segunda-feira, 19 de maio de 2014

O ROSÁRIO PELA FAMÍLIA

O ROSÁRIO PELA FAMÍLIA
CARDEAL ALFONSO LÓPEZ TRUJILLO
PRESIDENTE DO PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A FAMÍLIA
  

Na recente Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, o Santo Padre João Paulo II quis exortar mais uma vez as famílias cristãs à oração no lar doméstico com a recitação do Rosário:  "é preciso voltar a rezar em família e rezar pelas famílias, usando ainda esta forma de oração" (n. 41). Já no final do Grande Jubileu ele tinha afirmado:  "é necessário que a escuta da Palavra se torne um encontro vital na antiga e sempre válida tradição da lectio divina, que permite recolher no texto bíblico a palavra viva que interpela, orienta, plasma a existência... é preciso acender de novo em nós o impulso das origens, deixando-nos  invadir  pelo  fervor  da  oração apostólica que se seguiu ao Pentecostes (cf. Novo millennio ineunte, ns. 39 e 40).
Trata-se, antes de mais, de reactualizar, não só na forma, mas sem dúvida no espírito, aquela espiritualidade viva e fervorosa com que se distinguiam as reuniões, feitas em casa, das primeiras comunidades cristãs. De facto, os primeiros discípulos "reuniam-se todos os dias no templo e repartiam o pão em casa... louvando a Deus (Act 2, 46). Em virtude deste testemunho, "aqueles que estavam fora, sentiam-se atraídos e pediam para se juntarem a eles a fim de serem salvos" (Act2, 48).
Esta dimensão familiar da oração e do culto cristão tem as suas raízes na experiência de fé do povo da antiga aliança, da qual a comunidade cristã é herdeira. De facto, sabemos que a ceia pascal se realizava em casa e tinha como protagonista a família.
A vaga de secularismo que atravessou a vida das nossas comunidades nos últimos decénios, determinou uma crise profunda também no âmbito da família e, por conseguinte, como expressão de comunhão e como fonte indispensável para a missão que ela está chamada a desempenhar na Igreja e na sociedade.
Face a este dado preocupante, os Pastores destes últimos séculos não deixaram de recomendar a prática piedosa do Rosário, definido pelo Papa Pio XII "o compêndio de todo o Evangelho", para suplicar ao Senhor, dador de todos os bens, pela intercessão da Bem-aventurada Virgem, Rainha do Rosário, os dons da fé e da paz entre as famílias e entre as nações.
Sabemos bem como a piedade mariana está radicada no coração do Sucessor de Pedro. Colocou o seu ministério sob a sua protecção, "Totus tuus", e sabemos como o Rosário ocupa um lugar privilegiado nas suas devoções. É uma imagem habitual vê-lo com o Rosário entre os dedos. A sua preocupação é a difusão do Rosário e o recomeço desta venerável devoção do Rosário, especialmente nos lares domésticos.
O Rosário, na sua simplicidade e profundidade, atinge o centro da experiência cristã no diálogo de fé expresso na oração. Tem um grande poder evangelizador:  os membros da família são capazes de contemplar os núcleos centrais da fé através dos mistérios, aos quais se juntaram agora os mistérios da luz, nos quais se convida a reflectir sobre as bodas de Caná e sobre o começo de uma nova família. Podemos dizer que no Pai-Nosso e na Ave-Maria encontramos uma síntese através da qual circula uma dinâmica e eficaz transmissão da fé que, por sua vez, fortalece a experiência da comunidade doméstica numa união especial, que é também ajuda poderosa para que ela seja firme e estável diante do Senhor da Aliança.
Com esta Carta sobre o Rosário o Santo Padre atingiu o coração dos fiéis. Com efeito, a recitação do Rosário não só "conduz ao próprio centro da vida cristã, oferecendo uma oportunidade espiritual e pedagógica para a contemplação pessoal tão ordinária quanto fecunda" (n. 3), mas faz recuperar "também a capacidade de se olhar sempre de novo  nos  olhos,  para  comunicar,  solidarizar, para se perdoar reciprocamente, para partir de novo com um pacto de amor renovado pelo espírito de Deus" (cf. n. 41).
A recitação do Rosário em família reproduz o clima espiritual da casa de Nazaré, "porque nele Jesus está no centro, partilham-se com ele alegrias e sofrimentos, são-lhe confiadas as necessidades e os projectos, obtêm-se dele a esperança e a força para o caminho" (cf. n. 41). De facto, ali, como disse Paulo VI na sua peregrinação a Nazaré, aprende-se "a perseverar nos bons pensamentos, meditar a vida interior, prontos para ouvir bem as inspirações secretas de Deus e as exortações dos verdadeiros mestres (Ensinamentos de Paulo VI, II, 1964, pág. 24).
