Ler a Palavra do dia equivale a ler uma importante carta que o Pai remete para nós todos os dias. É difícil definir um tempo para cada pessoa. Comece encontrando-se com a Palavra diariamente e sempre, se possível, no mesmo horário. À medida que você crescer em intimidade, vai certamente necessitar de mais tempo. Portanto, comece aos poucos e atinja um tempo ideal que é de no mínimo trinta minutos e não se faz necessário mais que uma hora.
21º Dia – Por que não basta, somente ler a Palavra?
Pergunta do dia!
Não tenho tempo nem disposição física para rezar pela manhã. Como devo fazer?
Para ser verdadeira Lectio Divina, a Palavra de Deus, da liturgia do dia deve ser lida e acolhida logo cedo, caso contrário, não será o dia que o Senhor fez para nós. Não sendo possível rezar pela manhã, por algum motivo grave, leia a Palavra do dia na noite anterior, assim, pela manhã essa mesma Palavra já estará em sua memória e você poderá começar a vivê-la desde cedo, mesmo que seu momento de oração seja no meio do dia, ou somente à noite. Resumindo, podemos iniciar a Lectio Divina à noite, fazendo o exame de consciência, observando se vivemos a Palavra proposta e na seqüência meditar a Palavra do próximo dia. Ainda recomendaria o cuidado de reservar um tempo hábil para Deus a cada dia; se ainda não somos capazes de fazer isso, devemos questionar se realmente somos cristãos.
22º Dia - Minha vida é corrida, trabalho durante o dia e estudo a noite, como posso fazer a Lectio Divina?
Mesmo que sua vida seja muito ocupada, não esqueça: um cristão não deve passar nem um dia sequer sem ter um contato pessoal com a Palavra de Deus. Digamos que sua vida seja agitada, de manhã até a noite. Desta forma, leia a noite a Palavra do dia seguinte, acorde mais cedo, leia no trânsito, na hora do lanche… enfim, dê preferência à Palavra de Deus e o tempo aparecerá. A melhor hora é aquela que você pode dar toda a sua atenção a Palavra de Deus. Caso você tenha uma melhor opção, pare, escolha um local adequado, aquiete-se, invoque a presença do Espírito Santo e faça sua Lectio Divina todos os dias. Lembre-se que ela é CONTÍNUA.
23º Dia – Quais são os degraus da Lectio Divina? Como surgiram?
São quatro os degraus da Lectio Divina: Leitura, Meditação, Oração e Contemplação.
A sistematização do método da Lectio Divina chegou até nós através dos escritos de Guido (por volta de 1150), monge da Ordem dos Cartuxos.
Certo dia, ainda jovem, enquanto Guido realizava alguns trabalhos manuais, trazia em mãos uma escada. Em dado momento, com a escada nas mãos, pediu a Deus que lhe desse a graça de subir até a sua presença. Foi então que recebeu a graça de ter uma belíssima visão espiritual, na qual pode ver uma escada com apenas quatro degraus sustentados na Palavra, mas que levava até Deus e perscrutava os segredos do Céu.
A Lectio Divina é a escada espiritual dos monges, mas é também a escada de todo o cristão. Guido ainda explicou o que é próprio de cada degrau, quais os efeitos na alma daquele que se dispõe subir a Deus por meio deles. Foi assim que surgiram os chamados degraus da Lectio Divina, ou seja, a leitura, a meditação, a oração e a contemplação.
24º Dia - Qual o primeiro degrau da Lectio Divina?
O primeiro degrau da Lectio Divina é a leitura.
Quando buscamos conhecimentos novos lemos mais rapidamente possível; a Lectio Divina, ao invés, é um ruminatio, uma assimilação vagarosa do texto divino. Para acontecer uma leitura lenta alguns autores recomendam a Lectio Divina em uma língua morta ou em idioma estrangeiro. A Lectio Divina não vale pelo que permite adquirir, mas pelo que permite devir ou ser, e neste sentido aproxima-se da leitura clássica, a leitura deve ser lenta e desinteressada.
Leia, com calma e atenção, (aconselha-se a escolher um dos textos da liturgia do dia). Leia o texto quantas vezes e versões forem necessárias. Procure identificar as coisas importantes deste texto: o ambiente, os personagens, os diálogos, as imagens usadas, as ações. É importante identificar tudo com calma e atenção, como se estivesse vendo a cena. A leitura é o estudo assíduo das Escrituras, feito com aplicação de espírito.
25º Dia - Qual o segundo degrau da Lectio Divina?
O segundo degrau da Lectio Divina é a meditação. “A leitura sem meditação é árida, e a meditação sem leitura é errônea”. (Guido, monge cartuxo francês)
Guido, também ao falar da Meditação (Meditatio), usa o termo “Ruminação”, porque, depois de nos alimentarmos da Palavra de Deus na Leitura, o alimento da Palavra retorna ao nosso coração para ser “ruminado” e transformado em “alimento” de salvação. Por isso, a Meditação é, antes de tudo, uma atualização do texto. Existem outras perguntas de apoio, tais como: “O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto, de ontem, e a situação de hoje? Quais os conflitos de ontem que existem hoje? Quais são diferentes? Que personagem eu sou dentro do texto? E quem eu sou chamado a ser? O que o Espírito quer falar, quer comunicar? Meditar é, então, mastigar, ruminar, atualizar e dialogar com o texto bíblico.
