAMÍLIA

O VALOR DA SANTA MISSA PARA A FAMÍLIA



Consideramos de suma importância meditarmos e vivermos com intensidade o valor da Santa Missa em nossos lares. Pois como poderemos viver com sabedoria, equilíbrio e entendimento entre pais e filhos, se isto não nos for dado pelo Senhor? Ele deseja estar conosco, participar de nossas vidas, decisões e diálogos. Quer nos orientar para o melhor caminho, mas tudo depende de nossa abertura a acolher para o quê Ele nos orienta.
É sempre fácil seguir o caminho do Senhor? Sabemos que não, temos nossas lutas e às vezes desanimamos em meio ao mundo que quer nos arrastar para tantas outras coisas, mas desistir será o melhor?
Em tantas coisas não sabemos o que dizer e como a agir, mas a Palavra saberá nos orientar. Para tanto é preciso que permitamos que Deus seja o Mestre e Senhor em nossa casa. Se o permitimos Ele nos educa e com certeza tomaremos decisões acertadas.

Muitas vezes também queremos que tudo se resolva de uma hora para outra. A velocidade alucinante do mundo não deve se antepor em nossas decisões, especialmente as mais importantes. Ore, pense e decida com tranquilidade.
Um Padre falando da importância da Missa para a família disse em uma de suas homilias: "A Eucaristia é o banquete da família!" Conseguimos mergulhar na profundidade desta frase? Se o próprio Cristo que se faz presente num pedaço de pão na Santa Missa é o Banquete, ou seja, o que há de melhor, como poderei eu e minha casa ficarmos sem a Santa Eucaristia? Como poderei eu conduzir bem minha vida sem o Meu Senhor comigo? Como poderei dar o melhor aos da minha casa, se Ele não está resplandecendo Seu Rosto em mim?

 
Banquete, é a melhor das refeições! E especial, pois quando queremos fazer para os nossos, não é de qualquer modo que preparamos. É para ocasiões festivas. Sendo assim, a Santa Missa é especial, é uma festa! Ao mesmo tempo que celebramos o sacrifício de Jesus, também contemplamos Sua Glória que vence a morte para nos salvar, para nos levar todos para o Pai.
Irmãos e irmãs, Deus nos quer tanto! Nos ama tanto! Como poderemos desprezá-lo? Como poderá Ele preparar um Banquete e nós não irmos?

 
Participemos com amor e fervor da Santa Missa e cultivemos em nossos filhos a paixão por Cristo e pela Igreja!

Família Silva de Oliveira