Esta oração serve também para neutralizar as mensagens mais variadas que desorientam e as experiências mais imprevisíveis que se verificam na vida dos filhos; experiências que se tornam angústias para os pais face aos riscos que os jovens correm no seu itinerário de crescimento, o momento de oração do Rosário é sem dúvida uma ajuda espiritual para a solução de tantos problemas; de facto, ele protege de muitas tentações e dificuldades. Como foi afirmado nasConclusões da XV Assembleia Plenária deste Conselho para a Família, vive-se hoje uma situação marcada "pelo receio do compromisso, da prática da co-habitação, da banalização do sexo, segundo a expressão de João Paulo II. Estilos de vida, modas, espectáculos e telenovelas põem em dúvida o valor do matrimónio; chegam até a difundir a ideia de que o dom recíproco dos esposos até à morte é impossível; debilitam a instituição familiar e chegam a desqualificá-la em benefício de outros modelos de pseudofamília". De facto, o mesmo documento deplora "a invasão por parte de um individualismo radical de numerosas esferas da actividade humana:  vida económica, concorrência desumana, competição em todos os campos, desprezo dos marginalizados, etc.". Face a estes problemas, um elemento fundamental e insubstiuível é o recurso à oração, o testemunho vivo dos pais. Como afirma o Santo Padre na Familiaris consortio "só rezando em conjunto com os filhos, o pai e a mãe, enquanto cumprem o próprio sacerdócio real, entram na profundidade do  coração  dos  filhos,  deixando  marcas que os acontecimentos futuros da vida não conseguirão fazer desaparecer" (n. 60).
Como se sabe, uma finalidade importante da oração da igreja doméstica é construir, para os filhos, a introdução natural à oração litúrgica própria de toda a igreja, tanto no sentido de preparar para ela, como de a alargar ao âmbito da vida familiar e social (cf. FC, n. 61); desta forma a oração em família não representa uma evasão do compromisso civil, mas constitui um forte estímulo para que a família cristã cumpra em plenitude todas as suas responsabilidades de célula primária e fundamental da sociedade humana.
Desta forma, a oração fortalece a solidez e a união espiritual da família, contribuindo para fazer com que ela participe na fortaleza de Deus. De facto, toda a força do Rosário reside na sua índole evangélica e na sua orientação nitidamente cristológica, porque nos faz considerar de maneira própria e específica os principais acontecimentos da salvação que se realizaram em Cristo, vistos através do coração de Maria, a que esteve mais próxima do Senhor Jesus. Com efeito, a sua característica é a contemplação, sem a qual o Rosário é como um corpo sem alma; os elementos típicos são constituídos pela imploração do Pai-Nosso, pelo louvor na sucessão litânica das Ave-Marias, pela adoração da doxologia Gloria ao Pai. Caracteriza-se também pela simplicidade que favorece aquele ritmo tranquilo, quase que uma espera pensativa que favorece a meditação. Como disse João Paulo II; "alimento fecundo da piedade pessoal, o Rosário é, num certo sentido, a oração típica da família cristã... Na recitação do Rosário a Igreja saboreia a própria unidade, goza da circulação dos afectos, eleva-se à contemplação do divino, coloca nesta dimensão superior as próprias necessidades, as angústias e as conquistas da vida quotidiana" (Ensinamentos de João Paulo II, VII, 2, 1984, pág. 824).
Deste fervoroso espírito evangélico, da contemplação dos mistérios da nossa redenção, neste Ano do Rosário (Outubro de 2002 Outubro de 2003), esperamos um renovado compromisso para que a preparação dos noivos inclua um maior testemunho na fidelidade aos compromissos definitivos que eles estão para assumir diante de Deus e dos homens; os educadores, os directores espirituais e os casais cristãos ajudem os jovens a descobrir em si mesmos um amor autêntico, com tudo o que isto exige de sentimento, de afeição, de paixão e também de razão; a mensagem da Igreja sobre a paternidade responsável seja compreendida e melhor aceite e também a atenção particular que deve ser prestada aos filhos provenientes de lares destruídos seja prestada com solicitude amorosa.
Assim a própria pastoral familiar poderá oferecer aos casais ao longo da sua vida conjugal possibilidades e oportunidades de regresso às origens e de reflexão, sobretudo nos momentos de recolhimento, como o da recitação do Rosário; além disso, fará com que a festa da Sagrada Família ou de outras celebrações em que se encontram os casais desejosos de renovar na igreja os seus compromissos matrimoniais, tenham um significado que deixem uma marca no seu percurso espiritual. Sob esta luz, nos eventuais momentos de crise, todas as ajudas que foram recordadas pelo Santo Padre nesta Carta Apostólica, poderão contribuir para resolver as tensões e permitirão que os esposos voltem às fontes do seu amor inicial. Eles saberão ir buscar ao sacramento do matrimónio energias para despertar os grandes ideais que devem orientar as suas relações e superar as dificuldades.
Foi neste sentido que o beato Bártolo Longo afirmou:  "quem difunde o Rosário está salvo". Faz-lhe eco João Paulo II quando afirma:  "o relançamento do Rosário nas famílias cristãs, no âmbito de uma pastoral da família mais vasta, propõe-se como ajuda eficaz para reter os efeitos devastadores desta crise epocal" (n. 6).
Um escritor dizia que em cada família nas nações evangelizadas, ao anoitecer, surgia, como uma sinfonia, a recitação do Rosário. Porque não nos empenhamos para que aquele testemunho volte, invadindo a igreja doméstica com a Palavra que todos podem saborear, partilhando-a com os filhos como o pão, numa atitude que evangelize uma sociedade que corre o risco de se tornar insensível e de se afastar de Deus?
"Tal como uma mãe ensina os seus filhos a falar e, dessa forma, a compreender e a comunicar, a Igreja, nossa Mãe, ensina-nos a linguagem da fé, para nos introduzir na inteligência e na vida da fé"(CIC 171). Isto verifica-se também na recitação do Rosário.