26º Dia - Qual o terceiro degrau da Lectio Divina?
O terceiro degraus da Lectio Divina é a oração.
Toda boa meditação desemboca naturalmente na oração. É o momento de responder a Deus após havê-lo escutado. Esta oração é um momento muito pessoal que diz respeito apenas à pessoa e Deus. Não se preocupe em preparar palavras, fale o que vai ao coração depois da meditação: se for louvor, louve; se for pedido de perdão, peça perdão; se for necessidade de maior clareza, peça a luz divina; se for cansaço e aridez, peça os dons da fé e esperança. Enfim, os momentos anteriores, se feitos com atenção e vontade, determinarão esta oração da qual nasce o compromisso de estar com Deus e fazer a sua vontade.
27º Dia - Qual o quarto degrau da Lectio Divina?
O quarto degrau da Lectio Divina é a contemplação. Desta etapa a pessoa não é a autora. É um momento que pertence a Deus e sua presença misteriosa, sim, mas sempre presente. É um momento no qual se permanece em silêncio diante de Deus. Se ele o conduzir à contemplação, louvado seja Deus! Se ele lhe der apenas a tranqüilidade de uns momentos de paz e silêncio, louvado seja Deus! Se para você for um momento de esforço para ficar na presença de Deus, louvado seja Deus! Mas em todas as circunstâncias será uma maneira de ver Deus presente na história e em nossa vida!
“Ele recria a alma fatigada, nutre a quem tem fome, sacia sua aridez, lhe faz esquecer tudo o que é terreno, vivifica-a, mortificando-a por um admirável esquecimento de si, e embriagando-a, sóbria a torna” (Guido, o Cartuxo).
28º Dia - Como o monge Guido resumiu os quatro degraus da Lectio Divina?
É simples: são quatro degraus – “a leitura procura a doçura da vida bem-aventurada; a meditação a encontra; a oração a pede, e a contemplação a experimenta. A leitura, de certo modo, leva à boca o alimento sólido, a meditação o mastiga e tritura, a oração consegue o sabor, a contemplação é a própria doçura que regala e refaz. A leitura está na casca, a meditação na substância, a oração na petição do desejo, a contemplação no gozo da doçura obtida.” (Guigo, o Cartuxo, Scala Claustralium).
29º Dia - O que a Igreja tem declarado sobre a Lectio Divina?
Junto com a vivência da Eucaristia, a escuta da Palavra de Deus, em particular através da “Lectio Divina”, está se convertendo em um dos temas centrais do pontificado do Papa Joseph Ratzinger, eleito em 19 de abril de 2005.
Como ele mesmo declarou: a Lectio Divina “consiste em meditar amplamente sobre o texto bíblico, lendo-o e voltando a ler, ‘ruminando-o’ em certo sentido, e espremendo todo seu ‘suco’, para que alimente a meditação e a contemplação e chegue a irrigar com a seiva a vida concreta”.
“Como condição, a Lectio Divina requer que a mente e o coração estejam iluminados pelo Espírito Santo, ou seja, pelo próprio inspirador das Escrituras, e pôr-se, portanto, em atitude de religiosa escuta”.
Em várias intervenções precedentes, Bento XVI já havia dado um forte impulso à Lectio Divina, ao encontrar-se com os 400 participantes no congresso que a Santa Sé organizou para recordar os quarenta anos da publicação da constituição do Concílio Vaticano II “Dei Verbum”, sobre a Revelação.
“Se esta prática for promovida com eficácia, estou convencido de que haverá uma nova primavera espiritual na Igreja”, assegurou então o Papa.
Se a leitura orante da Bíblia remonta aos primeiros cristãos, o primeiro a utilizar a expressãoLectio Divina foi Orígenes (aproximadamente 185-254), teólogo, que afirmava que para ler a Bíblia com proveito é necessário fazê-lo com atenção, constância e oração.
Mais adiante, a Lectio Divina converteu-se na coluna vertebral da vida religiosa. As regras monásticas de Pacômio, Agostinho, Basílio e Bento fariam dessa prática, junto ao trabalho manual e à liturgia, a tripla base da vida monástica.
A sistematização da Lectio Divina em quatro degraus provém do século XII. Por volta do ano 1150, Guido, um monge cartuxo, escreveu um livro titulado “A escada dos monges”, onde expunha a teoria dos quatro degraus: a leitura, a meditação, a oração e a contemplação.
“Essa é a escada pela qual os monges sobem desde a terra até o céu”, afirmava.