domingo, 18 de maio de 2014

Bento XVI sobre as famílias

Matrimónio e família não são, na realidade, uma construção sociológica casual, fruto de particulares situações históricas e económicas. Ao contrário, a questão da justa relação entre o homem e a mulher afunda as suas raízes dentro da essência mais profunda do ser humano e pode encontrar a sua resposta só a partir dela. Isto é, não pode estar separada da pergunta antiga e sempre nova do homem sobre si mesmo: quem sou? O que é o homem? E esta pergunta, por sua vez, não pode ser separada da interrogação acerca de Deus: Deus existe? E quem é Deus? Qual é verdadeiramente o seu rosto? A resposta da Bíblia a estas duas interrogações é unitária e consequencial: o homem é criado à imagem de Deus, e o próprio Deus é amor. Por isso a vocação para o amor é aquilo que faz com que o homem seja a autêntica imagem de Deus: ele torna-se semelhante a Deus na medida em que ama.
Deste vínculo fundamental entre Deus e o homem tem origem outro: o vínculo indissolúvel entre espírito e corpo: de facto, o homem é alma que se exprime no corpo e corpo que é vivificado por um espírito imortal. Também o corpo do homem e da mulher tem, por conseguinte, por assim dizer, um carácter teológico, não é simplesmente corpo, e o que é biológico no homem não é só biológico, mas expressão e cumprimento da nossa humanidade. De igual modo, a sexualidade humana não está ao lado do nosso ser pessoa, mas pertence-lhe. Só quando a sexualidade se integra na pessoa, consegue dar um sentido a si mesma.
Assim, dos dois vínculos, do homem com Deus e, no homem, do corpo com o espírito, brota um terceiro: o vínculo entre pessoa e instituição. A totalidade do homem inclui de facto a dimensão do tempo, e o "sim" do homem é um ir além do momento presente: na sua inteireza, o "sim" significa "sempre", constitui o espaço da fidelidade. Só dentro dele pode crescer aquela fé que dá um futuro e permite que os filhos, fruto do amor, creiam no homem e no seu futuro em tempos difíceis. Por conseguinte, a liberdade do "sim" revela-se liberdade capaz de assumir o que é definitivo: a maior expressão da liberdade não é então a busca do prazer, sem jamais alcançar uma verdadeira decisão. Aparentemente esta abertura permanente parece ser a realização da liberdade, mas não é verdade: a verdadeira expressão da liberdade é a capacidade de decidir por uma doação definitiva, na qual a liberdade, doando-se, se reencontra plenamente a si mesma.
Em concreto, o "sim" pessoal e recíproco do homem e da mulher abre o espaço para o futuro, para a autêntica humanidade de cada um, e ao mesmo tempo está destinado à doação de uma nova vida. Por isso, este "sim" pessoal não pode deixar de ser um "sim" também publicamente responsável, com o qual os cônjuges assumem a responsabilidade pública da fidelidade que garante também o futuro para a comunidade. Com efeito, nenhum de nós pertence exclusivamente a si mesmo: portanto, cada um está chamado a assumir no mais íntimo de si a própria responsabilidade pública. O matrimónio como instituição não é, por conseguinte, uma ingerência indevida da sociedade ou da autoridade, a imposição externa de uma forma na realidade mais privada que é a vida; ao contrário, é exigência intrínseca do pacto de amor conjugal e da profundidade da pessoa humana.

"A verdade do matrimônio e da família, que afunda as suas raízes na verdade do homem, encontrou atuação na história da salvação, em cujo centro está a palavra: "Deus ama o seu povo". A revelação bíblica, de facto, é antes de tudo expressão de uma história de amor, a história da aliança de Deus com os homens: por isso, a história do amor e da união de um homem e de uma mulher na aliança do matrimônio pôde ser assumida por Deus como símbolo da história da salvação. O facto inexprimível, o mistério do amor de Deus pelos homens, recebe a sua forma linguística do vocabulário do matrimônio e da família, em positivo e em negativo: de facto, o aproximar-se de Deus ao seu povo é apresentado na linguagem do amor esponsal, enquanto que a infidelidade de Israel, a sua idolatria, é designada como adultério e prostituição." Bento XVI

No Novo Testamento Deus radicaliza o seu amor até se tornar Ele mesmo, no seu Filho, carne da nossa carne, verdadeiro homem. Desta forma, a união de Deus com o homem assumiu a sua forma suprema, irreversível e definitiva. Assim, é traçada também para o amor humano a sua forma definitiva, aquele "sim" recíproco que não pode ser revogado: ela não aliena o homem, mas liberta-o das alienações da história para o conduzir à verdade da criação. A sacramentalidade que o matrimónio assume em Cristo significa portanto que o dom da criação foi elevado à graça de redenção. A graça de Cristo não se acrescenta de fora à natureza do homem, não lhe faz violência, mas liberta-a e restaura-a, precisamente ao elevá-la acima dos seus próprios limites. Assim como a encarnação do Filho de Deus revela o seu verdadeiro significado na cruz, também o amor humano autêntico é doação de si, e não pode existir se pretender subtrair-se à cruz.
Também na geração dos filhos o matrimónio reflecte o seu modelo divino, o amor de Deus pelo homem. No homem e na mulher a paternidade e a maternidade, como o corpo e como o amor, não se deixam circunscrever no biológico: a vida só é dada totalmente quando, com o nascimento, são dados também o amor e o sentido que fazem com que seja possível dizer sim a esta vida. Precisamente disto se torna totalmente evidente como é contrário ao amor humano, à vocação profunda do homem e da mulher, fechar sistematicamente a própria união à doação da vida, e ainda mais suprimir ou violar a vida que nasce.

De tudo isto surge uma consequência evidente: a família e a Igreja, em concreto, as paróquias e as outras formas de comunidade eclesial, estão chamadas à colaboração mais estreita naquela tarefa fundamental que é constituída, inseparavelmente, pela formação da pessoa e pela transmissão da fé. Sabemos bem que para uma autêntica obra educativa não é suficiente uma teoria justa ou uma doutrina a ser comunicada. Há necessidade de algo muito maior e humano, daquela proximidade, quotidianamente vivida, que é própria do amor e que encontra o seu espaço mais propício na comunidade familiar, e depois também numa paróquia, movimento ou associação eclesial, em que se encontrem pessoas que se ocupam dos irmãos, em particular das crianças, mas também dos adultos, dos idosos, dos doentes, das próprias famílias, porque, em Cristo, os amam. O grande Padroeiro dos educadores, São João Bosco, recordava aos seus filhos espirituais que "a educação é algo do coração e que só Deus é o seu dono" (Epistolário, 4, 209).
Central na obra educativa, e especialmente na educação para a fé, que é o vértice da formação da pessoa e o seu horizonte mais adequado, é em concreto a figura da testemunha: ela torna-se ponto de referência precisamente enquanto sabe dizer a razão da esperança que anima a sua vida (cf. 1 Pd 3, 15), e está pessoalmente comprometida com a verdade que propõe. Por outro lado, a testemunha nunca se propõe a si mesma como ponto de referência, mas propõe algo, ou melhor Alguém maior do que ela que encontrou e de quem experimentou a bondade confiante. Assim, cada educador e testemunha encontra o seu modelo insuperável em Jesus Cristo, a grande testemunha do Pai, que nada dizia de si mesmo, mas falava como o Pai lhe tinha ensinado (cf. Jo 8, 28).

Este é o motivo pelo qual na base da formação da pessoa cristã e da transmissão da fé está necessariamente a oração, a amizade pessoal com Cristo e a contemplação n'Ele do rosto do Pai. Evidentemente, o mesmo é válido para qualquer nosso compromisso missionário, em particular para a pastoral familiar: a Família de Nazaré seja, portanto, para as nossas famílias e para as nossas comunidades, objecto de oração constante e confiante, além de ser modelo de vida. 