Na meditação improvisada que Bento XVI dirigiu aos bispos no primeiro dia de sessões do Sínodo sobre a Eucaristia, em 3 de outubro de 2005, recomendou-lhes particularmente esta prática.
“Devemos exercer a Lectio Divina, escutar nas escrituras o pensamento de Cristo, aprender a pensar com Cristo, a pensar o pensamento de Cristo e, desta maneira, ter os pensamentos de Cristo, ser capazes de dar aos demais também o pensamento de Cristo e os sentimentos de Cristo”, disse falando sem papéis.
Entre as proposições que os padres sinodais redigiram como síntese da assembléia, a número 18 reconhece: “Amar, ler, estudar, meditar e orar a Palavra de Deus é um fruto precioso da prática da Lectio Divina, dos grupos de estudo e de oração bíblicos em família e nas pequenas comunidades eclesiais”.
30º Dia - Qual o papel do Espírito Santo na Lectio Divina?
A presença do Espírito Santo na Lectio Divina é insubstituível.
É o Espírito Santo que conduz nossa oração. É Ele que move, orienta, envolve e acompanha; ele conhece as Sagradas Escrituras, conhece o nosso coração e também as profundezas de Deus.
A cada início de oração, sempre digamos: Vem Espírito Santo!
Como fazer a Lectio Divina – Os 4 degraus!
A origem deste método de oração vem da Tradição Cristã e, por volta dos anos de 1150,foi organizada em quatro degraus pelos monges. Este jeito de rezar, portanto,vem caminhando com nossa Igreja e está ao alcance de todos, é para o homem epara a mulher, para o idoso, o jovem e a criança, todos podem falar com Deus eescutá-Lo.
Como devemos iniciar nosso encontro com Deus?
1º Escolha um local.
2º Suplique o Espírito Santo.
Sim é Deus, por seu EspíritoSanto, que vai conduzir você na oração. O mesmo Espírito de Deus que inspirouas Sagrados Escrituras vai levar você a orar com Ela e a compreendê-La.
Os quatro degraus da lectio divina são:
A leitura, meditação, oração e acontemplação.
1. Leitura
“O homem é aquilo que ele lê”
O primeiro passo é a escolha do texto bíblico, esta escolhadeve ser feita entre a leitura do dia, o salmo ou o Evangelho que a liturgianos propõe, assim, você se colocará em unidade com a Igreja no mundo inteiro.Escolhido o texto, comece a leitura, leia quantas vezes for necessário até quea Palavra ressoe dentro de você e te absorva para dentro Dela. É na leitura queo texto sagrado começa a se realizar, a Palavra que está sendo lida com fé, se atualizanaquele momento.
Perceba também do que se trata o texto. O que este trecho diz?De quem está falando? A quem está sendo dirigido? No próximo degrau que é ameditação você trás o texto para a realidade que você vive hoje.
Escreva em poucas palavras oque você percebeu do texto até este momento. Por exemplo:
No texto de hoje Jesus estávisitando uma casa, e já pode fazer uma prece: Jesus visita também minha casa.
2. Meditação
“Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo” (CIC 133)
A tarefa da meditação é refletir sobre o texto que você acaboude ler. O Espírito Santo tem algo único para revelar sobre esta passagem paravocê. À medida que acontece a leitura, como já foi dito, a Palavra de Deus seatualiza, torna-se concreta, real e transformadora. Depois de ler repetidasvezes se questione: O que Deus diz de único para mim, de forma pessoal, neste texto?Qual será minha resposta diante do que Deus me diz?
Escreva a parte do texto que mais te chamou a atenção.
Através da Palavra de Deus, o Senhor nos faz uma visitaamorosa, muitas vezes Ele exorta, chama a retomar o caminho e consola.
Escreva o fruto de sua meditação.
3. Oração
“A Oração é um caminho seguro para a santificação”.
Quem ora assiduamente com a Palavra de Deus percebe que Alguémvem ao seu encontro. Concretamente na oração devemos responder o que o texto lido e meditado nos leva a dizer a Deus? Pode louvar, agradecer, suplicar ou interceder, enfim, é hora especialmente de pedir que a graça aconteça e seja abundante. Que a Palavra venha cumprir sua missão. As Sagradas Escrituras dizem: “… a palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado a minha vontade e cumprido sua missão…” (Is 55,10-11). A oração é a resposta ao que Deus falou na leitura e na meditação. O que Deus falou? Qual a sua resposta?
Escreva sua oração.
4. Contemplação
“Contemplar é entrar em solidão, parar e tão somente, olhar para Deus…”
Depois de ler, meditar e orar com a Palavra é hora de saborear.
A contemplação leva o orante ao uma quietude saborosa etranqüila, a um repouso do ser e do fazer, a uma experiência profunda do Deusverdadeiro que revela sua face amorosa e próxima. Para alcançar a contemplação é precisoinsistir. Contemplar é dom e é graça.
Escreva se durante acontemplação a ação de Deus visitou você.
“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura.” (Mc 16,15)