A relação educativa é por sua natureza uma coisa delicada: de facto, ela chama em causa a liberdade do outro que, mesmo se docemente, é contudo sempre provocada a uma decisão. Nem os pais, nem os sacerdotes ou os catequistas, nem os outros educadores se podem substituir à liberdade da criança, do adolescente ou do jovem a quem se dirigem. E especialmente a proposta cristã interpela profundamente a liberdade, chamando-a à fé e à conversão. Hoje, um obstáculo particularmente insidioso à obra educativa é constituído pela presença maciça, na nossa sociedade e cultura, daquele relativismo que, nada reconhecendo como definitivo, deixa sozinho, como última medida, o próprio eu com as suas decisões, e sob a aparência da liberdade torna-se para cada um uma prisão, porque separa uns dos outros, reduzindo cada um a permanecer fechado dentro do seu "Eu". Dentro de um horizonte relativista como este não é possível, portanto, uma verdadeira educação: sem a luz da verdade; mais cedo ou mais tarde cada pessoa está, de facto, condenada a duvidar da bondade da sua própria vida e das relações que a constituem, do valor do seu compromisso para construir com os outros algo em comum.




sobre familia(DISCURSO DO PAPA BENTO XVI AOS PARTICIPANTES NA ASSEMBLEIA PLENÁRIA DO PONTIFÍCIO CONSELHO DA FAMÍLIA)

A família fundamentada no matrimónio constitui um "património da humanidade", uma instituição social fundamental; é a célula vital e o pilar da sociedade, e isto diz respeito tanto aos crentes como aos não-crentes. Trata-se de uma realidade que todos os Estados devem ter na máxima consideração porque, como João Paulo II gostava de reiterar, "o futuro da humanidade passa através da família" (Familiaris consortio86).

"Além disso, na visão cristã o matrimônio, elevado por Cristo à altíssima dignidade de sacramento, confere maior esplendor e profundidade ao vínculo conjugal e compromete mais vigorosamente os esposos que, abençoados pelo Senhor da Aliança, se prometem fidelidade recíproca até à morte, no amor aberto à vida. Para eles, o cerne e o coração da família é o Senhor, que os acompanha na missão de educar os filhos rumo à maturidade. De tal maneira, a família cristã coopera com Deus não somente na geração da vida natural, mas inclusive na cultivação dos gérmens da vida divina recebida mediante o Batismo. " Bento XVI

No mundo contemporâneo, em que se vão difundindo algumas concepções equívocas sobre o homem, a liberdade e o amor humano, nunca nos devemos cansar de apresentar sempre de novo a verdade sobre a instituição familiar, como foi desejada por Deus desde a criação. Infelizmente, continua a aumentar o número de separações e de divórcios, que fragmentam a unidade familiar e criam não poucos problemas para os filhos, vítimas inocentes de tais situações. Hoje em dia, a estabilidade da família está particularmente em perigo; para a salvaguardar, é necessário ir com frequência contra a corrente, em relação à cultura predominante, e isto exige paciência, esforço, sacrifício e busca incessante de compreensão mútua.

Mas também nos dias de hoje os cônjuges podem superar as dificuldades e conservar-se fiéis à sua vocação, recorrendo ao auxílio de Deus através da oração e participando assiduamente nos sacramentos, de maneira particular na Eucaristia. A unidade e a solidez das famílias ajuda a sociedade a respirar os valores humanos autênticos e a abrir-se ao Evangelho.

 Exige-o a grandeza do amor conjugal, segundo o projecto divino, como recordei na Encíclica Deus caritas est:  "O eros degradado a puro "sexo" torna-se mercadoria, torna-se simplesmente uma "coisa" que se pode comprar e vender; antes, o próprio homem torna-se mercadoria... Na verdade, encontramo-nos diante duma degradação do corpo humano" (n. 5).
"Vastas áreas do mundo estão a padecer o chamado "inverno demográfico", com o consequente progressivo envelhecimento da população; por vezes parece que as famílias são ameaçadas pelo medo da vida, da paternidade e da maternidade. É necessário dar-lhes nova confiança, para que possam continuar a cumprir a sua nobre missão de procriar no amor.
Asseguro para isto a minha lembrança na oração enquanto, invocando a proteção materna de Maria, concedo a todos vós a minha Bênção, que de bom grado faço extensiva às famílias, a fim de que continuem a construir o seu lar seguindo o exemplo da Sagrada Família de Nazaré." Bento XVI

segunda-feira, 5 de maio de 2014

A nossa vida inteira é um processo de cura interior

Ninguém se coloca sob o sol sem se queimar. Se tomarmos sol em excesso, vamos sofrer as consequências dele. Com Deus acontece algo semelhante, pois ninguém se coloca na presença d'Ele sem ser beneficiado por Suas graças. As marcas da presença do Todo-poderoso também são irreversíveis para a nossa salvação. Quando nós nos deixamos conduzir pelo Espírito Santo, Ele nos dá liberdade. Nunca o Senhor pensou em nos trazer para perto d'Ele a fim de tira algo de nós, muito menos para limitar a nossa liberdade. Se Ele não quisesse a nossa liberdade, por que teria nos criado livres?

Nossa liberdade ficou comprometida por nossa própria culpa, porque quem peca se torna escravo do pecado. Pelos erros e pelos vícios que entram em nossa vida, ficamos debilitados. O Pai nos deu Cristo para nos libertar daquilo que nos amarra. Deus nos mostra quais caminhos podemos seguir, mas a liberdade de escolher é nossa. O desejo do Senhor é nos libertar de toda angústia, de toda opressão. O desejo d'Ele é nos ver felizes.

Em Gálatas 5,1 lemos: "É para que sejamos homens livres que Cristo nos libertou. Ficai, portanto, firmes e não vos submetais outra vez ao jugo da escravidão". Cristo nos amou, morreu numa cruz por nossa causa, para que não fôssemos escravos do pecado. O Ressuscitado nos libertou de todo mal, de toda armadilha do inimigo para que permanecêssemos livres. Contudo, ninguém é livre na maldade. Uma vez que o Espírito Santo nos visita, não há brechas para o pecado.

Quem conhece as coisas que há no homem senão o espírito do homem que nele reside? (cf. Coríntios 2,10-16). Assim também ninguém conhece as coisas de Deus senão o Seu Espírito.

Ninguém pode saber o que há em nosso interior se não abrirmos a boca e dissermos o que pensamos. Quando rezamos, Deus Pai nos refaz e o Espírito Santo nos cura e liberta. Rezar é ficar nu na presença de Deus, é abrir-se a Ele. Quando rezamos, colocamo-nos na presença do Altíssimo, nos expomos e somos curados. Quando tiramos a roupa diante do espelho, vemos o que queremos e o que não queremos. Na hora em que estamos rezando, caem as nossas vestes espirituais; assim, vemos aquilo que queremos e o que não queremos. Tudo que fazemos de mau volta para nós no momento da oração. No momento em que o Senhor nos mostra quem somos, Ele também nos mostra quem Ele é. Se Ele nos revela uma coisa que não está boa, é porque precisamos consertá-la.

Na oração nós aprendemos a ouvir o Senhor. Não existe ninguém que, tendo rezado, Deus não o tenha respondido. E se Ele não lhe responde diretamente, vai fazê-lo por meio de uma pessoa ou de um fato, mas Ele responde. Nós precisamos aprender a ouvi-Lo na oração, para conhecermos os planos que Ele tem para nossa vida.

Nós precisamos, na oração, pedir ao Espírito Santo que nos faça descobrir o que está ruim dentro de nós. Deus sabe o quando fomos machucados e sabe como nos curar.

A nossa vida inteira é um processo de cura interior. Enquanto estivermos com os pés nesta terra, nossa vida será um processo de cura interior. Nós temos de nos apresentar diante de Deus. O Todo-poderoso tem um plano para nossa vida, um plano de amor, de realização e de felicidade para nós. Se não abrirmos o nosso coração para a oração, correremos o sério risco de morrer sem conhecer o plano que Deus tinha para nós.

Márcio Mendes

quarta-feira, 30 de abril de 2014

VOCÊ AMA O QUE FAZ?

VOCÊ AMA O QUE FAZ?

Passamos a maior parte de nossa vida trabalhando. A lei do trabalho é uma lei de Deus para a nossa felicidade. “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado ...” (Gn 3,19). Isto não é um castigo de Deus, mas um remédio redentor.

Confúcio disse certa vez que: “Deus colocou o trabalho como sentinela da virtude”. É verdade, o trabalho justo e honesto fortalece a virtude, e esta nos faz felizes; quem trabalha com seriedade não tem tempo para fazer coisas erradas. Por isso, o trabalho não pode ser olhado como uma “penalidade”, um castigo a que nos submetemos sem outra alternativa; mas como a nossa colaboração com Deus no aperfeiçoamento da criação. Será que o inventor da roda imaginou a sua importância para toda a humanidade?

Deus nos deu a honra de completar a sua obra criada; e é pelo trabalho que fazemos isto. Logo, o trabalho é sagrado, qualquer que ele seja. São muitos os problemas e sofrimentos causados por aqueles que rejeitam o trabalho.

É por preguiça que o filho não obedece a seus pais, e muitas vezes se torna um transviado.

É por preguiça que os pais muitas vezes não educam bem os seus filhos, e não se dedicam melhor a eles.

É por preguiça de algumas esposas e esposos que o trabalho do lar é às vezes mal feito, prejudicando os seus filhos.

É por preguiça que o trabalhador faz o serviço de maneira desleixada, prejudicando os outros que dependem dele.

É por preguiça que o estudante não estuda e não faz as lições de casa e prejudica a sua formação.

É por preguiça e que às vezes um médico pode deixar perecer um paciente que depende dele para viver.

É por preguiça ou comodismo que o cristão deixa de ir à missa, de rezar, de conhecer a doutrina da Igreja, de trabalhar na sua comunidade, etc.

É por preguiça e negligência que muitos trabalhos são mal feitos provocando danos às pessoas.

É por preguiça e desleixo que muitos acidentes acontecem porque faltou zelo na sua prevenção.

Você já percebeu que esta lista poderia ser muito longa se fossemos buscar todos os males causados pela preguiça.

Estamos mal acostumados a colocar a culpa nos outros, no tempo, na chuva, na falta de materiais, etc., mas no fundo, a culpa é nossa mesma. Quem quer alguma coisa faz, quem não quer manda.

Thomas Edison, que inventou a lâmpada elétrica e patenteou cerca de mil inventos, disse que em todo gênio há 95% de transpiração e só 5% de inspiração. Isto quer dizer que não é a genialidade que faz o mundo avançar, mas o trabalho.

A glória do homem consiste em concluir o que Deus, propositadamente apenas começou. A dedicação e a disciplina superam a genialidade. O talento de um homem pode não ser bastante grande, mas se ele se casar com a perseverança, dará muitos frutos.

João Paulo II disse que “para mim o trabalho manual foi mais importante que minha tese de doutorado”. Eu digo o mesmo, o meu trabalho de professor foi muito mais importante para as pessoas do que os dois doutorados que realizei.

É importante amar aquilo que a gente faz. E para isso é preciso notar a grandeza do trabalho.Você não está apenas lavando louças, as enxugando e guardando, você está fazendo muito mais do que isto, está formando uma família, está formando homens e mulheres para o mundo e para Deus.

Certa vez o presidente americano Benjamim Franklin vistoriava a construção de uma obra e perguntou a um operário o que ele fazia na obra, este lhe respondeu que carregava tijolos para serem assentados; fez a mesma pergunta a um outro, e este lhe disse que carregava massa para que os tijolos fossem assentados; e perguntou a um terceiro, que carregava um carrinho de areia o que ele fazia; a resposta foi maravilhosa: “estamos construindo uma catedral”. Este último entendeu a grandeza do seu trabalho; não estava “apenas” carregando um carrinho de areia, estava fazendo muito mais, “construindo uma catedral”.

Catequese do Papa Francisco

Nada é impossível à misericórdia de Deus



Catequese do Papa Francisco

Reunimo-nos aqui, neste encontro do Ano da Fé dedicado a Maria, Mãe de Cristo e da Igreja, nossa Mãe. A sua imagem, vinda de Fátima, ajuda-nos a sentir a sua presença no meio de nós. Maria leva-nos sempre a Jesus. É uma mulher de fé, uma verdadeira crente. Como foi a fé de Maria? 

1. O primeiro elemento da sua fé é este: a fé de Maria desata o nó do pecado (cf. LG, 56). Que significa isto? Os Padres conciliares retomaram uma expressão de Santo Ireneu, que diz: «O nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; aquilo que a virgem Eva atara com a sua incredulidade, desatou-o a virgem Maria com a sua fé» (Adv. Haer. III, 22, 4). 
O «nó» da desobediência, o “nó” da incredulidade. Poderíamos dizer, quando uma criança desobedece à mãe ou ao pai, que se forma um pequeno «nó». Isto sucede, se a criança se dá conta do faz, especialmente se há pelo meio uma mentira; naquele momento, não se fia da mãe e do pai. Isto acontece tantas vezes! Então a relação com os pais precisa de ser limpa desta falta e, de facto, pede-se desculpa para que haja de novo harmonia e confiança. Algo parecido acontece no nosso relacionamento com Deus. Quando não O escutamos, não seguimos a sua vontade e realizamos acções concretas em que demonstramos falta de confiança n’Ele – isto é o pecado –, forma-se uma espécie de nó dentro de nós. Estes nós tiram-nos a paz e a serenidade. São perigosos, porque de vários nós pode resultar um emaranhado, que se vai tornando cada vez mais penoso e difícil de desatar.Mas, para a misericórdia de Deus, nada é impossível! Mesmo os nós mais complicados desatam-se com a sua graça. E Maria, que, com o seu «sim», abriu a porta a Deus para desatar o nó da desobediência antiga, é a mãe que, com paciência e ternura, nos leva a Deus, para que Ele desate os nós da nossa alma com a sua misericórdia de Pai. Poderíamos interrogar-nos: Quais são os nós que existem na minha vida? Para mudar, peço a Maria que me ajude a ter confiança na misericórdia de Deus? 

2. Segundo elemento: a fé de Maria dá carne humana a Jesus. Diz o Concílio: «Acreditando e obedecendo, gerou na terra, sem ter conhecido varão, por obra e graça do Espírito Santo, o Filho do eterno Pai» (LG, 63). Este é um ponto em que os Padres da Igreja insistiram muito: Maria primeiro concebeu Jesus na fé e, depois, na carne, quando disse «sim» ao anúncio que Deus lhe dirigiu através do Anjo. Que significa isto? Significa que Deus não quis fazer-Se homem, ignorando a nossa liberdade, quis passar através do livre consentimento de Maria, do seu «sim».  
Entretanto aquilo que aconteceu de uma forma única na Virgem Mãe, sucede a nível espiritual também em nós, quando acolhemos a Palavra de Deus com um coração bom e sincero, e a pomos em prática. É como se Deus tomasse carne em nós: Ele vem habitar em nós, porque faz morada naqueles que O amam e observam a sua palavra.Perguntemo-nos: Estamos nós conscientes disto? Ou pensamos que a encarnação de Jesus é um facto apenas do passado, que não nos toca pessoalmente? Crer em Jesus significa oferecer-Lhe a nossa carne, com a humildade e a coragem de Maria, para que Ele possa continuar a habitar no meio dos homens; significa oferecer-Lhe as nossas mãos, para acariciar os pequeninos e os pobres; os nossos pés, para ir ao encontro dos irmãos; os nossos braços, para sustentar quem é fraco e trabalhar na vinha do Senhor; a nossa mente, para pensar e fazer projectos à luz do Evangelho; e sobretudo o nosso coração, para amar e tomar decisões de acordo com a vontade de Deus. Tudo isto acontece graças à acção do Espírito Santo. Deixemo-nos guiar por Ele! 

3. O último elemento é a fé de Maria como caminho: o Concílio afirma que Maria «avançou pelo caminho da fé» (LG, 58). Por isso, Ela nos precede neste caminho, nos acompanha e sustenta. 
Em que sentido a fé de Maria foi um caminho? No sentido de que toda a sua vida foi seguir o seu Filho: Ele é a estrada, Ele é o caminho! Progredir na fé, avançar nesta peregrinação espiritual que é a fé, não é senão seguir a Jesus; ouvi-Lo e deixar-se guiar pelas suas palavras; ver como Ele se comporta e pôr os pés nas suas pegadas, ter os próprios sentimentos e atitudes d’Ele: humildade, misericórdia, solidariedade, mas também firme repulsa da hipocrisia, do fingimento, da idolatria. O caminho de Jesus é o do amor fiel até ao fim, até ao sacrifício da vida: é o caminho da cruz. Por isso, o caminho da fé passa através da cruz, e Maria compreendeu-o desde o princípio, quando Herodes queria matar Jesus recém-nascido. Mas, depois, esta cruz tornou-se mais profunda, quando Jesus foi rejeitado: então a fé de Maria enfrentou a incompreensão e o desprezo; quando chegou a «hora» de Jesus, a hora da paixão: então a fé de Maria foi a chamazinha na noite. Na noite de Sábado Santo, Maria esteve de vigia. A sua chamazinha, pequena mas clara, esteve acesa até ao alvorecer da Ressurreição; e quando lhe chegou a notícia de que o sepulcro estava vazio, no seu coração alastrou-se a alegria da fé, a fé cristã na morte e ressurreição de Jesus Cristo. Este é o ponto culminante do caminho da fé de Maria e de toda a Igreja. Como está a nossa fé? Temo-la, como Maria, acesa mesmo nos momentos difíceis, de escuridão? Tenho a alegria da fé? 
Esta noite, ó Maria, nós Te agradecemos pela tua fé e renovamos a nossa entrega a Ti, Mãe da nossa fé. 

Paz e Bem!

Fonte: Zenit 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O Amor segundo Paulo

O Amor segundo Paulo

"Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos,
se não tivesse amor, seria como sino ruidoso
ou como címbalo estridente.
Ainda que tivesse o dom da profecia,
o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência;
ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas,
se não tivesse amor, nada seria.
Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos,
ainda que entregasse o meu corpo às chamas,
se não tivesse amor, nada disso me adiantaria.
O amor é paciente, o amor é prestativo;
não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente,
não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor.
Não se alegra com a injustiça,
mas regozija-se com a verdade.
Tudo desculpa,
tudo crê,
tudo espera,
tudo suporta.
O amor jamais passará.
As profecias desaparecerão,
as línguas cessarão,
a ciência também desaparecerá.
Pois o nosso conhecimento é limitado;
limitada é também a nossa profecia.
Mas, quando vier a perfeição, desaparecerá o que é limitado.
Quando eu era criança,
falava como criança,
pensava como criança,
raciocinava como criança.
Depois que me tornei adulto, deixei o que era próprio de criança.
Agora vemos como em espelho e de maneira confusa;
mas depois veremos face a face.
Agora o meu conhecimento é limitado,
mas depois conhecerei como sou conhecido.
Agora, portanto, permanecem estas três coisas:
a fé, a esperança e o amor.
A maior delas, porém, é o amor."

Primeira carta de Paulo aos Coríntios (13, 1-13)

Nada nos pode separar do amor de Deus. A Bíblia diz em Romanos 8:38-39 “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” 
O amor de Deus é um amor de sacrifício. A Bíblia diz em João 3:16 “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” 
O amor de Deus dura para sempre. A Bíblia diz em Salmos 136:1 “Dai graças ao Senhor, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre.”